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sábado, 21 de julho de 2012

Vom Nutzen und Nachteil der Historie für das Leben

Tradicionalismo: embota os sentidos do homem, estiola a vida mesma, muito embora provê raízes ao homem e um senso de pertencimento, sacraliza o passado seja ele bom ou não, e conserva por vezes coisas ou valores que não deveriam ser conservados, pontualmente. Tem sua utilidade, porém não deve dominar a sociedade.

Monumentalismo: Alimenta grandes almas e suas visões, num período de ostracismo, desespero ou cultura artificial, porém ao inflamar o homem e suas visões contra o mundo ou época, cega-o perante as circunstâncias e os métodos de sua situação hodierna, tenta-se recriar as causas para dar azo aos mesmos efeitos de outrora, reviver esses 'efeitos' artificialmente.

História Crítica: Libera o homem do jugo do passado 'ruim', porém libera-o do 'bom' passado outrossim, ata-o a seus contemporâneos, torna-o vil e injusto com a história, julgando o passado em função do presente, julgam... como se para isso tivessem autoridade... essa suposta 'objetividade' e 'frieza' com as quais se obrigam os historiadores modernos, esses operários coletores de documentos que não entendem e não podem entender o que estudam pois não está em sua natureza entender os feitos cometidos por homens de natureza diversa e especial.

A história não existe, existe sim um caos de circunstâncias, e motivos diversos brotados nos corações dos homens, completamente obscuros, mormente aleatórios e movimentados por quaisquer circunstâncias, não nos é permitido desvendar tais motivos por documentos.

A história não existe o que existe é um encadeamento de fatos projetados na realidade por motivos diversos incognitos, esse encadeamento é engendrado na cabeça dos historiógrafos, que assim pretender dar um caráter linear e coerente a história, o 'sentido histórico'.

Não existem leis históricas, essas leis se aplicam apenas as massas e as camadas inferiores da humanidade, são leis movidas a fome e ignorância. O homem excelente escapa a essas leis.

Não existe processo universal ou qualquer sentido histórico, esses conceitos absorvidos e operantes no hegelianismo. Um homem abandonar-se ao processo histórico universal significa rejeitar sua condição mesma humana volitiva e potente, ele se reduziria a ser parte da massa, um animal domesticado, eis o porque o entendimento histórico "científico" hegeliano-marxista é promovido nas universidades do mundo pelos Estados em detrimento de outros entendimentos.

O Estado é um meio, uma ferramenta, o homem não existe em função do meio, e sim o inverso.

Deus não existe... Ou existe? Provavelmente sim, porém a volição divina reduz-se as suas leis naturais(matemática, física), um Deus que não quer muito mais que essas leis e que não opera, não merece ser posto na equação das considerações hodiernas, o trabalho dele está feito, ele não nos concerne mais... A não ser artisticamente.

A questão niilista "para quê?" revela a mentalidade servil daqueles que necessitam de um mestre, orfãos de um poder. Responde-se isso com a Vontade Suprema inata. Não há nada atrás do homem, nada a frente, o sentido de si mesmo está em sua carne, sangue, ossos, cérebro e vontade, o sentido do homem é outorgado de si a si, nada mais.

Não há causa final, se houvesse já teria sido alcançada, o que existe é o infinito, in regressus e progressus, no infinito tudo aconteceu e voltará a acontecer, eternamente.

A história não existe. A utilidade da história para a vida transmuta-se apenas pela arte, a história torna-se então um modo de afirmação da vida. O viver supra-histórico, sem a arte, a história tem muito pouco valor para o homem.

Somente porque a massa adotou uma idéia ou religião durante muito tempo isso não depõe a favor do seu criador, pelo contrário.

O super-homem já surgiu em várias partes do globo, em diversas épocas, em diversas culturas. Célere como o raio, porém o trovão das suas gestas ainda ecoa.

O super-homem é desejável.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Da tradição olvidada

Toda a gente anda cansada de gritar, pelo livro e pelas gazetas, que somos um povo sem amor a tradição. A grita é justa. No capítulo dos costumes, notadamente, tem sido integral a nossa desnacionalização. Os usos primevos dos nossos maiores, desses que nasceram com a nação, se esboroaram definitivamente com o volver dos anos.

E é pena. Muito velho costume, velho e pitoresco, abandonamos sem justificativa que abone. Querem ver? Aponto aqui, como exemplo, aquele respeitável hábito das mais autênticas mulheres brasileiras, as tapuias, que, segundo o grave testemunho do padre João Daniel, "ainda que os maridos lhes dêm má vida ou as môam de pancadaria, nunca se queixam as mulheres, nem fogem. Antes, algumas vezes que se lhes perguntam porque se deixam tratar assim, respondem que simplesmente seus maridos lhes dão e as maltratam por lhe quererem muito bem..."  Não quero, está claro, pretender que nós, por um conservantismo feroz, cheguemos a ponto de manter um uso como esse, que embora eu, pessoalmente, o repute de grande alcance, muito útil e louvável, seria talvez, no conceito avançado de algum espírito moderno, tido como evidentemente retardatário.

Eu não digo, vá lá, que um marido amoroso, a fim de bem evidenciar o seu afeto, viva a moer a mulher de pancadaria. Não. Há outros usos muito mais proveitosos, e inconfundivelmente raciais, que deveríamos caprichar em conservar. Um, sobretudo, um hábito saboroso de nossas avós, todo feito de poesia e sacrifício, eu não me conformo de terem as brasileiras lançado ao olvido. Devíamos pugnar por vivificá-lo. Sim, devíamos, neste momento de nacionalismos vermelhos, pugnar por desentulhar do esquecimento, praticando-a à luz do sol, aquela doce usança pátria, de que nos dá conta, deliciosamente, na sua "Viagem á Terra do Brasil", o fidedigno Gabriel Soares, quando refere que as tupinambás, nossas ancestrais, criaturas brandas de coração, não suportavam jamais ver os maridos tristes e enfadados. Doía-lhes imenso a melancolia dos esposos. Doía-lhes tanto, que, "para os contentarem, buscam-lhes indias moças com que elles se desenfadem, as quaes lhes levam às redes onde dormem, pedem muito que se queiram deitar com os maridos, e as peitam para isso. É cousa que não faz nenhuma nação de gentes, senão estes barbaros".

Porque haveremos nós de deixar perecer uso assim tão característico? É ele, como se vê, um dos mais típicos de que se pode gabar um povo. É único. "É cousa que não faz nenhuma nação de gentes". Nós, que importamos, com macaquices assinaladas, tudo o que cheira além-mar, nós temos em casa, prata nossa e legítima, essa sedutora usança racial, bem brasileira, que os outros não têm. É dever nosso, portanto, dever cívico, não deixá-la morrer.

Às vezes, como consolo, esse velho uso - notai o que é a hereditariedade! - ainda aflora, inconscientemente, em algumas almas bem formadas. É raro, mas acontece.

Paulo Setúbal, O Ouro de Cuiabá, A Veluda, Editora Nacional, Pgs. 165,166,167.