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sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Aparecer para o combate

Devemos fazer algo, não possuir mentalidade de vítima, que chora e se curva perante os paroximos da vida, sempre presa de um renovado algoz. Não, como homens não nos cabe viver assim, com o espírito recolhido.

Sim, não temos poder, e daí? Nosso dever é conquistá-lo, a vida é uma senda de batalhas e conquistas, não há como alguém afastar-se disso, doutro modo não poderá dizer que se vive realmente.

Aparecer para o combate da vida, contra aquilo que reprime seu espírito, reafirmar a vontade de viver, marcar sua presença aqui e agora, dar tudo de si pelo que tu acreditas, lutar o bom combate, colocando em cada gesto, ação, o impacto arrebatador de todo seu coração. Não há derrota num caso assim, mesmo que sejas destruído o próprio fato de tu consolidares tua alma no mundo real, isso é a própria vitória, externares teu espírito puro e divino, ao fazeres isso trazes um pouco da divindade à terra.

A Espada Atlante!

 


Um símbolo apropriado para tornar viva essa ideia.

Perseguido pelos lobos o escravo Conan adentra a cripta. Recebe o dom ancestral, a espada atlante, simbolizando o espírito, emerge da cripta um guerreiro, com a espada rompe as cadeias de sua escravidão. 

Eis a verdadeira liberdade dar largueza desabrida ao espírito, trazer sua essência ao mundo real.

sábado, 17 de outubro de 2020

Homem lança-te à ação

Homem lança-te à ação, não há mais tempo a perder. A vida é preciosa. Carregue todas tuas ações com o peso de teu espírito. A capacidade da contemplação é divina, use-a para trazer à tona teu verdadeiro Eu, tu és um oceano profundo insondado. Porque se contentar com as águas da superfície quando o todo de sua alma permanece escondido, suprimido? Quando esqueces de buscar tua verdadeira essência, quando te entregas ao que um mundo iníquo te oferece como alternativa. A vida material só adquire sentido quando permeada pelo poder de teu espírito, que se manifesta através da contemplação ativa.

Expressada através da antiga cosmovisão germânica de desafiar constantemente o destino, não deixar nada para ele decidir, arrojar-se com denodo brandindo a espada do espírito e cravá-la no corpo do destino até o pomo, a despeito das consequências, numa explosão constante de força vital. Existe desprendimento maior? Existe fidelidade mais pura à própria alma, a si mesmo?

Tua missão é escrever o livro de tua história com nobreza. Com a pureza de sua alma, a centelha divina. Comandar teus sentidos e não ser comandado por eles, não desperdiçar a vida com distrações ignóbeis, consciente de sua virtude, o que te põe à parte, num mundo de cegos conduzindo cegos. Pense nos valores que hoje são ditos por bons, são aceitáveis para ti, ou és de uma natureza mais nobre? Ou tuas virtudes são outras?

Os valores atuais desaparecerão com a nossa era, os valores eternos hoje esquecidos pela maioria, mas não por ti, encarne-os. A verdade transcendente está ao seu alcance se te guiares pela natureza de teu espírito.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Experiências



Em nosso mundo moderno, variadas são as garras que podem escravizar a alma do homem jovem, escapismos propostos pela sociedade como normais e aceitáveis, íncubos tecnológicos, pestilências técnicas que devoram seu espírito e toda sua energia vital.

Redes sociais, pornografia, jogos eletrônicos, criam uma teia fatal em sua vida, em que eventualmente escapar dela será uma impossibilidade. A tecnologia como fim é uma erro, que obsta que o homem possa viver sua vida como a natureza o ordenou, a campo aberto, entre as montanhas, com a pele dourada pelo sol do meio dia, e as roupas sazonadas pelo ventos cortantes ou acalentadores.

Ao invés, o contrário é o que acontece, enclausurados em quartos de concreto, enredados numa vida em que um dia é sempre igual ao outro, vivendo suas vidas através de uma tela, com falsos amigos, falsas sensações, falsas relações, ou até não diria falsas, mas imaginárias. Assim o homem apodrece, incapaz de experimentar a vida em sua tumultuosa variedade ilógica, artística, de beleza multicolor, e intensidade muscular e esportiva.

Não anda de cabeça erguida, teme o sol, teme andar a campo aberto, teme a ausência de conforto e segurança, teme abandonar o simulacro de vida que fizera para si mesmo. Ignorante que essa mesma segurança e confortos são farsas insustentáveis que eventualmente hão de ruir.

