segunda-feira, 21 de maio de 2018

Jung já descrevia em seus ensaios

Jung já descrevia em seus ensaios, que existem forças psicológicas no homem, que pendem em sua personalidade como lastros incógnitos, inclinando-a a certas tendências, e que essas forças psicológicas vem sendo fomentadas na psique de cada povo de modo diferente.

E que muitas das angústias do homem domesticado moderno, advém desse inconsciente coletivo. Nós devemos canalizar essa força, através do autoconhecimento e reflexão.

Privação.

Sempre quando tentamos mudar um hábito ruim, sentimo-nos assolados pela ansiedade dessa privação. Mas mesmo essa ansiedade se torna distante e cada vez menos intensa a medida em que o tempo passa e fortalecemos nosso espírito, voltando a nossa essência real, nos tornamos quem devemos ser, percebemos que essa ansiedade, assim como toda ansiedade, não passa de ilusão.

domingo, 13 de maio de 2018

A vida é como um báratro

A vida é como um báratro, uma escuridão total, um negror supremo. Tudo o que temos para afugentar as sombras, pelo menos ao nosso redor, é a nossa flama, nossa centelha divina, é isso que nós devemos cultivar, aumentar sua intensidade na medida em que for possível e conserva-la pura pois ela é nossa essência.

Muitos tem essa flama muito fraca, somente um pontinho bruxuleante nas trevas, outros a tem de de cor diversa da original, corrompendo-a, outros a mantém forte por meios artificiais e uma vez que esses meios desaparecem elas se extinguem. E outros que já tiveram sua chama extinta se congregam ao redor daqueles que mantém sua própria fortes, como mariposas atraídas para a luz.

Mas a maioria de nós mantemos nossa flama natural, e tão intensa quanto podemos, e incorrupta. As vezes, ao longe, nesse tétrico deserto vemos uma flama parecida com a nossa, e caminhamos em direção a ela, e ao se ter contato, e se essa flama é da mesma natureza que a nossa e não a perverte ou a deteriora, então a consubstanciamos com essa outra, e dois se tornam um só.

Mas se fores requisitado a caminhar só, e nenhuma outra flama for igual a tua. Por todos os meios, caminhe só, e não busques flamas diferentes, e não corrompa tua natureza, pois essa viagem na escuridão é breve, e se a fizeres de modo correto e justo, tua centelha voltará ao mar infinito de luz de onde ela saiu e com essa plenitude, tornar-te-ás uno e eterno.

domingo, 6 de maio de 2018

A tecnologia é um miasma

A tecnologia é um miasma que se alastra por nossas vidas e suga nossa alma num vórtice de frivolidade e hedonismo. Numa busca por aprovação social esquecemo-nos de quem nós somos e nos pervertemos, ou talvez saibamos quem somos mas simplesmente não achamos que valha pena ser nós mesmos, assim obliterando nossa personalidade pelo gosto comum da era moderna.

E assim os piores denominadores comuns se estabelecem na cultura, vulgaridade, obscenidade, podridão cultural, tudo o que seja mais cômodo e fácil para o seu entretenimento rápido, escapista. 

Que ditador, que tirano jamais sonhou em ter acesso aos recantos mais profundos das mentes de seus súditos e poder implantar ideias lá, semear intuições, sugerir valores... 

Esse é o exato poder das redes sociais, e ainda assim nós nos acorrentamos a esses grilhões com sorrisos largos, na esperança de podermos mostrar nosso valor ao mundo e como somos especiais, quando na verdade é próprio o contrário e nada há de mais descartável que nossa opinião de massa manufaturada por barões do vale do silício nesse século XXI.

domingo, 29 de abril de 2018

Falácias

Penso que a essência de um bom debatedor, é o respeito a lógica, a coerência e a coesão. E um conhecimento que deve estar sempre a posto, para ser usado, é o das falácias, conhecer as variedades de falácias é fundamental para não ser sugado num vórtice de erro, e também não deixar fatores humanos, como a própria ansiedade, atrapalhar, bloquear ou desvirtuar o fluxo de seus pensamentos.

