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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Aprendizado

Como aprender a andar de bicicleta: há um certo ponto de inflexão em nossa curva de aprendizagem quando estamos aprendendo a andar de bicicleta em que não sabemos propriamente andar, mas temos habilidade suficiente para assumir o risco de tentarmos sozinhos, sem apoio, estamos dispostos a cair, essa disposição nos permite adquirir o conhecimento de saber andar e liquidar qualquer dúvida ou ignorância a esse respeito.

Ousar conhecer, falhar, mas antes obter a habilidade mínima para ter a confiança de falhar sem ter seu espírito destruído, antes tais falhas obtidas no platô das faculdades mínimas, constroem. Existe essa diferença teleológica na natureza da falha, a que constrói e a que destrói.

Adquirir essas habilidades mínimas é, no entanto, um processo extremamente enfadonho. Exige uma paixão disposta ao sacrifício do aprendizado, algo raro nos dias de hoje, especialmente entre os adultos. Estamos confortáveis demais, protegidos pelo ego aquartelado na ilusão de quem achamos que somos e na percepção do que os outros pensam sobre nós. Não queremos falhar, nem que os outros percebam que falhamos.

Assim nos privamos de atingir a maestria nas artes que pretendemos aprender. Privamo-nos de ir fundo e tocar o âmago que nos compete, o que é realmente nosso no mundo da ciência, à dominação que nos pertence.

Por favor não te acanhes, não te prives do direito de ser mestre e senhor daquilo que te compete por medo da falha!



domingo, 13 de setembro de 2020

Sempre que sobre ti recaírem as trevas da auto-destruição

"O peixe usa água para pular fora da água." - Provérbio Zen

Sempre que sobre ti recaírem as trevas da auto-destruição, culpa, vergonha e fracasso, em vez de engajar-te em comportamentos viciosos ou de ferir-se a si mesmo, canalize essa energia ruim para a punição de si mesmo, mas um tipo diferente de punição, puna-se com disciplina e austeridades que são nobres, abstenha-se dos prazeres fúteis que alimentam seu ego, substitua-os por uma disciplina estrita nos estudos e práticas marciais.

Puna-se alienando-se de deleites e aderindo àquilo que enobrece e ao mesmo tempo é repelente ao ego indolente. Assim fazendo tu transformas dejeto em ouro, vais de algo péssimo para algo excelente para sua saúde.

O valor punitivo ainda está lá, será ainda dor e contrição, mas que terá um propósito e valor rumo a uma existência plena e farão os sentimentos ruins desaparecerem, se praticado com constância.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Não tenhais pena de vós mesmos

Homotimos, não tenhais penas de vós mesmos no combate diário contra a mediocridade e a dissolução do verdadeiro 'eu', que se constrói através da disciplina constante, nada pode parar o espírito que se arroja à um escopo com todo o ardor e comprometimento que possui em si. 

 

A disciplina é sagrada e fortalece o espírito; ao mesmo tempo é frágil e se dissolve com ligeireza, uma vez consolidada a sua disciplina, um homem deve fazer quanto puder para proteger seus hábitos salutares da perdição da procrastinação e o mal que essa desencadeia. 

 

A disciplina deve ser protegida, um dia deve se parecer com o outro, porque o que é proveitoso, tornando-se hábito, fortalece o homem, e um cotidiano assim deve ser conservado e cultivado, para que a força e o espírito ampliem seu alcance na existência humana.

segunda-feira, 20 de março de 2017

A disciplina é sagrada

A disciplina é sagrada, é ela que te faz um bom homem, um homem que pratica boas ações. Uma boa rotina produz um homem bom, tu deves alimentá-la com o fogo do teu ardor, tua fé, é muito fácil descair nas trevas do niilismo, depor as armas contra o destino, e sucumbir na luta eterna que ocorre dentro de nós.

Não te livres dessas agruras pois elas te purificam da vaidade e trivialidade do mundo, em nossa época corrompida em seu fulcro, a disciplina e prática ascética são como a chuva que lava essa sujeira de sua alma.

A solitude pode desorientar um homem se não conduzida por caminhos retos e sábios, se assim for, ela o eleva, muito mais alto que a plebe e massa vulgar materialista, eleva-o aos picos e abismos onde somente a grandeza pode coexistir. Uma solitude assim é sagrada, e deve ser mantida. Essa é a ascese da honra e iluminação.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A verdade não teme escrutínio

O calor da batalha é o juiz mais imparcial e justo. Nós devemos nos pôr a teste, verificar nosso poder constantemente, nosso corpo enquanto tivemos vigor, e nosso espírito sempre. Muitos usam a desculpa da idade para abster-se do tumulto e caos do combate eterno, deveras, nosso corpo decairá, mas nosso espírito, a despeito da decadência corporal que acompanha a idade, pode permanecer acerado e duro se assim nos dispusermos.

A essência do cultivo do espírito necessariamente vai pela disciplina, moral e virtude. Não há como manter um espírito forte e puro se não praticarmos nesses três fulcros, quando indulgimos na degeneração moderna, nossos corpos parecem ser afetados, mas de fato, nosso espírito é o que se afeta mais profundamente, isso é com efeito muito sério, afinal um corpo corrompido pode se regenerar com relativa facilidade contanto que exista vontade para isso, ao contrário é, todavia, o espírito corrompido, esse, com muitos esforços pode ter uma perspectiva de regeneração.

