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domingo, 21 de agosto de 2011

Samurai



Sento solamente noia
Sinto apenas tédio
Quando vivo la realtà
Quando vivo a realidade
Sento l’odio sulla pelle
Sinto o ódio sobre a pele
quando guardo la città
Quando olho a cidade


Mentre osservo i suoi palazzi,
Enquanto observo os seus palácios
Le sue inutili vetrine
Suas inúteis vitrines
Mi riscopro innamorato
Redescubro-me enamorado
Delle squallide rovine
Das esquálidas ruínas

Quanto vile conformismo
Quanto infame conformismo
C’è nella democrazia
Existe na democracia
Quanta sete di potere,
Quanta sede de poder,
Servilismo, ipocrisia
Servilismo, hipocrisia

Ora siamo giunti a un bivio
Agora estamos ante uma bifurcação
E di fronte due sentieri
Em frente a dois caminhos
Si può vivere da schiavi
Pode-se viver como escravo
O morire da guerrieri
Ou morrer como guerreiro

Ora osserva la mia spada
Agora observa a minha espada
Che punta verso il sole
Apontada ao sol
Ascolta nel silenzio
Escuta no silêncio
Le mie ultime parole
As minhas últimas palavras

....
....
Ed allora tu vedrai
E agora tu verás
Bruciare ancora il fuoco
Ainda queimar o fogo
di antichi samurai
dos antigos samurais.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ócios e ociosidade

Existe uma selvageria própria de pele-vermelha, portanto, particular ao sangue índio, na maneira como os americanos aspiram ao ouro; e o seu frenesi no trabalho – o verdadeiro vício do Novo Mundo- começa já a barbarizar, por contágio a velha Europa, dizimando uma estranha ausência de espírito.
Tem-se agora vergonha do descanso; quase se experimentaria um remorso com a reflexão mais demorada. Pensa-se de relógio na mão, mesmo quando se está a almoçar, com um olho no correio da bolsa; vive-se permanentemente como alguém que tem medo de “perder” alguma coisa. “Mais vale agir do que não fazer nada”, eis ainda um desses princípios de carregar pela boca que correm o risco de vibrar o golpe de misericórdia a qualquer cultura, e qualquer gosto superior.
Este frenesi no trabalho dobra os afiados de todos os modos; pior, enterra o próprio sentimento desta forma, o senso melódico do movimento; as pessoas tornam-se cegas e surdas a todas as suas harmonias. A prova está na pesada precisão que se exige agora em todas as situações em que o homem quer estar honestamente diante do seu semelhante, nas suas relações com amigos, mulheres, pais, filhos, patrões, alunos, guias e príncipes; tem-se falta de tempo, tem-se falta de força para consagrar à cerimônia, os meneios da cortesia, o espírito da conversa, e o ócio de uma maneira geral.
Uma vez que a vida, tornada caça ao lucro, obriga o espírito a esgotar-se sem repouso no jogo de dissimular, de iludir, ou de prevenir o adversário; a verdadeira virtude consiste agora em fazer uma coisa mais depressa do que um outro. Dessa forma, só em raras horas é que as pessoas se podem permitir ser sinceras: e nessas horas, está-se tão cansado que se aspira não somente a “deixar correr” mas a estender-se pesadamente a deitar-se.
É esta inclinação que dá o tom da correspondência agora; e o estilo e o espírito das castas, serão sempre o verdadeiro “sinal do tempo”. Se ainda se encontra prazer na sociedade e nas artes, é um prazer do gênero daqueles que podem encontrar os escravos mortos de trabalho. Oh! Como alegram-se por pouca coisa essa gente do momento, com ou sem cultura, como é modesta nas suas “alegrias”! Que vergonha a suspeita que atraem, cada vez mais severamente, sobre si! Todos os dias o trabalho domina mais e mais a consciência em seu proveito: o gosto da alegria chama-se já “necessidade de descanso”; começa a corar de si próprio. “temos de fazer isto em função da saúde”, diz-se às pessoas que vos surpreendem em uma volta pelo campo.
Neste ritmo as coisas poderão ir, rapidamente, tão longe que não se ousará mais ceder, sem desprezo por si próprio e sem experimentar remorso ao gosto pela vida contemplativa, ao desejo de passear em companhia de pensamentos e de amigos. Pois, antigamente, a maneira era inversa: era o trabalho que sofria de má consciência.
Um homem bem nascido escondia o seu trabalho, se necessidade o constrangia a fazer um. O escravo trabalhava esmagado pelo sentimento de fazer alguma coisa desprezível: “fazer” já o era por si só desprezível. “Somente há nobreza e honra no otium (ócio) e no bellum (guerra)”, assim falava o preconceito antigo!

