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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Aprendizado

Como aprender a andar de bicicleta: há um certo ponto de inflexão em nossa curva de aprendizagem quando estamos aprendendo a andar de bicicleta em que não sabemos propriamente andar, mas temos habilidade suficiente para assumir o risco de tentarmos sozinhos, sem apoio, estamos dispostos a cair, essa disposição nos permite adquirir o conhecimento de saber andar e liquidar qualquer dúvida ou ignorância a esse respeito.

Ousar conhecer, falhar, mas antes obter a habilidade mínima para ter a confiança de falhar sem ter seu espírito destruído, antes tais falhas obtidas no platô das faculdades mínimas, constroem. Existe essa diferença teleológica na natureza da falha, a que constrói e a que destrói.

Adquirir essas habilidades mínimas é, no entanto, um processo extremamente enfadonho. Exige uma paixão disposta ao sacrifício do aprendizado, algo raro nos dias de hoje, especialmente entre os adultos. Estamos confortáveis demais, protegidos pelo ego aquartelado na ilusão de quem achamos que somos e na percepção do que os outros pensam sobre nós. Não queremos falhar, nem que os outros percebam que falhamos.

Assim nos privamos de atingir a maestria nas artes que pretendemos aprender. Privamo-nos de ir fundo e tocar o âmago que nos compete, o que é realmente nosso no mundo da ciência, à dominação que nos pertence.

Por favor não te acanhes, não te prives do direito de ser mestre e senhor daquilo que te compete por medo da falha!



domingo, 6 de setembro de 2020

Desencorajar

Quando um homem perde sua coragem, ele perde seu coração, sua essência, seu centro, afinal a palavra coragem tem por raiz etimológica a palavra coração:

 

Do francês courage.
Do latim *coraticum (cor + -atĭcum): associação entre a palavra latina cor, que tem como um dos significados a palavra coração, e o sufixo latino -atĭcum, que é usado para indicar a ação da palavra que o precede. A palavra latina cor, por sua vez, pode ser derivada da raiz indo-europeia kerd-, da qual derivaram tanto a palavra grega kardia (καρδία) – em cujo significados encontram-se coração, a vida do espírito (pensamentos e sentimentos) e também, por analogia, o meio, mediania – quanto a palavra latina credere, que corresponde a crédito, confiança e compromisso.
 
 

Isso nada mais é que a descrição física do sentimento, sente-se um vazio no peito, como se um deserto gélido houvesse materializado onde outrora o homem guadara seus mais diletos sentimentos, o vazio enregelado que agora grassa por todos os seus membros convergindo por fim em seus pensamentos, e tingindo-os de agonia e terrores supremos, tornando-se vítima dos mais variados espectros que agora habitam em sua mente, toldando-lhe a visão, para tudo o mais de valor, egoisticamente renegando tudo em troca de uma existência mesquinha e pérfida, as vezes não muito longa.

 

«Disse-lhe Pedro: Ainda que sejas para todos uma pedra de tropeço, nunca o serás para mim. Declarou-lhe Jesus: Em verdade te digo que esta noite, antes de cantar o galo, três vezes me negarás. Replicou-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Todos os discípulos disseram o mesmo.» (Mateus 26:33-35

«Prendendo-o, eles o levaram e introduziram na casa do sumo sacerdote; e Pedro ia seguindo de longe. Eles, tendo-se acendido fogo no meio do pátio, sentaram-se, e Pedro sentou-se no meio deles. Uma criada, vendo-o sentado ao lume, o encarou e disse: Este também estava com ele. Mas Pedro negou, dizendo: Não o conheço, mulher.» (Lucas 22:54-57)  

«e vendo-o a criada, tornou a dizer aos que ali estavam: Este é um deles. Mas de novo o negou.» (Marcos 14:69-70)

«Logo depois se aproximaram de Pedro os que ali estavam e disseram-lhe: Também tu és certamente um deles, pois até a tua fala o revela. Então começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem (Mateus 26:73-75)  

«Logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. Virando-se o Senhor, olhou para Pedro. Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Hoje antes de cantar o galo, três vezes me negarás. E saindo para fora, chorou amargamente.» (Lucas 22:60-62


 

O homem sem coragem é o homem sem amigos, não há de ter amigos certamente por seu desvio de caráter e não há de ter coragem por não ter amigos à respaldá-lo e apoiá-lo. É emblemática a expressão "ficar sem chão", pois o sentimento que conjura para o medroso é exatamente esse, não ter raízes nem suporte, estar a mercê de qualquer força premente externa, por leve que seja.

 

E assim como o coração some, some também o sangue, nada há a correr nas veias, isso para além do sentimento físico é também simbólico, ao sumir o sangue também some a linhagem de um homem, sua ascendência, nega-se a virilidade, a firmeza moral que trouxe seus genes até esse ponto na história, nega-se a própria história pessoal atrás de si.

 

Ao perder a coragem o homem perde seu amor, pois quando racionalizada, a coragem somente pode erguer-se do amor, um amor profundo e altruísta. O medroso pensa somente em preservar a si mesmo a qualquer custo. O que ama, ao contrário, sabe que é necessário fazer sacrifícios por aquilo que ama, seus amigos, sua família, sua tribo. Que o apoiarão assim como ele os apoia. Quando o covarde é apoiado mas não apoia, ele defrauda esse amor que fora depositado em si. Defrauda decerto porque nunca efetivamente amou, apenas gozava alegria efêmera junto dos que o amavam.

 

Medo algum supera o amor, o homem que ama e é amado, não teme, mesmo que sejam necessários todas as forças do seu espírito, contra inimigos titânicos, e em face a aniquilação certa, o que ama possui a pedra filosofal, que converte amor em coragem. Essa é a razão pela qual o amor é a base da maioria das religiões, pela qual a mulher mais frágil luta ferozmente pela sua prole, o homem dá a vida pela sua família, irmãos, amigos.

sábado, 26 de setembro de 2015

O poder da personalidade na guerra III

Um fardo muito mais pesado do que aquele da mais violenta batalha ofensiva, porém, tem de ser carregado pelo chefe quando a batalha toma uma forma desfavorável. Simplesmente trágico é seu destino quando não mais consegue despertar o entusiasmo e a esperança em todos os outros através do fogo que arde em seu coração e da força e da força da sua determinação; quando não mais consegue manter sua ascendência sobre as massas e permanecer seu senhor.

O primeiro ataque prussiano contra o flanco direito do exército francês em Waterloo foi temporariamente refreado às 19 horas e Napoleão enviou sua última reserva, dez batalhões de guarda, para um ataque decisivo ao flanco esquerdo de Wellington. Quando sua última tentativa de mudar a sorte do dia fracassou, quando estas seletas tropas que ostentavam a tradição de invencibilidade recuaram, o imperador finalmente bradou: "C'est fini." Esta expressão mostrava que havia chegado o momento em que "o peso da massa o arrastara para o mesmo nível em que esta se encontrava, para as profundezas de uma mera natureza animal, que recua ao medo e não sabe o que é vergonha". ~ Hugo von Freytag-Loringhoven, O poder da personalidade na guerra, capítulo 7.


"Por mais selvagem que seja a natureza da guerra, ela encontra-se dentro da esfera da fraqueza humana" ~ Carl Von Clausewitz, Da guerra, Volume III, Capítulo 16

"Riquezas, bens materiais e números não são as únicas coisas que contam; existem outros elementos não físicos que podem trazer a vitória, a educação do povo; ordem e subordinação, que dão forma à massa; disciplina, que a torna utilizável e que, mesmo no infortúnio, faz com que tenha confiança em si mesma; o incentivo de vidas ilustres, que fortalece o espírito; determinação que controla tudo; e poder intelectual, que nos orienta em direção ao objetivo desejado." ~ Droysen, Frederico, O grande