Uma vida plena é vivida no mundo real, com dores reais, prazeres reais, sentimentos reais, tudo mais é ilusão, especialmente esse embaraço tecnológico em que nos enleiam as grandes corporações, não se pode chamar um homem de amigo sem tem olhado a honestidade nos olhos dele, sem ter apertado sua mão ou ouvido a sinceridade em sua voz.

Somente assim se constrói uma tribo, uma irmandade, verdadeiras relações. A natureza social do homem é uma realidade inexorável, que não pode ser suprimida ou desviada, os homens foram feitos uns para os outros já diziam todos os axiomas das grandes filosofias não subvertidas ou degeneradas. 

E assim deve ser, na natureza o lobo sem sua alcateia, morre de fome ou exposto, assim são os homens e é preciso seguir essa lei, por mais difícil que seja hoje em dia, encontrar homens com natureza semelhante a nossa a quem possamos chamar amigos.

domingo, 24 de março de 2019

Destino eu te sigo!

"Schicksal, ich folge dir! Und wollt' ich nicht,
ich müsst' es doch und unter Seufzen thun!"

"Destino eu te sigo! Se não o quisesse,
eu teria de fazê-lo, mesmo que em lágrimas!"

Nietzsche, provavelmente citando algum estóico, Aurora, 195.

Curiosa a impressão que temos, quando confortáveis e saudáveis, protegidos pela sociedade e circunstâncias, parecemos esquecer a natureza mutante do mundo e universo. E mesmo não a queremos.

Que tudo é mudança, tudo deve mudar. Porque a vida necessita disso, e tudo que é estático e permanente ou é Deus ou é o nada, o vazio. Na verdade ambos.

Que a saúde se tornará doença, que a juventude, velhice, que a vida, morte. E a morte, vida de novo. Que a nossa existência se concatena com o todo, a natureza.

Que apreciemos a juventude e força que a natureza nos dá, e realizemos a tarefa de viver dignamente, como homens, fiéis ao verdadeiro Eu, a centelha divina, a razão. E não como animais corrompidos. E não lamentemos a morte, a doença, o decaimento, pois essa é a natureza do mundo, que afeta a todos igualmente, e a vida se revigora através desses ciclos.

A mudança virá. Que não desperdicemos nossas vidas vivendo-as levianamente, indignamente.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sala dos Espelhos



Der junge Mann betrat eines Tages einen Spiegelsaal,
O jovem homem adentrou um dia a sala dos espelhos,
und entdeckte eine Spiegelung seines Selbst.
E descobriu uma imagem refletida de si.

Sogar die größten Stars
Até mesmo os maiores astros
entdecken sich selbst im Spiegelglas'.
Descobrem-se no cristal do espelho.

Manchmal sah er sein wirkliches Gesicht,
Algumas vezes, ele via seu rosto de sempre,
und manchmal einen Fremden, den kannte er nicht.
E outras vezes, um desconhecido, completamente estranho.

Sogar die größten Stars
Até mesmo os maiores astros
finden ihr Gesicht im Spiegelglas'.
Encontram seus rostos no cristal do espelho.

Manchmal verliebte er sich in seinem Spiegelbild',
Algumas vezes ele se apaixonava pela própria imagem,
und dann wiederum, sah er ein Wahnbild.
E então, novamente, via uma alucinação.

Sogar die größten Stars
Até mesmo os maiores astros
mögen sich nicht im Spiegelglas'.
Não gostam de si mesmos, no cristal do espelho.

Er schuf die Person, die er sein wollte,
Ele criou a pessoa que queria ser,
und wechselte in einer neunen Persönlichkeit.
e mudou-se em uma nova personalidade.

Sogar die größten Stars
Até mesmo os maiores astros

verändern sich im Spiegelglas'.
Metamorfoseiam-se no cristal do espelho.

Der Kunstler lebt im Spiegel
O artista vive no espelho
mit dem Echo seines Selbst.
com o eco de si.

Sogar die größten Stars
Até mesmo os maiores astros
leben ihr Leben im Spiegelglas'.
Vivem suas vidas no cristal do espelho.

Sogar die größten Stars
Até mesmo os maiores astros
machen sich zurecht im Spiegelglas'.
Adornam-se no cristal do espelho.

Sogar die größten Stars
Até mesmo os maiores astros
leben ihr Leben im Spiegelglas'.
Vivem suas vidas no cristal do espelho.

terça-feira, 10 de abril de 2012

A cidade

A meu predileto amigo o Sr. Dr. Betoldi

A cidade ali está com seus enganos,
Seu cortejo de vícios e traições,
Seus vastos templos, seus bazares amplos,
Seus ricos paços, seus bordéis salões.
 