NIETZSCHE, F. Gaia Ciência. São Paulo: Martin Claret, 2004, p. 168-169.

domingo, 14 de agosto de 2011

Atitude filosófica

"Nós vivemos na era das desculpas" ~ Boyd Rice

Calor do idealismo, Valores graníticos.

A verdade é que sempre identifiquei-me com o passado e meus anseios sempre foram o de ter nascido em épocas de antanho, por várias razões, sendo os valores a principal.

Consigo ver o homem antigo como menos materialista, ganancioso, indulgente com os prazeres sensuais e imoderado, vai em minha alma, qualquer coisa símil ao espírito desses homens, e quando confronto-me com a dura realidade do presente degenerado, fraco, entregue à mais sórdida das sortes, meu desejo mais profundo seria retroceder no tempo.

Eis onde a filosofia age, para salvar-me de uma existência fútil e vulgar, pervadida de um pessimismo tolo, desconstruidor, que faria-me naufragar em um oceano de lamentações e fracassos.

A filosofia proscreve tudo quanto é contrário à razão, o desejo de mudar o imutável é plenamente ilógico, eis o porque a maioria dos filósofos julga insensatez sentir remorso por exemplo, o ato de se remoer aquilo que já é passado, não faz sentido algum do ponto de vista racional, no meu caso seria a inconformidade com o mundo moderno, e tal qual o remorso, o meu aborrecimento em ter nascido na época em que nasci, é uma estultícia completa.

E o conformismo é outro sintoma da modernidade que eu paradoxalmente caí, as pessoas não querem assumir responsabilidades por suas falhas, quando elas acontecem essas pessoas sempre tratam de arrumar um culpado para se eximirem de sua ignomínia, seja ele Deus, a natureza, a sociedade, o sistema, e qualquer outro culpado que esteja ao alcance.

Há um paradigma miserável de raciocínio que se erigiu na maioria das pessoas hoje, elas agem já com qualquer escusa em mente, mesmo antes de começar a ação, e se eventualmente essa ação vier a falhar essas pessoas tem seus alvos prontos a quem outorgar a culpa.

A verdade é que esse é um modo de pensar de fracos, e que essas pessoas ao jogar sua responsabilidade pelo fracasso em alguém ou algo tentam apenas dissimular seus próprios defeitos, são pessoas desorganizadas, viciosas, indulgentes consigo mesmas, indisciplinadas, desvirtuadas. E não querendo reconhecer a própria mediocridade, tratam logo de lançar a culpa sobre um outro fator caso suas vidas se tornem um fracasso.

Isso é o que me previne de sair vociferando contra minha condição, e de lamentar meu destino, o correto é sempre buscarmos construir o que nós achamos belo, e nos definirmos por aquilo que somos a favor e não contra, ao invés de tentar destruir o que se odeia, é sempre melhor tentar construir o mundo que amamos.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Reminiscências


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"In the world I see - you are stalking elk through the damp canyon forests around the ruins of Rockefeller Center. You'll wear leather clothes that will last you the rest of your life. You'll climb the wrist-thick kudzu vines that wrap the Sears Tower. And when you look down, you'll see tiny figures pounding corn, laying strips of venison on the empty car pool lane of some abandoned superhighway." ~ Tyler Durden

