segunda-feira, 17 de junho de 2019

Como lágrimas na chuva



Nós não podemos como terceiros ou seres estranhos avaliar o quanto as experiências de vida valem para cada indivíduo. Não somente as que acontecem no mundo material, mas também no reino da mente, experiências por vezes totalmente subjetivas, fruídas por ninguém mais além de nós mesmos.

Ter de explicar a outra pessoa a beleza e o deleite dessas experiências seria debalde, e o quanto para nós elas são caras, e como de certa forma ajudaram na criação de nossa personalidade.

Quem poderia entender? Quem poderia admirar conosco?

E de fato com o fim de nossa existência todas essas experiências serão perdidas, como lágrimas na chuva.

Mas não seria essa chuva senão as lágrimas das experiências de nossos antepassados? E que para nós experienciarmos hoje, necessariamente teria de ter havido a dissolução das mais belas experiências daqueles antes de nós? E que a nossa dissolução seja necessária para que outros no futuro possam deleitar-se com suas próprias, não é o justo? A natureza não age com hombridade desse modo?

Eu creio que sim.

E creio que o fato de que nossas experiências mais recônditas, caras, belas e nobres se "perderão"(na verdade se transformarão) seria de certo modo uma peroração da natureza a vivermos amplamente as experiências que valem a pena serem vividas na terra, na medida em que podemos vivê-las.

O encontro com Deus na oração ou meditação, o contemplar absorto entre as montanhas, o influxo de energia vital logo antes de o sol nascer na brisa matinal, uma amizade sincera, a sinergia entre duas almas no amor puro, e várias outras.

Por nobres e excelsas que são se distinguem da vulgaridade sensorial em que somos bombardeados hoje em dia. São experiências que constroem nossa alma e mente. E o fato delas se perderem com a dissolução de nosso corpo material não as diminuem, antes aumentam seu valor e como devemos vivenciá-las ante a iniquidade de nosso tempo.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Sobre a liberdade de expressão

Observando o punho de ferro com que as grandes corporações capitalistas esmagam qualquer voz dissidente que não seja boa para exibição de propagandas.

Considerando também como as grandes corporações movem montanhas para manter suas marcas comercializáveis e sem nenhuma mácula de associação com políticas ou temas de identidades tóxicas. (Pois existem as políticas e temas de identidade não tóxicas, e.g. como as empresas elegeram junho para celebrar o orgulho homo.)

Ora, quem decide que identidade é tóxica ou não? Jornalistas, Hollywood, Artistas, Academia universitária et cetera... Esses conseguem empurrar o pendulo da janela cultural do que é aceitável ou não para seus próprios fins. Ignorando conceitos como liberdade de expressão ou até mesmo as preferências culturais da população em geral. Marxistas culturais confeccionando o tecido social numa aliança blasfema com grandes empresas capitalistas.

Esse expurgo pode ter um lado bom, diversificar as plataformas de conteúdo na internet, essencialmente nos últimos anos, erigiram-se leviatãs de trafego e conteúdo, poucas empresas que visam somente o lucro através de propagandas e coleta de dados de seus usuários, que, para essas empresas não são clientes e sim o produto à venda, os verdadeiros clientes dessas empresas são outras empresas que vão fazer propagandas ou comprar os dados dos usuários.

Continuando o raciocínio, esses expurgos podem ter um lado bom, diversificar as plataformas de conteúdo e exigir dessas plataformas um comprometimento sério com a proteção de dados dos seus usuários e o objeto mais sacro de toda plataforma, a liberdade de expressão de seus usuários no contexto de termos de serviço objetivos e claros.

E por liberdade de expressão refiro-me a primeira emenda da constituição americana advinda na Carta dos Direitos dos Estados Unidos:

Emenda I

O congresso não deverá fazer qualquer lei a respeito de um estabelecimento de religião, ou proibir o seu livre exercício; ou restringindo a liberdade de expressão, ou da imprensa; ou o direito das pessoas de se reunirem pacificamente, e de fazerem pedidos ao governo para que sejam feitas reparações de queixas.

Não essa farsa que existe em outros países, em que existem "crimes" de opinião.

E que essas monstruosidades chamadas grandes redes sociais, que estão na mão de 3 ou 4 empresas, que agem de modo coordenado visando a repressão das opiniões "tóxicas" e não amigáveis as propagandas. Que essas monstruosidades possam se diluir e perder força.

Afinal, a bênção que foi a internet na difusão de informações no começo dos anos 2000 para a grande população em relação a televisão e rádio, era justamente no fato de que não haviam mais editores ou censores, as ideias podiam circular livremente, boas ou ruins, cabia ao individuo discernir a veracidade do que lia. 

Isso foi um grande golpe na elite que controlava o fluxo de informações através de seus conglomerados midiáticos, eles não tinham mais o monopólio das notícias e consequentemente da opinião da população em geral.

Isso foi mudando através dos anos 10, e hoje parece que voltamos a estaca zero pois ao aderir as grandes redes sociais e de vídeos, nós colocamos de volta o poder nas mãos dessa pequena mas poderosa elite de controlar o fluxo de informações através de algoritmos e sugestões e por fim através da censura.