A cidade ali está: sobre seus tetos
Paira dos arsenais o fumo espesso,
Rolam nas ruas da vaidade os coches
E ri-se o crime à sombra do progresso.
 

A cidade ali está: sob os alpendres
Dorme o mendigo ao sol do meio-dia,
Chora a viúva em úmido tugúrio,
Canta na catedral a hipocrisia.
 

A cidade ali está: com ela o erro,
A perfídia, a mentira, a desventura...
Como é suave o aroma das florestas!
Como é doce das serras a frescura!
 

A cidade ali está: cada passante
Que se envolve das turbas no bulício
Tem a maldade sobre a fronte escrita,
Tem na língua o veneno e nalma o vício.

Não, não é na cidade que se formam
Os fortes corações, as crenças grandes,
Como também nos charcos das planícies
Não é que gera-se o condor dos Andes!

Não, não é na cidade que as virtudes,
As vocações eleitas resplandecem,
Flores de ar livre, à sombra das muralhas
Pendem cedo a cabeça e amarelecem.
 

Quanta cena infernal sob essas telhas!
Quanto infantil vagido de agonia!
Quanto adultério! Quanto escuro incesto!

Quanta infâmia escondida à luz do dia!
 

Quanta atroz injustiça e quantos prantos!
Quanto drama fatal! Quantos pesares!
Quanta fronte celeste profanada!
Quanta virgem vendida aos lupanares!

Quanto talento desbotado e morto!
Quanto gênio atirado a quem mais der!
Quanta afeição cortada! Quanta dúvida!
Num carinho de mãe ou de mulher!

Eis a cidade! Ali a guerra, as trevas,
A lama, a podridão, a iniqüidade;
Aqui o céu azul, as selvas virgens,
O ar, a luz, a vida, a liberdade!
 

Ali medonhos, sórdidos alcouces,
Antros de perdição, covis escuros,
Onde ao clarão de baços candeeiros
Passam da noite os lêmures impuros;
 

E abalroam-se as múmias coroadas,
Corpos de lepra e de infecção cobertos,
Em cujos membros mordem-se raivosos
Os vermes pelas sedas encobertos!

Aqui verdes campinas, altos montes,
Regatos de cristal, matas viçosas,
Borboletas azuis, loiras abelhas,
Hinos de amor, canções melodiosas.
 

Ali a honra e o mérito esquecidos,
Mortas as crenças, mortos os afetos,
Os lares sem legenda, a musa exposta
Aos dentes vis de perros objetos!

Presa a virtude ao cofre dos banqueiros,
A lei de Deus entregue aos histriões!
Em cada rosto o selo do egoísmo,
Em cada peito um mundo de traições!

Depois o jogo, a embriaguez, o roubo,
A febre nos ladrilhos do prostíbulo,
O hospital, a prisão... Por desenredo
A imagem pavorosa do patíbulo!

Eis a cidade!... Aqui a paz constante,
Serena a consciência, alegre a vida,
Formoso o dia, a noite sem remorsos,
Pródiga a terra, nossa mãe querida!
 

Salve, florestas virgens! Rudes serras!
Templos da imorredoura liberdade!
Salve! Três vezes salve! Em teus asilos
Sinto-me grande, vejo a divindade!


Fagundes Varella

sábado, 6 de novembro de 2010

Aqui



(clique na imagem)

Que atmosfera feérica, nessas florestas tudo parece belo, o ar puro em contato com meus pulmões outorga-me o prazer da simbiose com o espírito da terra, inundando meu ser de leveza, de saúde e bondade.


Esses paredões escarlate, pelos quais os ventos alegremente dançam numa sinfonia de maviosos acordes, esses paredões resguardam minha alma, da destruição, do ódio, das razzias provocadas pelas hordas sem face, uniformes em sua marcha tétrica em direção a morte. Aqui meu espírito regozija-se ao sabor das variegadas multitudes de cores que pululam em cada ser vivo. Esse baluarte da vida, desde sempre essas muralhas da natureza que se elevam ao infinito, as máculas, dores, desonra, medos, tudo desvanece nessas paragens onde o amor irrora em cada átomo desse lugar, mil vezes abençoado pelos Deuses.

Aqui, respirando as nuvens, descaio nos mais doces devaneios, na miríade de visões celestiais que se descortinam nessas rochas, e minha alma se despe de todo constrangimento, todo peso desnecessário, nessas altitudes, nessas muralhas invencíveis, pela eternidade, o mundo se arrasta perante mim, e me encontro no puro fluxo do pequeno riacho, no vigor das florestas, no cantarolar dos pássaros, tudo é belo, na policromia desse sonho, a maldição é quebrada...