Quadrinhos: Space Avalanche

sexta-feira, 18 de março de 2011

Da mulher Normanda




...Quero falar dessa carne luminosa de rosas fundidas e tornadas fruto sobre faces virginais, dessa pérola de frescura das mulheres Normandas, junto à qual o mais raro nácar das ostras de seus rochedos parece falho de transparência e de umidade. Nessa época, os cuidados da vida ativa, as preocupações do dia a dia deviam ter extinguido no rosto de Jeanne essa tonalidade de lágrimas da Aurora transformando-a num tom mais humano, mais digno da terra de onde saímos e aonde não tardaremos em voltar: o tom melancólico da laranja, pálida e emurchecida. Grandes e regulares, as feições da senhora Hardouey tinham conservado a nobreza que perdera pelo casamento. Estavam apenas um pouco bronzeadas pelo sol e pelo vento, e salpicadas desses grãos de cevada, saborosos e ásperos, que de resto tão bem ficam ao rosto de uma camponesa. A centenária condessa Jacquilene de Montsurvent, que a conheceu, e cujo nome aparecerá muitas vezes nestas Crônicas do Oeste, contou-me que era sobretudo nos olhos de Jeanne-Madelaine que se reconhecia a Feuardent. Por qualquer outro traço, seria possível confundir a mulher de Thomas Le Hardouey com as camponesas dos arredores, com essas magníficas mães de soldados que deram ao Império os seus mais belos regimentos, mas pelos olhos não! Não havia engano possível. Jeanne tinha os olhos de falcão da sua raça paterna, as grandes pupilas de um azul índigo, carregado, escuro como as profundezas mais recônditas do pensamento, e que eram tão características dos Feuardent como os esmaltados do seu brasão. Não há como as mulheres ou os artistas para reparar nestes pormenores. Naturalmente, tinham escapado a mestre Louis Tainnebouy, como muitas outras coisas, de resto, quando me contou a história que mais tarde completei, naquela charneca de Lessay onde nos encontramos. Ele, o meu rústico criador de gado, julgava um pouco as mulheres como julgava as bezerras do seu rebanho, como os pastores romanos deviam julgar as Sabinas que tomavam nos seus braços nervosos; só vira nela os sinais de força e as aptidões da saúde. Com a sua estatura média, mas harmoniosa, as suas ancas e seios proeminentes, como todas as suas compatriotas cujo destino é serem mães, se Jeanne não parecera a mestre Tainnebouy uma mulher bela, impressionara-o ao menos como sendo uma bela mulher.

Por isso, quando me falou dela e se bem que Jeanne tivesse morrido já havia vários anos, o seu entusiasmo de boieiro Normando exaltou-se e atingiu vibrações soberbas.

— Ah! senhor — dizia-me, batendo com o cajado de freixo nas pedras do caminho — era um belo pedaço de mulher! Era preciso vê-la a regressar do mercado de Coutances, no seu cavalo baio, um cavalo inteiro, violento como a pólvora, e sozinha por minha fé! Como um homem, levando na mão o seu chicote de couro negro, de punho envolto em seda vermelha, com o seu corpete de pano azul e a saia de amazona aberta de lado e presa por uma fiada de botões de prata! Arrancava chispas ao pavimento, senhor! Não havia em todo o Contentin uma mulher que se lhe pudesse comparar!

D'AUREVILLY, Barbey, Enfeitiçada, Capítulo V, página 83.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Amor é aristocrático



"Dante meets Beatrice at Ponte Santa Trinita" ~ Henry Holiday, 1883

O amor é aristocrático, não encontrá-lo-ás em qualquer esquina, e o fato dele estar na boca dessas almas vãs é um insulto mesmo a ordem divina que transmuta-se em ordem natural no nosso efêmero plano de existência.

O amor em nosso espírito nada mais é que o sopro celestial dos Deuses ciciando em nossas orelhas o comando marcial que seguimos docilmente, imperativos desse tirano que mormente nos arrasta em seus arroubos.

Arroubos que ribombam o troar magnífico de todas as potências ocultas ao homem. D'outro modo, como se inteligiriam esses clarões que por vezes fulguram nos atos dos homens, atos de heroísmo, superação, ou simples eterna resiliência. Que aproxima o homem dos Deuses.

O amor é aristocrático, grassa nos corações jovens, sua forma mais pura, o amor além da decadência de nossos corpos mortais, além da imortalidade, além da eternidade, para muito mais além da existência banal da maioria da humanidade vil... da fornicação vulgar dos torpes.

E como explicar essa magnificência espiritual que se denomina amor? Magia, divindade, providência, capricho da natureza, alguma combinação química efetuada em nossos cérebros pelo mero acaso? Que me importa já? Sua existência é indelével, inexpugnável da alma humana. Se é nobre, ama.

Dante Alighieri sentia em si o arrebatamento febril tão intenso, que isso lhe causava tristes pesadelos, mas belíssimos sonhos outrossim, tão virulento foi o assalto amoroso, que em extâse catártico, imortalizou o objeto de suas doces tenções, em duas obras magnas da literatura mundial.

A honra e o amor, entrelaçados, sempre juntos, inerentes perante a natureza, epítome erigida pelos Deuses, um culto a vida... Se tu soubesses o que inspiras em meu peito...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Controller



Invano serve all'uomo piangere sulla realtà
É em vão para o homem, chorar por sua realidade,
Invano serve all'uomo arrendersi alle ostilità
É em vão para o homem, render-se a hostilidade,

Io ho il mio controllo!
Eu tenho o meu controle!
Io ho il mio controllo!
Io ho il mio controllo!

Riflesso sul Metallo!
Refletido no metal!

Io ho il mio controllo!
Io ho il mio controllo!
Io ho il mio controllo!