"Quando Gneisenau estudou os homens para ver se o seu espírito poderia ser 'elevado', pareceu-lhe que o espírito de Frederico havia atingido o zênite de sua influência. Frederico era possuidor de uma determinação inesgotável segundo a qual agia, e, conforme foi dito por Fichte, é esta determinação e não a força das armas que alcança a vitórias. Era esta força mental que apoiava Frederico em suas mais profundas desventuras, que o fazia elevar-se mais alto do que nunca ante a adversidade e que o tornava merecedor do título de "O Grande". A história das desventuras de Frederico ilustram uma descrição poética do destino como aquela que enaltece um homem que embora o subjugue." ~ Koser, Frederico, O grande

"É preciso acreditar firmemente no valor de princípios bem testados e lembrar-se de que  impressões momentâneas, embora fortes, são duvidosas. Nossa crença nestes princípios e nossa desconfiança entranhada nas sensações transitórias nos ajudarão a nos manter firmes nas decisões basicamente corretas quando nos sentirmos tentados a duvidar delas, e nossas ações assumirão aquela firmeza e consistência a que chamamos de caráter" ~ Carl Von Clausewitz, Da guerra, Volume I, Capítulo 3

"A expressão 'força de caráter', ou simplesmente 'caráter', significa uma adesão firme às nossas convicções, quer estas convicções sejam o resultado do nosso próprio pensamento ou de outrem, quer sejam classificadas como princípios, opiniões ou aspirações do momento. A expressão aplica-se, apenas, àqueles que mantêm-se firmes às suas convicções. Aquele que continuamente muda de opinião não possui caráter." ~ Carl Von Clausewitz, Da guerra, Volume I, Capítulo 3

"Aquele que compreende a natureza de uma decisão em questões práticas, especialmente na guerra, onde esta deve tomada sob o peso de uma grande responsabilidade e em meio a milhares de incertezas e contradições, chegará à conclusão de que as decisões não podem ser tomadas sem que haja muitas dúvidas, e aquilo que pode parecer um problema muito simples, muitas vezes não pode ser resolvido sem que haja uma grande determinação. A elaboração de planos para operações militares é, portanto, a parte mais fácil de um planejamento, embora para que este tenha êxito, ele necessita, obviamente, de ser sólido." ~ Carl Von Clausewitz, A Campanha de 1799 na Itália e Suíça.

O significado da honra para um soldado

A significação moral da guerra manifesta-se em tudo que aparece em conexão com ela, e não nela. Onde quer que surja um conflito na vida humana, relacionado a qualquer coisa melhor do que ganância ou crueldade cegas, de ambos os lados, onde quer que haja até mesmo o mais tênue brilho daquilo que os homens chamam de dever, encontraremos sempre aquele sentimento misterioso e exaltado chamado honra, cuja penetrante suavidade não é suscetível de comparação, uma vez que, confrontado com ela, o valor da própria vida tem o peso de uma pena. O sentimento de honra pessoal, de auto-respeito, que eleva o homem acima da condição da vida comum, não é nada mais do que uma concentração de nobreza no indivíduo. Para o soldado, ele surge como uma crença sagrada e uma prerrogativa especial. O soldado zela cuidadosamente por sua honra, pois, para ele, esta é a única coisa que o coloca acima da sua caricatura, o gladiador.

Os pacifistas procuram rebaixar o soldado ao plano de sua caricatura, pois não possuem nenhuma idéia da verdadeira natureza humana. Não possuem nenhum discernimento acerca da grandeza do sacrifício e do sofrimento exigidos pela guerra. Eles também não compreendem que existem homens que conseguem ver a morte gloriosa como a grande realização de suas vidas.

O significado moral da guerra

Consciente ou inconscientemente, esta má compreensão do significado moral da guerra revela uma incapacidade de compreender o caráter humano; ela advém de uma filosofia de vida puramente materialista. A base real da doutrina da paz eterna não é nada mais do que egoísmo e amor ao conforto disfarçados sob um vago idealismo. Essa tendência ignora totalmente o fato de que pode-se encontrar um idealismo muito mais sadio aceitando-se a vida como ela é.

