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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

A hora da decisão

Já sentiste arrependimento de uma decisão tomada? Digo, uma decisão consciente e ponderada, com base nas informações que dispunhas a época?

Se sim, não deverias. Mesmo que os resultados tenham sido catastróficos, se foi uma decisão racional e com base em tua intuição, então é uma decisão que jamais poderia ter sido outra senão a que escolheste.

Num sentido metafísico, é possível ver as decisões mesmo como uma parte intrínseca de seu ser, algo escrito em seus genes, afinal nenhum ser humano jamais possuirá todas as informações para tomar a decisão mais adequada em determinado momento. Muitas vezes contamos somente com nossa intuição, uma sugestão para uma escolha vinda propriamente da alma, mesmo nas menores questões. 

Decidir, e assumir a decisão, é imensamente mais probo que esconder-se, ou fingir ignorância, ou esperar que os outros decidam por ti.

Mais ainda, não deves envergonhar-te de ter seguido teus instintos e a sugestão de tua alma, tolos poderão vir a censurar-te por uma decisão não muito acertada. Mas decidiste-te, isso é o que importa, sem indecisão, tomaste a frente e trouxera à baila, tua alma, teus instintos. Não há motivo para vergonha. Se caíste por causa da decisão levanta-te, e continues a decidir-te sem medo, seguindo tua consciência, de acordo com teus genes, tua alma.

Pior que uma decisão errada é ter medo de decidir, é permitir que a paralisia da indecisão rasteje para dentro de seu coração, e deixar que outros decidam e tomem as rédeas de teu destino, e decidam por ti.

Teus dias na terra estão contados, em breve partirás, seja em 10 ou 60 anos, o tempo nosso bem mais precioso, escasso, para que não trabalhemos em materializar nossos sonhos e projetos de alma aqui nesse plano material, fazendo isso tornamos o mundo belo e bom, pois o que advém do espírito é sempre bom, se não o é, significa que há uma corrupção ou ilusão.

Construa a visão de sua alma no mundo terreno, torne o mundo melhor, essa visão que tu segues, que ela esteja em tua mente sempre, que ela seja a razão das escolhas que tu fazes hoje, que ela seja o magneto que te atrai para o futuro através de uma senda virtuosa de significado e propósito, o teu propósito é o propósito de tua alma, lute por isso e jamais envergonhe-te dessa luta e das decisões tomadas nessas batalhas.

sábado, 6 de novembro de 2010

Aqui



(clique na imagem)

Que atmosfera feérica, nessas florestas tudo parece belo, o ar puro em contato com meus pulmões outorga-me o prazer da simbiose com o espírito da terra, inundando meu ser de leveza, de saúde e bondade.


Esses paredões escarlate, pelos quais os ventos alegremente dançam numa sinfonia de maviosos acordes, esses paredões resguardam minha alma, da destruição, do ódio, das razzias provocadas pelas hordas sem face, uniformes em sua marcha tétrica em direção a morte. Aqui meu espírito regozija-se ao sabor das variegadas multitudes de cores que pululam em cada ser vivo. Esse baluarte da vida, desde sempre essas muralhas da natureza que se elevam ao infinito, as máculas, dores, desonra, medos, tudo desvanece nessas paragens onde o amor irrora em cada átomo desse lugar, mil vezes abençoado pelos Deuses.

Aqui, respirando as nuvens, descaio nos mais doces devaneios, na miríade de visões celestiais que se descortinam nessas rochas, e minha alma se despe de todo constrangimento, todo peso desnecessário, nessas altitudes, nessas muralhas invencíveis, pela eternidade, o mundo se arrasta perante mim, e me encontro no puro fluxo do pequeno riacho, no vigor das florestas, no cantarolar dos pássaros, tudo é belo, na policromia desse sonho, a maldição é quebrada...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sonho