Mentre tu rimani in Stallo!
Enquanto você permanece estagnado!

Controller I'v got my mission !

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Aqui [2]

Todo esse vento puro que sopra em minha alma, inoculando vigor em meus membros cansados, essa vontade de liberdade que me instiga as últimas conseqüências, põe-me a andar nessas sendas, nos caminhos pelos vicejantes vales, onde encontro-me em cada seixo, cada filete d'água, no chilreio das aves, nas flores do cerrado, nos troncos tortuosos, minha alma reside nessas trilhas, estas terras e eu, somos um.

O sol outorga-me suas bençãos nessas viagens lançando sobre mim seus cálidos feixes por entre as nuvens auri-róseas do arrebol, nessas horas místicas do renascimento do mundo após as trevas noturnas, Deus se achega aos homens, e sussurra em suas almas palavras obscuras, decifráveis apenas pelos códigos da natureza, que os homens tolamente obliteram pela superficialidade do mundo técnico moderno, os homens não mais ouvem suas próprias almas.

Contemplando essa imensidão, parece-me, não sei ao certo, que consigo já ouvir os vagalhões do oceano que aqui existira, troar rebentando contra essas muralhas rubras, cinzelando essas pétreas formas artísticas que a providência aprouve perfazer. Sim, minha mente também rola pelas superfícies desse oceano fantasma como uma potente vaga! Milhões de anos nos apartam, ainda assim me sinto embebido nas vastidões deste monstro onde em espírito decidi-me imergir.

As forças que irradiam dessa terra vermelha pervadem meu ser, confluindo-se nessa força irresistível, que atrai-me, possui-me, e preso nessas espirais ascendentes, cedo meu destino a essas montanhas invencíveis, que se elevam e se impõe soberbas e altaneiras, pois também eu sou uma delas, porque nós somos um.

sábado, 6 de novembro de 2010

Aqui



(clique na imagem)

Que atmosfera feérica, nessas florestas tudo parece belo, o ar puro em contato com meus pulmões outorga-me o prazer da simbiose com o espírito da terra, inundando meu ser de leveza, de saúde e bondade.


Esses paredões escarlate, pelos quais os ventos alegremente dançam numa sinfonia de maviosos acordes, esses paredões resguardam minha alma, da destruição, do ódio, das razzias provocadas pelas hordas sem face, uniformes em sua marcha tétrica em direção a morte. Aqui meu espírito regozija-se ao sabor das variegadas multitudes de cores que pululam em cada ser vivo. Esse baluarte da vida, desde sempre essas muralhas da natureza que se elevam ao infinito, as máculas, dores, desonra, medos, tudo desvanece nessas paragens onde o amor irrora em cada átomo desse lugar, mil vezes abençoado pelos Deuses.

Aqui, respirando as nuvens, descaio nos mais doces devaneios, na miríade de visões celestiais que se descortinam nessas rochas, e minha alma se despe de todo constrangimento, todo peso desnecessário, nessas altitudes, nessas muralhas invencíveis, pela eternidade, o mundo se arrasta perante mim, e me encontro no puro fluxo do pequeno riacho, no vigor das florestas, no cantarolar dos pássaros, tudo é belo, na policromia desse sonho, a maldição é quebrada...

domingo, 24 de outubro de 2010

Pelos ermos da vastidão...





"Autumn Evening" ~ Franz Von Stuck

Pelos ermos da vastidão,
Onde a luz já morreu,
A calma noite e fria escuridão,
enchem a floresta de breu.

No silêncio mortal,
O guerreiro erra pelos campos,
Na mão, espada letal,
Que leva morte a tetros antros.

Alquebrado pelas vagas da infâmia,
O guerreiro lança-se a solitude,
Revolvido nos vórtices da insânia,
Definhado a decrepitude.

Imerso nos raios argênteos
Que a gélida lua despende,
Enregelado nos mares plúmbeos,
Da morte preeminente.

Evolando-se nas glórias de outrora,
Lamentando o infame "agora",
Que infecta seu espírito
Da modernidade o ignóbil rito.

No negror dos tempos modernos,
conspurcado em igualitários infernos,
Em um mundo não mais seu,
Onde a luz da tradição escureceu.

O guerreiro avança solitário,
Em seu imperium internum imiscuído,
Das virtudes no espiritual relicário,
Porta com o desvelo devido.

Cavalga face a obliteração,
Mantém-se fiel a seu coração,
Que na desonra das cidades viver,
Melhor nessas florestas, pela espada desvanecer...

Tenaglia