A história nos ensina que as nações que não se encontram prontas a defender sua honra, com armas, invariavelmente entram em declínio. É oportuno, portanto, sempre que a sociedade volta-se para uma luxúria descuidada, não refreada por quaisquer considerações morais, que surja no horizonte aquele tipo de ansiedade política, aquele restaurador do dever cívico, a guerra. A paz eterna seria um destino perverso, porquanto seria adquirida, unicamente, ao custo das mais nobres qualidades e dos mais altos fados do homem. 

A necessidade de se desenvolver e manter um espírito guerreiro

Devemos, portanto, estar cônscios do nosso dever no sentido de despertar e desenvolver estas qualidades nobres e de nos proteger contra a sentimentalidade doentia. "Se a guerra sangrenta é um espetáculo horrível, isto deve nos advertir para a colocarmos em um plano superior e não para, por um falso sentimentalismo, embotarmos nossas próprias espadas, pois pode surgir um inimigo cuja a espada ainda esteja afiada." As condições mundiais certamente não são como as atuais (1911) para encorajar-nos a pensar que conflitos armados entre nações são uma coisa do passado. Já pudemos ver em nosso próprio país (Alemanha) os efeitos das doutrinas enganosas do pacifismo, agora tão amplamente difundidas, e fomos cruelmente punidos por isto. As fracas teorias filantrópicas que controlavam as classes mais altas de nosso povo em 1806 foram em muito responsáveis pelos desastres ocorridos naquele ano. Muitos dessa geração haviam perdido totalmente a compreesão da realidade da guerra e do verdadeiro sentido da atividade militar, porém recordaram-se dos mesmos nos anos de dominação estrangeira.

Heinrich von Treitschke caracteriza extraordinariamente o desastre de 1806 quando diz que ainda hoje o sentimos, em meio à nossa gloriosa história militar (1911), "como um sofrimento pessoal". A partir disto, devemos nos prevenir contra as tendências que nos desviam dos verdadeiros objetivos de nossa profissão. Tais tendências manifestam-se de diversas formas. Algumas vezes, encontram-se ocultas em meio a nuvens de uma pseudofilosofia, enfraquecendo nossa noção do dever militar, destruindo nosso prazer pelo trabalho e até mesmo nos sugerindo que aquilo pelo que trabalhamos já está obsoleto.

Não há melhor proteção contra essas influências do que a vigorosa ética de Clausewitz. O seu trabalho é baseado na experiência de uma época que assistiu à súbita queda e à rápida e estarrecedora ascensão de nosso país. Em 1813, Clausewitz viu o serviço universal desenvolver-se a partir das necessidades da guerra. O nosso dever, hoje, é manter as valiosas qualidade militares que surgiram no nosso exército nacional naquela época e que,  três gerações depois, nos inspiraram em três guerras vitoriosas. É nosso dever treinar essa "nação em armas" para a guerra moderna. Portanto, devemos nos empenhar em desenvolver uma sinceridade de propósitos quanto a isso, apesar das tendências desagregadoras dos tempos. O estabelecimento de uma crença nacional na necessidade suprema de se obter a vitória na guerra deve ser o verdadeiro objetivo na nossa vida, pois esta convicção é a essência de um caráter militar.

Os métodos que adotamos para realizar o nosso grande objetivo irão diferir tal como os métodos pelos quais esta convicção é formada em diferentes pessoas. Homens como Scharnhorst, Gneisenau, Lee, Moltke, adquiriram a capacidade de inspirar um grande empenho e auto-sacrifício nos outros através de uma autodisciplina rigorosa e de uma forte fé religiosa. A pureza de caráter destes homens era tão evidente que eles pareciam ser a encarnação do líder ideal formulado por Clausewitz. A religião destes homens era o mais autêntico cristianismo, e a partir dele adquiriam aquela humildade que os tornava fortes contra todas as dificuldades.

