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domingo, 29 de maio de 2011

Monstro

Que posso fazer, enfim, se serpenteastes nas brechas de meu coração, enquanto meus pensamentos encontravam-se obtusos nas plagas inferas do abismo, e fizeste-te Leviantã na madrugada de meus reinos, apenas para eu encontrar-te pelo arrebol, um monstro deveras, que com sua flama devorou avidamente tudo que havia em meu espírito, e tornaste meu peito tão pesado, que o mero respirar torna-se dor excruciante.

Monstro que tudo oblitera, até que nada mais exista senão vós mesmo.

E orfão, desamparado e estupefato, deixas os desgraçados que acontecem de cair sob suas pesadas garras devoradoras. Uma incompletude eterna. Ensinas o mal como caminho, arrasta-me por estas sendas obscuras, com a alma rota e o corpo estropiado, erro qual andarilho, com o estomâgo constantemente fustigado por essa fome malevolente, ocasionalmente encontro mão amiga que ma sacia, raramente...

Sangue e espinhos, nada mais me espera, por esses campos brutais de morte, a angústia eterna, torcendo minha existência nas trevas da ignorância e dor, os demônios regozijam-se, são eles minha única companhia nesta catividade terrena, oferecem-me o paliativo de doces feições mas amargo beijo, eu posso em rompantes de fúria levantar a espada contra tais demônios, e aniquilar alguns deles, mas não todos, alguns são-me diletos nessa bruta estrada.

Mas tu monstro, permaneces lá, monumental, inexorável, além de mim, gostaria poder estripar-te, porém, já te encontras fora de meu poder, efetivamente, desde sempre foste parte de mim, pervades meu espírito e já cultivas tuas raízes daninhas em minha alma.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Victoria Legrand


Victoria Legrand, insigne vocalista da banda Beach House, bela, estonteantemente bela. Daquela beleza perdida nos tempos de outrora, fresca como o orvalho matinal, doce como o perfume da primavera que recende nos vaus e pelos densos bosques, uma beleza simples bucólica é tudo que se me vai na alma ao vê-la e ouvi-la.

O que o eu lírico(pois é o único que eu jamais conhecerei) dela me parece auferir é uma sensibilidade sofisticada própria das almas femininas, e que nos é tão cara a nós, homens, a jovialidade e lepidez própria das jovens mulheres, é uma torrente que não se escusa de nos levar a roldão, e que nos imerge em sua arte e seu brilhantismo, assim, creio que motivo o principal do grande sucesso desfrutado por esse duo de Baltimore, é essencialmente a presença de espírito de Legrand, que expressa tão bem todos os maravilhosos adjetivos que os poetas já outorgaram a seu gênero.

E se não me fiais a verborragia, sintais então, em vós mesmos o que digo... Não é assim?



sábado, 6 de novembro de 2010

Aqui



(clique na imagem)

Que atmosfera feérica, nessas florestas tudo parece belo, o ar puro em contato com meus pulmões outorga-me o prazer da simbiose com o espírito da terra, inundando meu ser de leveza, de saúde e bondade.


Esses paredões escarlate, pelos quais os ventos alegremente dançam numa sinfonia de maviosos acordes, esses paredões resguardam minha alma, da destruição, do ódio, das razzias provocadas pelas hordas sem face, uniformes em sua marcha tétrica em direção a morte. Aqui meu espírito regozija-se ao sabor das variegadas multitudes de cores que pululam em cada ser vivo. Esse baluarte da vida, desde sempre essas muralhas da natureza que se elevam ao infinito, as máculas, dores, desonra, medos, tudo desvanece nessas paragens onde o amor irrora em cada átomo desse lugar, mil vezes abençoado pelos Deuses.

Aqui, respirando as nuvens, descaio nos mais doces devaneios, na miríade de visões celestiais que se descortinam nessas rochas, e minha alma se despe de todo constrangimento, todo peso desnecessário, nessas altitudes, nessas muralhas invencíveis, pela eternidade, o mundo se arrasta perante mim, e me encontro no puro fluxo do pequeno riacho, no vigor das florestas, no cantarolar dos pássaros, tudo é belo, na policromia desse sonho, a maldição é quebrada...