sábado, 17 de abril de 2010

Da formação universal [Final]

Terceira fonte da fé na massa, da falta de fé no gênio. Goethe diz que, habitualmente, o gênio está em relação com seu tempo por meio de uma fraqueza. O contrário da crença universal de que o gênio deve as suas forças ao tempo e, por conseguinte, de que ele possui todas as suas fraquezas para si e por si. Há uma confusão muito comum nesse caso: um povo recebe em seus gênios o verdadeiro direito à existência, sua justificação; a massa não produz o indivíduo, ao contrário, ela se opõe a ele. A massa é um bloco de pedra difícil de talhar: é necessário um gigantesco trabalho por parte do indivíduo para fazer dela algo semelhante ao ser humano. A formação universal agora quase como dogma. Agora é preciso colocar-se na fila, já se foi o tempo dos grandes indivíduos. Agora é necessário apenas servir à massa, in specie servir a um partido. Objetivo da formação: compreender um partido e subordinar a própria vida a ele. Falou-se tanto em poesia popular etc. São sempre os grandes indivíduos que costumam ser esquecidos.

Friedrich Nietzsche, Sabedoria Para Depois de Amanhã, Inverno de 1870 - 71 - Outono de 1872

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Da formação universal [Parte 2]

A segunda fonte é o medo da repressão religiosa. Nisso reside o medo contraposto: uma desmundanização total por meio da religião, como se esta fosse a única satisfação possível da necessidade metafísica. Nisso reside o profundo instinto de que o cristianismo, em sua raíz, é hostil a toda cultura e, portanto, encontra-se necessariamente vinculado à barbárie.

Friedrich Nietzsche, Sabedoria Para Depois de Amanhã, Inverno de 1870 - 71 - Outono de 1872

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Noie Werte - Wir! (Official Music Video)

Da formação universal [Parte 1]

A formação universal é apenas um estágio prévio do comunismo: por esse caminho, a formação se enfraquece tanto que não pode conceder mais nenhum privilégio. Raramente é um remédio contra o comunismo. A formação mais universal, ou seja, a barbárie, é justamente o pressuposto do comunismo. A formação "de acordo com a época" transforma-se no extremo da formação " de acordo com o momento: isto é, a compreensão bruta da utilidade momentânea. Vê-se unicamente na formação aquilo que traz utilidade: desse modo, logo se confundirá aquilo que traz utilidade com a formação. A formação universal transforma-se em ódio a verdadeira formação. A cultura já não é mais a missão dos povos, mas o luxo, a moda. Não ter necessidades é, para o povo, a maior infelicidade, explicou certa vez Lassalle. Eis a razão para as associações para a formação dos trabalhadores, cuja tendência, como em várias ocasiões me foi descrito, é a de criar necessidades. Que se exponha ao economista nacional a parábola de Cristo, sobre o rico gastador e o pobre Lázaro, justamente ao contrário: o gastador ganha o regaço de Abrão. Portanto, a tendência para a maior universalização possível da formação tem sua fonte numa completa secularização, numa subordinação da formação, como meio, ao lucro, a felicidade terrena entendida cruamente.

Ampliação para dispor do maior número possível de funcionários inteligentes. Influência de Hegel.

Friedrich Nietzsche, Sabedoria Para Depois de Amanhã, Inverno de 1870 - 71 - Outono de 1872

Rap ateu



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domingo, 4 de abril de 2010

Da alma do artista moderno



Muitas são as simples minudências

Do escritor de modernas tendências

Esses seres que me aviltam,

Cantarei esses biltres, malgrado mo permitam


O sorriso amarelo, o simples jeitinho

Poetam sentimentos e coisas sem sentido

Dos “inhos” nojentos sempre mestres no escarninho

De emoções puras signo vil hão mantido


Essa raça inferior, vis celerados

Dominam tudo e dominam nada

Tudo, em qualquer lugar coalham e são encontrados

Nada, arte por eles é execrada


São todos tão humanos e sensíveis

Na falta de talento patente

No escrever são bastante sofríveis

Da literatura, não alcançam céu arquipotente


Mistura são de movimentos pífios

De belo não lhes restam nem resquícios

Realistas pútridos é o que são

Destarte não possuem nem o vão


Voam baixo como mosquitos

Da potência nunca alcançam a plenitude

Poesia de baixa magnitude

São da literatura os detritos


São publicados com certeza

Nestes tempos de degustada imundície

De intelectuais impõe-se grandeza

Não passam de mais fina ralé da tolice


Anárquicas revoluções de auto-expressão

Querem escapar eles a superpopulação

Não sendo mais um na multidão

Custando isso da arte a violação


São muito fracos por certo

Incultos e inférteis os quero por perto

Que contemplando a arte decadente

O poder da antiguidade sinto em mim vivente


05/07/2006