Os chefes militares devem ser julgados pelos resultados

A familiaridade com o combate, muitas vezes, é causada por um certo fatalismo, o qual, para muitos soldados, torna-se um substituto para religião. A vida na guerra tende a fortalecer os homens, e mesmo durante o período de paz, o contexto no qual um soldado passa os seus primeiros anos de serviço determina em muito seu caráter. Portanto, dever-se-ia dar maiores concessões a esta circunstância do que normalmente se dá ao se julgar os militares. Julgar Blucher, que uma vez incorporou todo espírito militar do nosso povo, somente sob um ponto de vista filisteu e moralista seria um erro crasso. A vida rude do campo, que Blucher adorava, era repugnante para o seu chefe de estado-maior, Gneisenau. Ele, porém, compreendia o seu chefe, tolerava suas fraquezas secundárias e via, apenas, as suas grandes e heróicas qualidades. Assim como Gneisenau, devemos prestar honras às grandes virtudes militares, mesmo que, no homem, a grandeza não seja alcançada em todos os seus aspectos.

O ponto essencial é, e sempre será, que um homem deve entregar-se totalmente a uma grande causa, não deve procurar satisfazer sua vaidade, e nem tampouco tirar vantagens pessoais. Visto sob este prisma, o empenho em expressarmos a nossa própria personalidade não é um fim em si mesmo; é simplesmente um meio para nos preparar para aquilo que mede o valor de um homem na guerra, isto é, o que ele faz em ação. ~ Hugo von Freytag-Loringhoven, O poder da personalidade na guerra, capítulo 9

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O poder da personalidade na guerra I

"Um exército fortalecido pelo hábito da moderação e do esforço físico, como são os músculos de um atleta; um exército que considera os sofrimentos como um meio de alcançar a vitória, e não como um castigo colocado sobre sua bandeira; um exército no qual todas as virtudes e deveres estão encarnadas em um único objetivo, a honra de suas armas; este é o exército que realmente possui um verdadeiro espírito militar." ~ Carl von Clausewitz, Da guerra, volume III, capítulo 5.

"Para soldados treinados, a batalha em Katzbach pode não ter sido uma derrota. Na pior das hipóteses, teria sido um revés, facilmente reparável. Porém com simples rapazes, soldados da noite para o dia, foi o princípio de um desastre. Por outro lado, jamais se encontrará um melhor exemplo do valor da energia física e moral e da necessidade de uma real resistência física para suportar a pressão do tempo, da fome, a sede e de todos os outros sofrimentos da guerra; em uma palavra da necessidade por aquele estoicismo que surge, não de repente, mas gradualmente através do treinamento militar, o qual, no fim de tudo, é simplesmente o espírito entranhado de honra e do dever." ~ Camille Rousset, Batalha do Rio Katzbach, 1813.

"Chuquet afirma corretamente que Leon Gambetta, com seus soldados improvisados, procurou repetir os legendários milagres de 1792-93, mas esqueceu-se que os revolucionários voluntários haviam trazido, através de sua falta de disciplina e coragem, apenas desgraças para seu país. Durante a revolução, a República Francesa foi salva, não pela devoção e habilidade de suas novas tropas, mas pela falta de unidade na Aliança. Em 1793, os alemães estavam fracos e indecisos e estavam relativamente distantes; em 1870, eles encontravam-se fortes e unidos, e estavam atuando não no Sauer e no Scheldt, mas no coração da França, no Sena e no Loire." ~ Hugo von Freytag-Loringhoven, O poder da personalidade na guerra, capítulo 2.

"O esforço físico deve ser empreendido não tanto para treinar o corpo, mas a mente. Na guerra, o recruta, geralmente, considera que qualquer exigência física fora do comum requerida dele é a consequência de algum erro crasso cometido pelo comandante, deixando-se influenciar por este modo de pensar. Isso não acontecerá se ele tiver sido adequadamente preparado para atendê-las durante a instrução em tempos de paz." ~ Carl von Clausewitz, Da Guerra, Volume I, capítulo 8.

