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domingo, 24 de março de 2019

Destino eu te sigo!

"Schicksal, ich folge dir! Und wollt' ich nicht,
ich müsst' es doch und unter Seufzen thun!"

"Destino eu te sigo! Se não o quisesse,
eu teria de fazê-lo, mesmo que em lágrimas!"

Nietzsche, provavelmente citando algum estóico, Aurora, 195.

Curiosa a impressão que temos, quando confortáveis e saudáveis, protegidos pela sociedade e circunstâncias, parecemos esquecer a natureza mutante do mundo e universo. E mesmo não a queremos.

Que tudo é mudança, tudo deve mudar. Porque a vida necessita disso, e tudo que é estático e permanente ou é Deus ou é o nada, o vazio. Na verdade ambos.

Que a saúde se tornará doença, que a juventude, velhice, que a vida, morte. E a morte, vida de novo. Que a nossa existência se concatena com o todo, a natureza.

Que apreciemos a juventude e força que a natureza nos dá, e realizemos a tarefa de viver dignamente, como homens, fiéis ao verdadeiro Eu, a centelha divina, a razão. E não como animais corrompidos. E não lamentemos a morte, a doença, o decaimento, pois essa é a natureza do mundo, que afeta a todos igualmente, e a vida se revigora através desses ciclos.

A mudança virá. Que não desperdicemos nossas vidas vivendo-as levianamente, indignamente.

domingo, 12 de março de 2017

Eu vivo em tempos decisivos

Texto escrito em 12/10/2016

Eu vivo em tempos decisivos. Para o mundo, para o espírito dos tempos, ao que se resumem as eleições americanas, onde poderemos ver uma renascimento do nacionalismo, ou o fim das identidades nacionais e decaimento completo do ocidente.

Isso não deveria me afetar porém, isso eu não posso controlar, o que eu posso controlar são minhas motivações, virtudes, desejos, honra. Não coisas externas, materiais, a vontade de outras pessoas. Ainda assim tudo isso é tão excitante, estar assim a beira do abismo, eu gostaria também de participar desse ativismo nos EUA, lutar por essa causa, mas ao destino soeu eu ter nascido bem longe. Mesmo assistir como terceiro é excitante.

Não devo me esquecer que essa batalha é aparente, a verdadeira batalha ocorre em mim, em como eu sucumbo ou não a vileza do mundo, e sujo meu espírito no monturo da desonra. Se eu me mantiver limpo, meu mundo interno estará limpo, portanto todas as coisas mesmo externas se revestirão dessa pureza. Eu não devo me excitar demais ou me abater com o resultado da política ou de coisas externas. 

Minha visão do que eu devo fazer para viver dignamente é clara, no fundo todos nós sabemos porque somos corruptos e como deixar de ser corruptos, na maior parte do tempo não fazemos porque é mais prazeroso continuar vivendo na sujeira do que se elevar e viver de acordo com a natureza.

sábado, 29 de junho de 2013

Sorte

Como um empresário austríaco de 30 anos, de natureza pacífica e simples torna-se em 3 anos o homem mais perigoso da Europa?

Lendo a biografia de Otto Skorzeny percebemos, que mesmo o melhor guerreiro depende de inumeráveis fatores de sorte para se tornar vencedor.

É melhor vencer o inimigo com a fome do que com o ferro, pois na vitória obtida com este vale muito mais a sorte do que o valor.
Maquiável, Arte da Guerra, Livro Sétimo.

Os homens decerto se impressionam demais com as representações da guerra feitas pelas arte, principalmente os cinemas. Quando na verdade deveriam ler biografias de homens como Skorzeny para deslindar o que realmente é a guerra. Skorzeny dizia que a guerra era uma coisa triste, e realmente é.

Face a própria mortalidade nos campos de batalha que nem sempre tem honra. As tribulações e necessidades da trincheira que as vezes são piores que a batalha em si, a depressão, os traumas, a desfiguração psicológica. 

Não obstante, não se pode objetar isso ao dever de se lutar pela pátria e porventura morrer, não se pode desejar a paz a qualquer custo, a custo da sua própria dignidade, e da dignidade de seu povo, isso seria pacifismo.

