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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Retifique suas palavras

Considere seu vocabulário, como isso afeta seu modo de pensar. Isso pode parecer críptico mas palavras carregam poder, senão poder físico, psicológico. Como pequenas incisões de energia na sua mente, pense de modo negativo por tempo suficiente e tua mentalidade se tornará negativa.

O mesmo se dá num plano estrutural maior, as palavra com as quais tu expressas pensamentos, mesmo teu dialogo interno, que é o que importa, qual a qualidade das tuas palavras? Qual a energia delas, a essência, o âmago? Tendem elas a que fim metafísico?

Supondo que um homem pensasse e falasse majoritariamente em jargão técnico de engenharia, poderia ele encerrar alguma poesia em suas palavras? Haveria beleza? Certamente não, se houvesse seria muito pouca, essas palavras porém o orientariam a um entendimento mais claro de sua ciência, a estrutura de seus pensamentos tenderia a se organizar de modo científico e distinto.

Não podemos supor o mesmo para o homem que fala de modo vulgar? Seus pensamentos se tornarão vulgares como reflexo do meio pelo qual os expressa. Não há beleza na linguagem vulgar, apesar dela ser mais fácil de transmitir um pensamento. Esse pensamento é rebaixado, como se um pintor usasse apenas tintas e pinceis de péssima qualidade em sua tela, por mais que ele fosse hábil ela não ficaria tão bela quanto se ele usasse materiais dignos de sua habilidade.

Com o tempo nossos pensamentos se igualam à qualidade de nossas palavras, e falando vulgarmente nossos pensamentos se tornam vulgares, fracos. A beleza revigora o espírito, buscando palavras belas, profundas, fortes, antigas. Assim distinguimos nossa verdadeira natureza da sujeira que é a vulgaridade, limpamos nossa mente daquilo que não é digno de nós. A beleza então pervade com mais facilidade todas as camadas de nossa psique.

Em verdade, falar de modo nobre é como aprender uma língua nova, infundir a nobreza em si através do idioma, um idioma belo, que não deveríamos jogar na lama sendo vulgares.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Se tu és um homem saudável, tens o dever de preservar-te

Se tu és um homem saudável, tens o dever de preservar-te, a saúde enquanto pode-se desfrutá-la é uma dádiva dos céus, e é muito trágico ver pessoas trilhando o caminho da autodestruição hedonista, algo que nossa sociedade incentiva.

Fomos feitos para florestas agrestes, planícies infinitas sob firmamentos desabridos, o ar transcendente da montanha e a doce maresia das benévolas praias de nossa terra.

O contato com a natureza nos banha nas leis sempiternas às quais todos estamos submetidos na condição de mortais, nos lembra que nossa vida acabará em breve, mas ao mesmo tempo nos incita à vida verdadeira, queimar a nossa vida com a flama da vontade, imprimindo no mundo por pouco que seja a realização de nosso verdadeiro Eu. A verdadeira alma.

Como Nietzsche dissera; escrever o poema de nossa vida com sangue. Ou seja, a entrega total a própria natureza, o sangue como símbolo da individualidade perfeita e essência do homem, o fluído vital, um sangue forte que se inflama nas veias e traz ação ao mundo, traz o verdadeiro espírito do homem à luz da terra. O símbolo da unidade de seu ser.

A dissolução é o contrário, é o símbolo máximo da nossa era, a dissolução contra a qual devemos lutar, quando perdemos nossa essência, quem realmente somos, nossa visão embaciada pelos confortos e distrações, o sangue se torna aguado, a vontade se dissipa, a verdadeira natureza obliterada.

O conforto como arma de dissuasão. Tudo que o sistema oferece em profusão, entretenimento eterno. O homem se entretém não só das suas preocupações, ao buscar isso, ele se entretém de si mesmo, a mente estando nessa situação precária de torpor espiritual, revolta-se, e assim constatamos as altas taxas de doenças mentais no mundo moderno, suicídios... Não são doenças em si, mas sintomas, um modo da mente dizer "homem, abandona esse estilo de vida doentio, sê fiel a ti mesmo".

A dissolução da verdadeira natureza, do Eu, é a arma pela qual a cultura moderna desarma o espírito do homem, e o integra a massa conforme. 