"Com estas qualidades e guiado simplesmente por um correto bom senso, o homem se torna um instrumento de guerra eficaz. Estas qualidades são inerentes aos povos selvagens e semicivilizados, mas nas nações civilizadas, elas devem ser desenvolvidas pela instrução militar." ~ Carl von Clausewitz, Da Guerra, Volume I, capítulo 3.

"A guerra é o domínio do esforço físico e do sofrimento. Para um homem não ser dominado por estes aspectos, ele precisa possuir uma certa força física e mental, inata ou adquirida, que o torna indiferente a eles." ~ Carl von Clausewitz, Da Guerra, Volume I, capítulo 3.

"Na nossa época, não parece haver meios de incutir este espírito(coragem) em um povo, a não ser através da guerra e de uma liderança ousada. Somente isto pode contrapor-se àquele comodismo, àquele desejo por conforto e prazer, que pode arruinar um povo." ~ Carl von Clausewitz
"A audácia na guerra tem suas prerrogativas. Quando as estimativas de espaço, tempo e poder de combate estiverem concluídas, um certo acréscimo deve sempre ser feito em razão da vulnerabilidade do inimigo. Isto pode ser rapidamente rapidamente demonstrado de modo filosófico. Sendo os outros fatores iguais, sempre que a audácia encontra o medo, ela deve prevalecer, pois o medo sempre é prejudicado por uma perda de equilíbrio. Somente quando a audácia se depara com a prudência calculada, tão ousada, e, pelo menos, tão forte e poderosa como ela própria, ela tornar-se-á inferior. Tais casos são raros. Entre os prudentes, haverá sempre muitos que o são por pura timidez." ~ Carl von Clausewitz
"Longos anos de guerra criaram em Ney uma infalível serenidade que o tornava capaz de dizer a um soldado ferido que pedia por ajuda durante a retirada da Rússia em 1812, "Como posso ajudá-lo? Você faz parte dos destroços de guerra". Nessas palavras, ditas tão calmamente, não havia crueldade, havia apenas a expressão de uma antiga verdade - o soldado na guerra está destinado a destruição; uma verdade quase esquecida na nossa era de amor à paz." ~ Hugo von Freytag-Loringhoven

"Homens comuns, que se submetem à persuasão externa, de um modo geral permanecem continuamente indecisos. Para eles todas as situações são diferentes do que as que imaginavam. Neste estado mental, rendem-se posteriormente a persuasão externa e tornam-se ainda mais incertos e instáveis, até mesmo uma pessoa forte e decidida que tenha baseado suas decisões em informações de primeira mão irá, frequentemente, tomar decisões erradas. Ela não deve, porém, permitir que estes erros abalem sua autoconfiança inata e a tentem a mudar suas decisões bem tomadas para apagar uma impressão efêmera." ~ Carl von Clausewitz, Da Guerra, Volume I, capítulo 6.

"Sem dúvida alguma, nossas táticas devem mudar com as inovações dos campos de batalha. Disse Napoleão: "As táticas devem mudar a cada dez anos para se manter até mesmo uma imagem de superioridade." Entretanto, por mais que mudem as táticas, elas não reduzirão a necessidade por generais habilidosos que ajam de forma audaz dispondo apenas de informações superficiais. Sempre precisaremos, por exemplo, de homens como Constantine Von Alvensleben; o que teria acontecido em Thionville caso o general Von Alvensleben tivesse esperado até que estivesse absolutamente seguro da situação e tivesse, por assim dizer, contado o inimigo homem por homem? Os problemas na guerra jamais podem ser resolvidos como aqueles de aritmética e devemos sempre estar prontos para agir de forma apropriada apesar das incertezas. Não devemos também procurar reduzir as táticas a meras fórmulas técnicas e matemáticas. Isto elas jamais poderão se tornar, e é justamente por esse motivo que a nossa profissão é tão fascinante. A guerra sempre exigiu, e irá sempre exigir, o melhor raciocínio e o mais completo desenvolvimento da personalidade do qual uma pessoa seja capaz. Isto, obviamente, é diretamente contrário ao espírito sectário nivelador e negativo que contamina atualmente a vida moderna e que abomina, acima de todas as coisas, um espírito militar forte e independente." ~ Hugo von Freytag-Loringhoven, A guerra é o domínio da incerteza, capítulo 4.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Alexandre