Ah, estamos quase na primavera! Inverno, sois demasiado prolixo, tomais demasiado tempo à minha sensibilidade, ao meu espírito exclusivo, Primavera, gostaria de falar-lhe ao ouvido.
Lançar ao teu entendimento as doces palavras suaves, nos laivos de poesia que escorrem de meus olhos, sob tua leve brisa, um beijo de gratidão à natureza, tanto ao céu azul, como ao oceano arquipotente.
Poderia eu supor que me amas deveras? Primavera, seus leves fluxos me renovam, sinto a vida na morte, e minh'alma a evolar nas cumeadas superiores, e subitamente descair em terríveis prazeres, e tudo está em harmonia e tudo está feliz.
Ah, vede! A Primavera chega, essa nobre donzela, traz com ela seus benévolos eflúvios, mas ontem eu estava perturbado e recolhi-me ao leito mais cedo que o de costume, tive um belo sonho, tive um sonho inesquecível, ah, hoje eu despertei com a alma repleta de delicadeza, estive volando pelos átrios de meu solar por todo o dia, homiziado, tal qual benigno aventesma, a divagar... Já que o sonho foi incrível cabe a mim relatá-lo.
...Via-me eu num bosque escuro e sombrio, perante uma fonte de mármore branco, a água refratava em seu brilho cristalino o fulgor argênteo de uma lua plácida e soberana, noctívaga como eu, o ar era úmido e frio, ao meu redor apenas a penumbra de uma mata densa de abetos, carvalhos e oliveiras, o que eu conseguia ouvir era o murmurar da água, e eis que eu vejo uma cadeira de ouro com um suntuoso estofado de seda e um florete ao seu lado, também com áurea bainha, eu, vagarosamente sentei-me naquela cadeira, iluminada apenas pelo luar, suavemente fui desembainhando aquele florete ornamentado, respirando o fresco ar da madrugada, e me pus calmo e absorto a contemplar a escuridão, imerso na gravidade de uma solitude aristocrática, tal qual um rei, após alguns instantes, dois pontos a brilhar na obscuridade, e das arvores se descobria uma mulher, uma invulgar presença, que me desconcertava completamente! Ela era dotada de uma rara beleza, à medida que ela se aproximava de mim eu distinguia seus suaves traços sob o clarão do luar, sua sedosa e esvoaçante cabeleira, os olhos, da cor e com o brilho de safiras, ao deslindar tamanha beldade, encontrei-me em uma letargia extática, um milhão de explosões sensoriais grassavam pelo meu corpo, enquanto ela vinha em minha direção, ela me despertou um intenso desejo, inexplicável em palavras, sentia inflamar-se em mim um anseio desesperado por seus beijos, ela parou a minha frente, por um instante eu deslizei meus olhos enleados sobre ela dos pés a cabeça, ah, que visão celestial, privilégio indescritível, eu vibrava de tensão numa deliciosa expectativa, ela curvou-se sobre mim até eu sentir sua ofegante respiração sobre meu rosto, seu hálito era melífluo e balsâmico, como dos lírios e jasmins em flor, ela me olhava fixamente, seu olhar era lânguido porém envolvido de certa lascívia, ela se levanta e começa se despir , céus, eu nunca vira até ontem, curvas tão perfeitas, a pele branquíssima como a neve, consubstanciando em si toda a delicadeza e suavidade nos traços própria das Deusas do Olimpo, eis a mulher de meus sonhos, minha musa! Ela tomou minha mão, levantei-me, ela enlaçou meu pescoço, ainda com aquele olhar, aqueles grandes olhos verdes, me entorpeciam, os lábios rubros se oferecendo a mim, colhi um beijo então, naquela linda face, senti sua língua quente e macia na minha, depois ela parou seus olhos nos meus, e após, sussurrou em meu ouvido com voz cristalina:
- Guarda-me com teu sangue, pois sou tua honra, ama-me com teu coração, pois eu vos completo.
Logo depois ela me entregou o florete com a roda do sol cravada na manopla , então tudo se desvaneceu...

Tenaglia