À lúrida sedução dos vícios e confortos modernos, a esse canto nefasto das sirenes, ao qual Odisseu tivera de se amarrar no mastro de seu navio para não ceder, isso também um símbolo. À mórbida dissolução através do prazer, poucos homens tem a hombridade de resistir. Seja um daqueles que escreve a vida com seu próprio sangue, a morte não parecerá mais tenebrosa.


segunda-feira, 12 de outubro de 2020

O deserto

Jesus errou pelo deserto 40 dias, essa austeridade a vemos comumente praticada pelos sábios e ascetas ao longo da história. Antão, Milarepa, Gautama, Bodidarma, entre outros.

E não há melhor meio de purificar-se, enfrentar o próprio reflexo, higienizar-se mentalmente, do que retornar a natureza, estar na profunda solitude, nas brenhas eternas onde nossos ancestrais passavam inevitavelmente horas em contemplação ativa. Com a mente focada, una. O passo de seu ritmo mental era vagaroso, seletivo, e permanecia por horas a fio na resolução de um problema, ou no estudo da própria alma.

Os demônios que se levantam da escuridão de nosso inconsciente. Nos ermos eles não tem poder. Nas vastidão agreste onde estamos sós em contemplação, os demônios vem nos tentar, como tentaram Jesus e os outros. Mas estando sós, sem distrações, em contemplação, adquirimos o poder de derrotá-los, pois na vastidão nada há além de nós, nossa alma impoluta, e Deus. Os demônios perdem seu poder, e o homem consegue enxergar a natureza ilusória de seu poder mais claramente.

Como Siegfried ao derrotar o dragão Fafnir, o homem que derrota seu ego retoma o controle de sua mente e torna-se invulnerável às vicissitudes do mundo, impérvio aos assaltos das ilusões da consciência, assim como Siegfried tornara sua pele invulnerável ao banhar-se no sangue do dragão.

Mais facilmente nos ermos enfrentamos nossos dragões, por horrorosos que possam ser, são ilusões sem poder, se os vermos através dos olhos de nossa alma, nosso verdadeiro Eu, despido das cracas dos vícios e pecados que se acumularam pelos anos, veremos que nosso espírito se agiganta perante todas as ilusões e as destrói, se por ele passamos a viver e agir.

Deus está conosco, se escolhermos a virtude.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Experiências



Em nosso mundo moderno, variadas são as garras que podem escravizar a alma do homem jovem, escapismos propostos pela sociedade como normais e aceitáveis, íncubos tecnológicos, pestilências técnicas que devoram seu espírito e toda sua energia vital.

Redes sociais, pornografia, jogos eletrônicos, criam uma teia fatal em sua vida, em que eventualmente escapar dela será uma impossibilidade. A tecnologia como fim é uma erro, que obsta que o homem possa viver sua vida como a natureza o ordenou, a campo aberto, entre as montanhas, com a pele dourada pelo sol do meio dia, e as roupas sazonadas pelo ventos cortantes ou acalentadores.

Ao invés, o contrário é o que acontece, enclausurados em quartos de concreto, enredados numa vida em que um dia é sempre igual ao outro, vivendo suas vidas através de uma tela, com falsos amigos, falsas sensações, falsas relações, ou até não diria falsas, mas imaginárias. Assim o homem apodrece, incapaz de experimentar a vida em sua tumultuosa variedade ilógica, artística, de beleza multicolor, e intensidade muscular e esportiva.

Não anda de cabeça erguida, teme o sol, teme andar a campo aberto, teme a ausência de conforto e segurança, teme abandonar o simulacro de vida que fizera para si mesmo. Ignorante que essa mesma segurança e confortos são farsas insustentáveis que eventualmente hão de ruir.

Uma vida plena é vivida no mundo real, com dores reais, prazeres reais, sentimentos reais, tudo mais é ilusão, especialmente esse embaraço tecnológico em que nos enleiam as grandes corporações, não se pode chamar um homem de amigo sem tem olhado a honestidade nos olhos dele, sem ter apertado sua mão ou ouvido a sinceridade em sua voz.

