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segunda-feira, 12 de junho de 2023

A Luz da Sabedoria

A Sabedoria, um conhecimento inefável que salva o homem de muitos trabalhos e é refrigério para aqueles que mesmo tarde se disporem a andar pelos trilhos de sua disciplina.

Através da Sabedoria colhemos os frutos da árvore da imortalidade, uma alma pura, uma linhagem bem-criada e um entendimento distinto, incorrupto pelo vagalhão de sensualidades que é o nosso mundo.

 

 

Sendo tão bom, por que tão poucos meditam nela? Não é ela em si. Hoje, poucos homens meditam em absoluto, imersos nesses estímulos infinitos, menos ainda nos pensamentos que rodam em seus corações, pouco refletimos em nós mesmos, ou se refletimos, ainda assim somos permeados de estímulos externos, não é uma reflexão profunda.

Se somos estultos a ponto de pouco ouvir e refletir sobre nossas próprias almas, que dirá sobre a Sabedoria? Essa fonte de luz mais luminosa que o sol, porém ela só resplandece como a aurora no espírito daqueles que a buscam, ela não se compadece dos negligentes e orgulhosos, esses tais, vindimam somente a ruína nas mãos dos que os espreitam, pois, a Sabedoria não os acolheu em seu seio protetor.

Cientes disso, devemos fazer cessar esses estímulos, ao menos por um tempo, e refletir profundamente na joia indefectível que a Sabedoria é para nós, no caminho reto que se descortina perante nós quando a Sabedoria dissipa a neblina da ignorância de nossos olhos, a perseverança na busca desse conhecimento nos assegurará uma vida mais pura, mais bela, mais simples.

domingo, 14 de agosto de 2011

Atitude filosófica

"Nós vivemos na era das desculpas" ~ Boyd Rice

Calor do idealismo, Valores graníticos.

A verdade é que sempre identifiquei-me com o passado e meus anseios sempre foram o de ter nascido em épocas de antanho, por várias razões, sendo os valores a principal.

Consigo ver o homem antigo como menos materialista, ganancioso, indulgente com os prazeres sensuais e imoderado, vai em minha alma, qualquer coisa símil ao espírito desses homens, e quando confronto-me com a dura realidade do presente degenerado, fraco, entregue à mais sórdida das sortes, meu desejo mais profundo seria retroceder no tempo.

Eis onde a filosofia age, para salvar-me de uma existência fútil e vulgar, pervadida de um pessimismo tolo, desconstruidor, que faria-me naufragar em um oceano de lamentações e fracassos.

A filosofia proscreve tudo quanto é contrário à razão, o desejo de mudar o imutável é plenamente ilógico, eis o porque a maioria dos filósofos julga insensatez sentir remorso por exemplo, o ato de se remoer aquilo que já é passado, não faz sentido algum do ponto de vista racional, no meu caso seria a inconformidade com o mundo moderno, e tal qual o remorso, o meu aborrecimento em ter nascido na época em que nasci, é uma estultícia completa.

E o conformismo é outro sintoma da modernidade que eu paradoxalmente caí, as pessoas não querem assumir responsabilidades por suas falhas, quando elas acontecem essas pessoas sempre tratam de arrumar um culpado para se eximirem de sua ignomínia, seja ele Deus, a natureza, a sociedade, o sistema, e qualquer outro culpado que esteja ao alcance.

Há um paradigma miserável de raciocínio que se erigiu na maioria das pessoas hoje, elas agem já com qualquer escusa em mente, mesmo antes de começar a ação, e se eventualmente essa ação vier a falhar essas pessoas tem seus alvos prontos a quem outorgar a culpa.

A verdade é que esse é um modo de pensar de fracos, e que essas pessoas ao jogar sua responsabilidade pelo fracasso em alguém ou algo tentam apenas dissimular seus próprios defeitos, são pessoas desorganizadas, viciosas, indulgentes consigo mesmas, indisciplinadas, desvirtuadas. E não querendo reconhecer a própria mediocridade, tratam logo de lançar a culpa sobre um outro fator caso suas vidas se tornem um fracasso.