Musashi dissera em seu livro dos cinco anéis que quando o espírito estiver relaxado o corpo deve manter-se tenso, o corpo tenso, o espírito relaxado. Isso é muito adequado, o conforto e segurança da vida moderna permite-nos relaxar nosso espírito à níveis perigosos, onde ficamos suscetíveis a todo tipo de corrupção, que sorrateiramente nos é instilada pela mídia, noticiários e cultura em geral, também, eu diria, quando somos forçados a conviver com gente de mentalidade plebeia, como no trabalho ou faculdade por exemplo. Assim nós nos esquecemos do combate eterno, nos acomodamos, nos tornamos fracos e corruptos.

A adversidade nos torna afiados, quando sabemos que teremos de usar nossos corpos numa batalha inexorável e fatal contra hordas inimigas, quando sabemos que esse é nosso destino, o curso de ação em face disso é nos tornarmos saudáveis, hábeis, fortes e vigorosos, tornar nossos corpos uma reflexão de nosso espírito.

Quando sabemos que nossa inteligência será usada para guiar aqueles que amamos na escuridão da tirania vindoura, aproveitamos cada momento para estudar, pesquisar, inquirir e consumir toda sabedoria disponível através dos livros.

Lance-se as flamas, elas te julgarão nobre ou ignóbil.

sábado, 14 de abril de 2012

Aforismo 33

Defina para si próprio, desde o início uma marca definida ou um estilo de conduta que você mantenha quando está sozinho e também quando na sociedade dos homens. Esteja em silêncio na maior parte do tempo, ou, se tiver de falar, fale apenas aquilo que é necessário e em poucas palavras. Fale, mas raramente, se a ocasião assim o exige, mas não fale de coisas ordinárias - de gladiadores, corridas de cavalo, ou atletas, ou de carnes ou bebidas - estes são tópicos que surgem em todos os lugares, mas acima de tudo, não fale dos homens seja em acusação ou elogios ou comparações. Se puder, conduza a conversação que ocorre na sua presença para algum assunto apropriado; e se você, por acaso se encontrar no meio de estranhos, permaneça em silêncio. Não ria muito, nem frente a muitas coisas, nem sem algum tipo de controle.

Recuse-se em fazer juramentos, sempre se possível, mas se não puder evitar, na medida em que as circunstâncias o permitirem. 

Recuse o entretenimento de estranhos e do vulgar. Mas se surgir a ocasião de aceitá-los, então tente intensamente evitar recair no estado do vulgar. Saiba que, se o seu camarada possui uma nódoa sobre ele, aquele que se associa com ele necessariamente compartilha da nódoa com ele, mesmo que de início esteja limpo.
 
Para o seu corpo tome apenas aquilo que as suas necessidades básicas exijam, tais como comida, bebida, vestuário, casa, escravos, mas corte fora tudo o que conduza ao luxo e ao exibicionismo.

Quanto ao prazer com as mulheres, evite-o ao máximo das suas capacidades antes do casamento: e se você se abandonar à paixão, permita que ela se expresse de maneira correta. Mas não seja agressivo ou censurador contra aqueles que se envolvem (na paixão licenciosa), e não esteja sempre gabando a sua castidade. 

Se alguém lhe chama a atenção disso e fala mal de você, não se defenda contra o que ele lhe acusa, mas responda, "Ele não conhece as minhas outras faltas, ou então ele não teria mencionado apenas estas".

Não é necessário na maioria das vezes ir até os jogos (entretenimento); mas se você em alguma ocasião deve ir, mostre que a sua primeira preocupação é para com você mesmo; ou seja, deseje que apenas venha a acontecer aquilo que acontece, e que vença aquele que deve vencer, porque assim você não irá sofrer qualquer tipo de angústia. Mas controle qualquer impulso para o aplauso, ou zombaria ou ao entusiasmo prolongado. E quando você for embora, não fale muito sobre o que ocorreu ali, exceto naquilo que permite o seu aperfeiçoamento (no controle dessas qualidades). Porque falar muito sobre isto (e qualquer assunto) implica que o espetáculo excitou a sua imaginação. 

Não vá a ouvir palestras com atitude superficial ou casual; mas se for, mantenha a sua seriedade e dignidade e não se torne um indivíduo ofensivo aos demais. Quando você vai encontrar-se com alguém, e particularmente com alguém de eminência reconhecida, coloque frente à sua mente o pensamento, "O que é que Sócrates e Zenão teriam feito?" e você não terá dificuldade em tirar o proveito apropriado da ocasião.
 
Quando você vai visitar algum grande homem, prepare a sua mente ao pensar que talvez você não venha a encontrá-lo, e se o encontrar, que ele talvez não queira te receber, que as portas lhe sejam fechadas violentamente contra o seu rosto, e que ele não lhe dará nenhuma atenção. E se apesar de tudo, você ainda achar que deve ir até ele, vá e suporte o que vier a acontecer, e nunca se diga internamente "Não valeu a pena", porque isso demonstra uma mente vulgar e uma pessoa afetada pelas coisas externas.

Na sua conversação evite menções freqüentes e desproporcionadas das suas próprias atividades e aventuras; porque as outras pessoas não tem o mesmo prazer em ouvir as coisas que lhe aconteceram na mesma medida que você tem ao contá-las. 

Evite causar o riso dos homens, este é um vício que rapidamente recai na vulgaridade e serve muito bem para diminuir o respeito que os seus vizinhos lhe devotam.

É também perigoso fazer uso de linguagem obscena; quando algo desse tipo acontecer, chame a atenção do ofensor, se a ocasião o permitir e se não, faça ficar claro para ele, pelo seu silêncio, ou então ao ruborizar-se ou mesmo um franzir de testa, que você está aborrecido pelas suas palavras.


Epíteto, Manual (Enchridion), Aforismo 33