Somente assim se constrói uma tribo, uma irmandade, verdadeiras relações. A natureza social do homem é uma realidade inexorável, que não pode ser suprimida ou desviada, os homens foram feitos uns para os outros já diziam todos os axiomas das grandes filosofias não subvertidas ou degeneradas. 

E assim deve ser, na natureza o lobo sem sua alcateia, morre de fome ou exposto, assim são os homens e é preciso seguir essa lei, por mais difícil que seja hoje em dia, encontrar homens com natureza semelhante a nossa a quem possamos chamar amigos.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Como lágrimas na chuva



Nós não podemos como terceiros ou seres estranhos avaliar o quanto as experiências de vida valem para cada indivíduo. Não somente as que acontecem no mundo material, mas também no reino da mente, experiências por vezes totalmente subjetivas, fruídas por ninguém mais além de nós mesmos.

Ter de explicar a outra pessoa a beleza e o deleite dessas experiências seria debalde, e o quanto para nós elas são caras, e como de certa forma ajudaram na criação de nossa personalidade.

Quem poderia entender? Quem poderia admirar conosco?

E de fato com o fim de nossa existência todas essas experiências serão perdidas, como lágrimas na chuva.

Mas não seria essa chuva senão as lágrimas das experiências de nossos antepassados? E que para nós experienciarmos hoje, necessariamente teria de ter havido a dissolução das mais belas experiências daqueles antes de nós? E que a nossa dissolução seja necessária para que outros no futuro possam deleitar-se com suas próprias, não é o justo? A natureza não age com hombridade desse modo?

Eu creio que sim.

E creio que o fato de que nossas experiências mais recônditas, caras, belas e nobres se "perderão"(na verdade se transformarão) seria de certo modo uma peroração da natureza a vivermos amplamente as experiências que valem a pena serem vividas na terra, na medida em que podemos vivê-las.

O encontro com Deus na oração ou meditação, o contemplar absorto entre as montanhas, o influxo de energia vital logo antes de o sol nascer na brisa matinal, uma amizade sincera, a sinergia entre duas almas no amor puro, e várias outras.

Por nobres e excelsas que são se distinguem da vulgaridade sensorial em que somos bombardeados hoje em dia. São experiências que constroem nossa alma e mente. E o fato delas se perderem com a dissolução de nosso corpo material não as diminuem, antes aumentam seu valor e como devemos vivenciá-las ante a iniquidade de nosso tempo.

domingo, 24 de março de 2019

Destino eu te sigo!

"Schicksal, ich folge dir! Und wollt' ich nicht,
ich müsst' es doch und unter Seufzen thun!"

"Destino eu te sigo! Se não o quisesse,
eu teria de fazê-lo, mesmo que em lágrimas!"

Nietzsche, provavelmente citando algum estóico, Aurora, 195.

Curiosa a impressão que temos, quando confortáveis e saudáveis, protegidos pela sociedade e circunstâncias, parecemos esquecer a natureza mutante do mundo e universo. E mesmo não a queremos.

Que tudo é mudança, tudo deve mudar. Porque a vida necessita disso, e tudo que é estático e permanente ou é Deus ou é o nada, o vazio. Na verdade ambos.

Que a saúde se tornará doença, que a juventude, velhice, que a vida, morte. E a morte, vida de novo. Que a nossa existência se concatena com o todo, a natureza.

Que apreciemos a juventude e força que a natureza nos dá, e realizemos a tarefa de viver dignamente, como homens, fiéis ao verdadeiro Eu, a centelha divina, a razão. E não como animais corrompidos. E não lamentemos a morte, a doença, o decaimento, pois essa é a natureza do mundo, que afeta a todos igualmente, e a vida se revigora através desses ciclos.

A mudança virá. Que não desperdicemos nossas vidas vivendo-as levianamente, indignamente.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Aqui [2]

Todo esse vento puro que sopra em minha alma, inoculando vigor em meus membros cansados, essa vontade de liberdade que me instiga as últimas conseqüências, põe-me a andar nessas sendas, nos caminhos pelos vicejantes vales, onde encontro-me em cada seixo, cada filete d'água, no chilreio das aves, nas flores do cerrado, nos troncos tortuosos, minha alma reside nessas trilhas, estas terras e eu, somos um.