Isso é o que me previne de sair vociferando contra minha condição, e de lamentar meu destino, o correto é sempre buscarmos construir o que nós achamos belo, e nos definirmos por aquilo que somos a favor e não contra, ao invés de tentar destruir o que se odeia, é sempre melhor tentar construir o mundo que amamos.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Impressões

Os Deuses observam minhas desgraças? Ouvem minhas lamúrias? Consternam-se por meu rogo? Quando tudo que se ama, escapa de ti como um sonho fugidio, nada resta senão olhar aos céus. O vigor animal não pode salvar-me, enredado na trama de ilusões, quais fui eu mesmo responsável. Eu? Ou a providência? Os sábios de outrora inferiram que o mais nobre dos sentimentos não poderia ser senão a evidência de uma centelha divina em nós...

E cá estamos com essa centelha que não mais que de repente torna-se um vórtice de flamas furiosas que devastam todas as paragens de nosso espírito causando nossa perdição... Seu poder, apenas pode ser necessariamente divino, a alma humana seria capaz de tal potestade? Creio que não. Já no imo seio desse sentimento devastador, seu sentido? Divino? Algo que faz tão mal poderia vir da providência? É possível. Minha condição é certamente deslindada nas profundezas mais inferas da escuridão. E é apenas a escuridão que descubro fomentada em mim.

Eu olhei demais dentro do abismo. E ele me olhou de volta.

Consubstancio-me com ele em sua morosidade secular, eterna, que conheceu decerto vários homens como eu, melhores que eu. Mas os da minha cepa não deveriam estar sempre voando a essas trevas? Pois se elas são inatas ao meu espírito, não o seriam também as grandes altitudes, e esse peso que como o chumbo oprime meu peito não seria outra coisa que a aversão de pulmões aclimatados as condições respiratórias extremas como ao ar rarefeito ou comprimido a essas medianias que me são completamente alógenas?

Ergo, não me escuso de arrostar o punho inexorável do meu destino, se sou fruto da terra, fui semeado em tais singulares condições, meu sangue sabe a esse terra, esse ambiente, essas pessoas, tão atabalhoadas em meu redor que observo em minha placidez estóica. Você porventura ousaria prová-lo? Meu espírito se esvai a medida que meus dedos ágeis retumbam nas teclas desse teclado. Um pouco de mim aqui fica, nessa rede, nessa trama de informações infinitas, as quais as almas curiosas que leem essas linhas também absorvem, homeopáticamente, massacro meus demônios através de vocês, nessas catárticas impressões, tão inebriadas das paixões de minha fera humana, que domo a duros golpes de virtude, alguns falhados, confesso, mas não menos válidos. Controlar-me...

Quando você se acalenta sob a égide dos braços dele, eu apenas desejo que todo o inferno suba a terra.

sábado, 6 de novembro de 2010

Aqui



(clique na imagem)

Que atmosfera feérica, nessas florestas tudo parece belo, o ar puro em contato com meus pulmões outorga-me o prazer da simbiose com o espírito da terra, inundando meu ser de leveza, de saúde e bondade.


Esses paredões escarlate, pelos quais os ventos alegremente dançam numa sinfonia de maviosos acordes, esses paredões resguardam minha alma, da destruição, do ódio, das razzias provocadas pelas hordas sem face, uniformes em sua marcha tétrica em direção a morte. Aqui meu espírito regozija-se ao sabor das variegadas multitudes de cores que pululam em cada ser vivo. Esse baluarte da vida, desde sempre essas muralhas da natureza que se elevam ao infinito, as máculas, dores, desonra, medos, tudo desvanece nessas paragens onde o amor irrora em cada átomo desse lugar, mil vezes abençoado pelos Deuses.

Aqui, respirando as nuvens, descaio nos mais doces devaneios, na miríade de visões celestiais que se descortinam nessas rochas, e minha alma se despe de todo constrangimento, todo peso desnecessário, nessas altitudes, nessas muralhas invencíveis, pela eternidade, o mundo se arrasta perante mim, e me encontro no puro fluxo do pequeno riacho, no vigor das florestas, no cantarolar dos pássaros, tudo é belo, na policromia desse sonho, a maldição é quebrada...