O debate, assim como uma luta corporal, se faz por virtude, no caso, a coragem e fé no que endossas, tanto quanto por conhecimento técnico, não se vence uma luta de jiu jitsu sem conhecimento técnico da arte, o debate de ideias é o mesmo, é necessário que se domine a técnica, tanto quanto se tenha a coragem de se apresentar à porfia, um sem o outro é uma garantia de fracasso.

segunda-feira, 20 de março de 2017

A disciplina é sagrada

A disciplina é sagrada, é ela que te faz um bom homem, um homem que pratica boas ações. Uma boa rotina produz um homem bom, tu deves alimentá-la com o fogo do teu ardor, tua fé, é muito fácil descair nas trevas do niilismo, depor as armas contra o destino, e sucumbir na luta eterna que ocorre dentro de nós.

Não te livres dessas agruras pois elas te purificam da vaidade e trivialidade do mundo, em nossa época corrompida em seu fulcro, a disciplina e prática ascética são como a chuva que lava essa sujeira de sua alma.

A solitude pode desorientar um homem se não conduzida por caminhos retos e sábios, se assim for, ela o eleva, muito mais alto que a plebe e massa vulgar materialista, eleva-o aos picos e abismos onde somente a grandeza pode coexistir. Uma solitude assim é sagrada, e deve ser mantida. Essa é a ascese da honra e iluminação.

domingo, 12 de março de 2017

Eu vivo em tempos decisivos

Texto escrito em 12/10/2016

Eu vivo em tempos decisivos. Para o mundo, para o espírito dos tempos, ao que se resumem as eleições americanas, onde poderemos ver uma renascimento do nacionalismo, ou o fim das identidades nacionais e decaimento completo do ocidente.

Isso não deveria me afetar porém, isso eu não posso controlar, o que eu posso controlar são minhas motivações, virtudes, desejos, honra. Não coisas externas, materiais, a vontade de outras pessoas. Ainda assim tudo isso é tão excitante, estar assim a beira do abismo, eu gostaria também de participar desse ativismo nos EUA, lutar por essa causa, mas ao destino soeu eu ter nascido bem longe. Mesmo assistir como terceiro é excitante.

Não devo me esquecer que essa batalha é aparente, a verdadeira batalha ocorre em mim, em como eu sucumbo ou não a vileza do mundo, e sujo meu espírito no monturo da desonra. Se eu me mantiver limpo, meu mundo interno estará limpo, portanto todas as coisas mesmo externas se revestirão dessa pureza. Eu não devo me excitar demais ou me abater com o resultado da política ou de coisas externas. 

Minha visão do que eu devo fazer para viver dignamente é clara, no fundo todos nós sabemos porque somos corruptos e como deixar de ser corruptos, na maior parte do tempo não fazemos porque é mais prazeroso continuar vivendo na sujeira do que se elevar e viver de acordo com a natureza.

Continuar

Estive a pensar em sustar minhas atividades nesse blogue, deveras durante o ano passado, dediquei-me, ainda que precariamente, as traduções. Mas meditei e cheguei a conclusão que não, já derramei muito do meu espírito nessas páginas para desistir agora, e em nenhum outro meio eu me expresso como aqui. Apesar de ser deserto.

Confesso, a interação social, ou falta dela me desmotiva, mas olhando para trás e analisando o principal motivo de eu criar esse blogue, escrever de mim à mim, não ter companheiros de viagem não seria um motivo sensato para eu fechar essa empreitada. Tudo isso, claro, em perspectiva de que outras redes sociais de compartilhamento de textos facilitam muito mais a participação dos usuários. Todavia deveras, sucumbir a essas veleidades seria um erro.

Essa solitude ao invés me permite contemplar, ser humilde, meditar em mim mesmo, me refrear, e silenciar o zumbido social que é a adicção da sociedade moderna, nesse ponto, esse blogue é meu espaço de meditação e transcendência, é meu deserto em que reflito nesses 40 dias eternos, a solitude solar, a destruição do ego voraz, e a ascensão ao caminho da virtude.

Essas reflexões são internalizadas, cinzeladas na alma, pelo silêncio e vazio sublime, onde meu verdadeiro eu pode irradiar-se e pervadir com sua benevolência todos recônditos da minha mente, que amiúde se descaminha em torrentes apaixonadas de sentimentos que não me enobrecem, nem me elevam, causadas pelo ego desfigurante.

Saúdo a ti, oh sagrada e pura solitude, faz-me transcender e elevar-me sobre mim mesmo.