O sol outorga-me suas bençãos nessas viagens lançando sobre mim seus cálidos feixes por entre as nuvens auri-róseas do arrebol, nessas horas místicas do renascimento do mundo após as trevas noturnas, Deus se achega aos homens, e sussurra em suas almas palavras obscuras, decifráveis apenas pelos códigos da natureza, que os homens tolamente obliteram pela superficialidade do mundo técnico moderno, os homens não mais ouvem suas próprias almas.

Contemplando essa imensidão, parece-me, não sei ao certo, que consigo já ouvir os vagalhões do oceano que aqui existira, troar rebentando contra essas muralhas rubras, cinzelando essas pétreas formas artísticas que a providência aprouve perfazer. Sim, minha mente também rola pelas superfícies desse oceano fantasma como uma potente vaga! Milhões de anos nos apartam, ainda assim me sinto embebido nas vastidões deste monstro onde em espírito decidi-me imergir.

As forças que irradiam dessa terra vermelha pervadem meu ser, confluindo-se nessa força irresistível, que atrai-me, possui-me, e preso nessas espirais ascendentes, cedo meu destino a essas montanhas invencíveis, que se elevam e se impõe soberbas e altaneiras, pois também eu sou uma delas, porque nós somos um.

sábado, 6 de novembro de 2010

Aqui



(clique na imagem)

Que atmosfera feérica, nessas florestas tudo parece belo, o ar puro em contato com meus pulmões outorga-me o prazer da simbiose com o espírito da terra, inundando meu ser de leveza, de saúde e bondade.


Esses paredões escarlate, pelos quais os ventos alegremente dançam numa sinfonia de maviosos acordes, esses paredões resguardam minha alma, da destruição, do ódio, das razzias provocadas pelas hordas sem face, uniformes em sua marcha tétrica em direção a morte. Aqui meu espírito regozija-se ao sabor das variegadas multitudes de cores que pululam em cada ser vivo. Esse baluarte da vida, desde sempre essas muralhas da natureza que se elevam ao infinito, as máculas, dores, desonra, medos, tudo desvanece nessas paragens onde o amor irrora em cada átomo desse lugar, mil vezes abençoado pelos Deuses.

Aqui, respirando as nuvens, descaio nos mais doces devaneios, na miríade de visões celestiais que se descortinam nessas rochas, e minha alma se despe de todo constrangimento, todo peso desnecessário, nessas altitudes, nessas muralhas invencíveis, pela eternidade, o mundo se arrasta perante mim, e me encontro no puro fluxo do pequeno riacho, no vigor das florestas, no cantarolar dos pássaros, tudo é belo, na policromia desse sonho, a maldição é quebrada...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Outdoor

"Outdoor" é uma palavra inglesa que significa "fora de casa", em lugares abertos, apenas com o céu como teto.


O homem tem se tornado nesses tempos modernos, um animal essencialmente doméstico, acostumado a viver em pequenos cubículos, jaulas chamadas salas e quartos.

O conforto aleijou o homem a tal ponto que ele não precisa sair para fazer praticamente nada, tudo pode ser encomendado, tudo vem até ele, comida, entretenimento, sexo, trabalho, estudo... e o que mais se pode imaginar.

A vida em seus tons selvagens, a vida na natureza, vai em muito pouca estima na alma do homem moderno, e as grandes paisagens, as florestas, as montanhas vão sendo destruídas, porque na verdade para o homem da cidade elas não tem utilidade alguma(espiritualmente falando).

É claro, um punhado de citadinos irá defender a vida natural, por motivos consequentes a sua própria existência. É um bom motivo, mas eu não diria que seja o principal. Quantos deles já estiveram no campo, quantos deles já mataram para comer(alguns até mesmo abominam isso, uma coisa básica da cadeia alimentar)?

No fim das contas, passa-se uma vida inteira preso, mas entretido, em um ambiente onde tudo é artificial, a luz, o ar, as pessoas, a vida...

Eu, de mim a mim, digo que prefiro a selvageria das florestas, faz sentir-me mais humano, vivo...

E quando contemplo aonde leva essa vida de confortos, artificialidade e degeneração da cidade, as florestas regozijam-me mais ainda.