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domingo, 24 de março de 2019

Destino eu te sigo!

"Schicksal, ich folge dir! Und wollt' ich nicht,
ich müsst' es doch und unter Seufzen thun!"

"Destino eu te sigo! Se não o quisesse,
eu teria de fazê-lo, mesmo que em lágrimas!"

Nietzsche, provavelmente citando algum estóico, Aurora, 195.

Curiosa a impressão que temos, quando confortáveis e saudáveis, protegidos pela sociedade e circunstâncias, parecemos esquecer a natureza mutante do mundo e universo. E mesmo não a queremos.

Que tudo é mudança, tudo deve mudar. Porque a vida necessita disso, e tudo que é estático e permanente ou é Deus ou é o nada, o vazio. Na verdade ambos.

Que a saúde se tornará doença, que a juventude, velhice, que a vida, morte. E a morte, vida de novo. Que a nossa existência se concatena com o todo, a natureza.

Que apreciemos a juventude e força que a natureza nos dá, e realizemos a tarefa de viver dignamente, como homens, fiéis ao verdadeiro Eu, a centelha divina, a razão. E não como animais corrompidos. E não lamentemos a morte, a doença, o decaimento, pois essa é a natureza do mundo, que afeta a todos igualmente, e a vida se revigora através desses ciclos.

A mudança virá. Que não desperdicemos nossas vidas vivendo-as levianamente, indignamente.

domingo, 13 de maio de 2018

A vida é como um báratro

A vida é como um báratro, uma escuridão total, um negror supremo. Tudo o que temos para afugentar as sombras, pelo menos ao nosso redor, é a nossa flama, nossa centelha divina, é isso que nós devemos cultivar, aumentar sua intensidade na medida em que for possível e conserva-la pura pois ela é nossa essência.

Muitos tem essa flama muito fraca, somente um pontinho bruxuleante nas trevas, outros a tem de de cor diversa da original, corrompendo-a, outros a mantém forte por meios artificiais e uma vez que esses meios desaparecem elas se extinguem. E outros que já tiveram sua chama extinta se congregam ao redor daqueles que mantém sua própria fortes, como mariposas atraídas para a luz.

Mas a maioria de nós mantemos nossa flama natural, e tão intensa quanto podemos, e incorrupta. As vezes, ao longe, nesse tétrico deserto vemos uma flama parecida com a nossa, e caminhamos em direção a ela, e ao se ter contato, e se essa flama é da mesma natureza que a nossa e não a perverte ou a deteriora, então a consubstanciamos com essa outra, e dois se tornam um só.

Mas se fores requisitado a caminhar só, e nenhuma outra flama for igual a tua. Por todos os meios, caminhe só, e não busques flamas diferentes, e não corrompa tua natureza, pois essa viagem na escuridão é breve, e se a fizeres de modo correto e justo, tua centelha voltará ao mar infinito de luz de onde ela saiu e com essa plenitude, tornar-te-ás uno e eterno.