No fim, a natureza impinge ao homem deveres diversos e inevitáveis, não se deve pensar nessas circunstâncias que atingem todas as pessoas igualmente, como tristes ou felizes, sequer devemos ter opiniões sobre isso, a natureza é indiferente as opiniões dos homens, se há algum sentimento que pode ajudar o homem porém, é a esperança, que se para o universo é irrelevante, para o homem é uma fonte de força e alento, é um dos fundamentos da vontade em si, contrário dos sentimentos de raiva, tristeza e desespero, que somente enfraquecem e nada trazem de bom.

sábado, 14 de abril de 2012

Aforismo 33

Defina para si próprio, desde o início uma marca definida ou um estilo de conduta que você mantenha quando está sozinho e também quando na sociedade dos homens. Esteja em silêncio na maior parte do tempo, ou, se tiver de falar, fale apenas aquilo que é necessário e em poucas palavras. Fale, mas raramente, se a ocasião assim o exige, mas não fale de coisas ordinárias - de gladiadores, corridas de cavalo, ou atletas, ou de carnes ou bebidas - estes são tópicos que surgem em todos os lugares, mas acima de tudo, não fale dos homens seja em acusação ou elogios ou comparações. Se puder, conduza a conversação que ocorre na sua presença para algum assunto apropriado; e se você, por acaso se encontrar no meio de estranhos, permaneça em silêncio. Não ria muito, nem frente a muitas coisas, nem sem algum tipo de controle.

Recuse-se em fazer juramentos, sempre se possível, mas se não puder evitar, na medida em que as circunstâncias o permitirem. 

Recuse o entretenimento de estranhos e do vulgar. Mas se surgir a ocasião de aceitá-los, então tente intensamente evitar recair no estado do vulgar. Saiba que, se o seu camarada possui uma nódoa sobre ele, aquele que se associa com ele necessariamente compartilha da nódoa com ele, mesmo que de início esteja limpo.
 
Para o seu corpo tome apenas aquilo que as suas necessidades básicas exijam, tais como comida, bebida, vestuário, casa, escravos, mas corte fora tudo o que conduza ao luxo e ao exibicionismo.

Quanto ao prazer com as mulheres, evite-o ao máximo das suas capacidades antes do casamento: e se você se abandonar à paixão, permita que ela se expresse de maneira correta. Mas não seja agressivo ou censurador contra aqueles que se envolvem (na paixão licenciosa), e não esteja sempre gabando a sua castidade. 

Se alguém lhe chama a atenção disso e fala mal de você, não se defenda contra o que ele lhe acusa, mas responda, "Ele não conhece as minhas outras faltas, ou então ele não teria mencionado apenas estas".

Não é necessário na maioria das vezes ir até os jogos (entretenimento); mas se você em alguma ocasião deve ir, mostre que a sua primeira preocupação é para com você mesmo; ou seja, deseje que apenas venha a acontecer aquilo que acontece, e que vença aquele que deve vencer, porque assim você não irá sofrer qualquer tipo de angústia. Mas controle qualquer impulso para o aplauso, ou zombaria ou ao entusiasmo prolongado. E quando você for embora, não fale muito sobre o que ocorreu ali, exceto naquilo que permite o seu aperfeiçoamento (no controle dessas qualidades). Porque falar muito sobre isto (e qualquer assunto) implica que o espetáculo excitou a sua imaginação. 

Não vá a ouvir palestras com atitude superficial ou casual; mas se for, mantenha a sua seriedade e dignidade e não se torne um indivíduo ofensivo aos demais. Quando você vai encontrar-se com alguém, e particularmente com alguém de eminência reconhecida, coloque frente à sua mente o pensamento, "O que é que Sócrates e Zenão teriam feito?" e você não terá dificuldade em tirar o proveito apropriado da ocasião.
 
Quando você vai visitar algum grande homem, prepare a sua mente ao pensar que talvez você não venha a encontrá-lo, e se o encontrar, que ele talvez não queira te receber, que as portas lhe sejam fechadas violentamente contra o seu rosto, e que ele não lhe dará nenhuma atenção. E se apesar de tudo, você ainda achar que deve ir até ele, vá e suporte o que vier a acontecer, e nunca se diga internamente "Não valeu a pena", porque isso demonstra uma mente vulgar e uma pessoa afetada pelas coisas externas.

Na sua conversação evite menções freqüentes e desproporcionadas das suas próprias atividades e aventuras; porque as outras pessoas não tem o mesmo prazer em ouvir as coisas que lhe aconteceram na mesma medida que você tem ao contá-las. 

Evite causar o riso dos homens, este é um vício que rapidamente recai na vulgaridade e serve muito bem para diminuir o respeito que os seus vizinhos lhe devotam.

É também perigoso fazer uso de linguagem obscena; quando algo desse tipo acontecer, chame a atenção do ofensor, se a ocasião o permitir e se não, faça ficar claro para ele, pelo seu silêncio, ou então ao ruborizar-se ou mesmo um franzir de testa, que você está aborrecido pelas suas palavras.


Epíteto, Manual (Enchridion), Aforismo 33