Não mais! Porque dar tamanho poder a esses indivíduos? Abandonar as grandes redes sociais é a decisão mais lógica, endossar aquelas que se comprometem com a liberdade de expressão e privacidade de seus usuários é a melhor e mais sábia escolha.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Das milhares de luzes que rutilam em nosso caminho

Das milhares de luzes que rutilam em nosso caminho, que podemos escolher, que podemos inteligir? Esses sóis distantes, mas eles são vários e cambiantes, e tão sedutores, numa hora seguimos esse, noutra aquele, seus brilhos iridescentes nos atraem no negror escabroso do firmamento, centelhas de esperanças, que estão lá, podemos vê-las e saber de sua existência, mas seu calor não nos alcança. Que há de bom em sabermos que existem, que há de bom em sermos obsedados pela beleza fulgurante porém pequena e calçada pela distância sidérea infinita? Nossa mente se dilui, deixamos de ser um só com nossa consciência.

E se na fria e tétrica noite nos perdemos por miragens, vagando por espectros luzidios, pontos inatingíveis em estrelas variegadas, o arrebol jamais se nos deslinda e à noite seremos fadados.

Mas se ao invés nossos olhos se voltarem ao sol eterno, massivo e cálido, próximo a nós, tangível, que nos banha com seu calor benévolo e ilumina as escuridades em nossa alma e não somente resvala nossos sentidos de maneira vã. Esse é o caminho da transcendência e fidelidade ao espírito, a unidade, a disciplina, a devoção, e ao seguirmos esse astro-mor com olhos vivos, pode sim nossa consciência transbordar em nosso ser.

Nossa mente una, nosso espírito fiel, a consciência verdadeira.

O ego se dissipa.

sábado, 25 de maio de 2019

A angústia que toma meu coração

A angústia que toma meu coração
Devasta a alma em tormenta fatal
De dor em horrenda ligação
Irradiando consternante mal

De teu rosto o balsamo porem
Busco em éons profundos
De minha solitude rajada além
Tuas palavras em doces mundos

E teu calor longínquo
Que fremente anseio
Em sentimento profícuo
Teu deleitoso seio

Minha amada serena
Soltaste minhas mãos
Esvaneceste lua plena
Deixaste-me lúgubres irmãos

Nas trevas vago
Choroso e perdido
Refém do danoso mago
No sentimento tido

Que nao retornará
Como tu benigna fada
Que nao mais me aquecerá
Enviaste-me ao tétrico nada

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Meu espírito se quebra como vagalhões sobre os promontórios do mundo

Meu espírito se quebra como vagalhões sobre os promontórios do mundo, se erige novamente, se quebra novamente, no ciclo das mudanças eternas que por fim levarão meu cadáver às entranhas da terra e só o que restará é o espírito.

Minhas ações logo serão esquecidas pelos outros. Não para mim porém, em mim elas se tornarão parte do que eu sou e minha consciência se transmutará em inexorável verdugo ou benévola comendadora. 

E meu dever é permanecer fiel. A lealdade como mais alto valor, à minha própria alma e ao ser superno, cujos laivos transparecem nas pinceladas de nobreza que por vezes me vejo as voltas.

E no mar de vilezas que meu coração possa ser puro, e que a macula do vício e torpeza hodierna jamais o toque.

terça-feira, 21 de maio de 2019

O ego carrega em si todas as tempestades do espírito


O ego envenena seu verdadeiro eu com falsas necessidades, precipitando todos os vícios em sua mente como consequência. É uma identidade que não existe, o obscurecimento pela vaidade, arrogância e identificação com o mundo material.

Quando o homem é o que ele foi designado pela natureza para ser; racional, todas essas falsas identificações desvanecem, restando somente o verdadeiro eu.

Mas na corrida de ratos do mundo material, a ilusão penetra tão fundo em nossas mentes, que senão por árduos exercícios de ascese, desprendimento e precipuamente reflexões, poderemos abandonar por fim a ilusão do ego.

Todo o ruído sem fim da tecnologia, tornando nosso pensamento difuso, nossa existência difusa, lançando nossos pensamentos aos vórtices caóticos de fragmentos de informação, nunca profundas e certamente nunca importantes, nos alienando de nossa capacidade de meditar profundamente, e realizarmos o verdadeiro eu.

Impossibilitando nossa mente de focar, de se tornar una, hierárquica, espiritual. Antes, o caos da modernidade impele as mais baixas sensações e veleidades à proeminência de nossa estrutura mental, protelando ou anulando aquilo que realmente deveríamos nos concernir.

Silenciemos pois esses barulhos informacionais, silenciemos pois essa tecnologia mórbida que nos aliena de nós mesmos, e conspurca nossa mente, voltemos aos bosques e aos céus estrelados e ao silêncio confortante da natureza.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

A criatividade no peito do homem existe como espírito autônomo

A criatividade no peito do homem existe como espírito autônomo que dá vazão a sua substância para o mundo, ajuda a tornar o que o homem é, pois o interno e externo existem unidos por um fluxo constante de informações e ações, e o homem puramente externo ou interno é uma aberração.

O homem privado de externar a si mesmo, descende numa espiral de loucura e repressão, os pensamentos adquirem vida e corrompem-se e apodrecem em seu peito, talvez por isso a anedota do Marques de Sade na prisão, quando privado de seus instrumentos de escrita, escrevera com ossos de galinha restos de sua refeição e sangue, quando privado desses, escrevera com os dedos e fezes.

A expressão e ações são como a catarse do espírito, o homem deve externar seu interior. Pois o homem é um animal social.

O que muda porém é o efeito da civilização nesse aspecto que protegida das intempestividades e aleatoriedade do mundo natural faz com que comportamentos antissociais e degenerados sejam incentivados e não eliminados, tornando assim fraca toda a sociedade.

A natureza garantiu ao homem o direito de expressar-se e tornar-se o que é, mas à ela mesma cabe realizar o julgamento e permitir a continua existência desse homem e a transmissão de seus genes adiante.