Solo montagne, poi valli e pianure che ad ovest si gettano in mare
Somente montanhas, então vales e campinas, que a oeste lançam-se no mar
Alle mie spalle, dove nasce il sole, terra da conquistare
Às minhas costas, onde o sol nasce, terras a conquistar
Troppo coraggio, il troppo sognare hanno dato ali al nostro cuore
Muita coragem, e muito sonhar, outorgaram asas ao nosso coração
E un uomo dotato di un cuore alato può solo alzarsi e volare
E um homem dotado de um coração alado, somente pode alçar-se ao voo,
Farò che il sogno che brucia il mio cuore dilaghi come fa il mare
Farei com que o sonho que queima em meu coração transborde como o mar
Quando si gonfia di vento e tempesta e nulla lo può fermare
Quando insufla-se de ventos e tempestades e nada pode detê-lo
Le mie falangi saranno quell'onda che nulla potrà mai arrestare
As minhas falanges serão aquela onda que nada poderá parar
E il mio nome, Alessandro, sarà vessillo di forza e gloria in eterno!
E o meu nome Alexandre, será penhor de força e gloria pela eternidade!

Fratelli macedoni è il tempo 
Irmãos Macedônios é o tempo
Di essere uomini adesso!
De sermos homens agora!
La storia ricorda solo il coraggio, 
A história recorda somente a coragem,
L'onore e le epiche gesta!
A honra e as gestas épicas!
Il resto non conta!
O resto não conta!

Prima la Tracia, poi la Cappadocia, l'Armenia, fino in Babilonia
Primeiro a Trácia, depois a Capadócia, a Armênia, até a Babilônia,
Lungo sentieri infestati da belve, guerrieri e a guardia la morte
Longos caminhos infestados de bestas, guerreiros e a sentinela morte,
Su quelle terre farò germogliare col sangue città come il sole
Sob aquelas terras farei germinar com sangue cidades como o sol,
Che splenderanno a fulgido esempio di cosa può fare il coraggio!
Que resplandecerão como um fulgido exemplo das coisas que a coragem pode fazer!

Fratelli Macedoni è il tempo 
Irmãos Macedônios é o tempo
Di essere uomini adesso!
De sermos homens agora!
La storia ricorda solo il coraggio, 
A história recorda somente a coragem,
L'onore e le epiche gesta!
A honra e as gestas épicas!
Il resto non conta!
O resto não conta!

Giunto sull'Indo, al confine del sogno, io provo soltanto sgomento
Junto ao Indo, nos  confins do sonho, eu experimento somente desânimo,
Non c'è mai fine a questo mondo e fermarmi non posso farlo,
Este mundo não tem fim, e parar eu não posso,
Ma guardo i guerrieri, i miei fratelli provati da troppe battaglie
Mas o observo os guerreiros, os meus irmãos provados em muitas batalhas
Dovere rinunciare, tornare indietro, lo so, vorrà dire morire!
Dever renunciar, voltar atrás, eu sei, significa morrer!

Fratelli macedoni è il tempo 
Irmãos Macedônios é o tempo
di essere uomini adesso!
de sermos homens agora!
La storia ricorda solo il coraggio
A história recorda somente a coragem
L'onore e le epiche gesta!
A honra e as gestas épicas!
Il resto non conta!
O resto não conta!