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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Os raios lunares pela janela...

Os raios lunares pela janela,
denotam a face singela,
olhar fixo ao chão,
mente em pensamento loução.

Da alta noite o silêncio,
à morte propenso,
esquecido pelas ruas
vagas em formas nuas.

Para quietude da floresta
à aplacar a dor que se apresta,
da mata o negrume,
riscado pelo vagalume.

E a floresta em sua multitude
guarda em minha serena atitude
do passado ecos longínquos
de valores já extintos.

Quando já não posso mais gritar
o que me lacera por dentro,
sou obrigado a errar
imergido em sofrimento.

E minha alma daqui não se pode mover,
na floresta pela eternidade,
perpétuo anoitecer,
permaneço, açoitado em soledade.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Poema

Vagando por caminhos infindos,
buscando resposta em meu interior,
demônios, da noite vindos
caçam-me no meu langor.

Perdido em minha confusão mental
apenas a dor compõe minhas melodias,
e a dor somente é real
pois a dor permeia meus dias.

Insuportável opressão da alma,
ao meu redor tudo parece ruir,
fogem-me toda serenidade e calma,
é o mundo que eu quero destruir.

domingo, 24 de outubro de 2010

Pelos ermos da vastidão...





"Autumn Evening" ~ Franz Von Stuck

Pelos ermos da vastidão,
Onde a luz já morreu,
A calma noite e fria escuridão,
enchem a floresta de breu.

No silêncio mortal,
O guerreiro erra pelos campos,
Na mão, espada letal,
Que leva morte a tetros antros.

Alquebrado pelas vagas da infâmia,
O guerreiro lança-se a solitude,
Revolvido nos vórtices da insânia,
Definhado a decrepitude.

Imerso nos raios argênteos
Que a gélida lua despende,
Enregelado nos mares plúmbeos,
Da morte preeminente.

Evolando-se nas glórias de outrora,
Lamentando o infame "agora",
Que infecta seu espírito
Da modernidade o ignóbil rito.

No negror dos tempos modernos,
conspurcado em igualitários infernos,
Em um mundo não mais seu,
Onde a luz da tradição escureceu.

O guerreiro avança solitário,
Em seu imperium internum imiscuído,
Das virtudes no espiritual relicário,
Porta com o desvelo devido.

Cavalga face a obliteração,
Mantém-se fiel a seu coração,
Que na desonra das cidades viver,
Melhor nessas florestas, pela espada desvanecer...

Tenaglia

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sonho

Ah, estamos quase na primavera! Inverno, sois demasiado prolixo, tomais demasiado tempo à minha sensibilidade, ao meu espírito exclusivo, Primavera, gostaria de falar-lhe ao ouvido.
Lançar ao teu entendimento as doces palavras suaves, nos laivos de poesia que escorrem de meus olhos, sob tua leve brisa, um beijo de gratidão à natureza, tanto ao céu azul, como ao oceano arquipotente.
Poderia eu supor que me amas deveras? Primavera, seus leves fluxos me renovam, sinto a vida na morte, e minh'alma a evolar nas cumeadas superiores, e subitamente descair em terríveis prazeres, e tudo está em harmonia e tudo está feliz.
Ah, vede! A Primavera chega, essa nobre donzela, traz com ela seus benévolos eflúvios, mas ontem eu estava perturbado e recolhi-me ao leito mais cedo que o de costume, tive um belo sonho, tive um sonho inesquecível, ah, hoje eu despertei com a alma repleta de delicadeza, estive volando pelos átrios de meu solar por todo o dia, homiziado, tal qual benigno aventesma, a divagar... Já que o sonho foi incrível cabe a mim relatá-lo.
...Via-me eu num bosque escuro e sombrio, perante uma fonte de mármore branco, a água refratava em seu brilho cristalino o fulgor argênteo de uma lua plácida e soberana, noctívaga como eu, o ar era úmido e frio, ao meu redor apenas a penumbra de uma mata densa de abetos, carvalhos e oliveiras, o que eu conseguia ouvir era o murmurar da água, e eis que eu vejo uma cadeira de ouro com um suntuoso estofado de seda e um florete ao seu lado, também com áurea bainha, eu, vagarosamente sentei-me naquela cadeira, iluminada apenas pelo luar, suavemente fui desembainhando aquele florete ornamentado, respirando o fresco ar da madrugada, e me pus calmo e absorto a contemplar a escuridão, imerso na gravidade de uma solitude aristocrática, tal qual um rei, após alguns instantes, dois pontos a brilhar na obscuridade, e das arvores se descobria uma mulher, uma invulgar presença, que me desconcertava completamente! Ela era dotada de uma rara beleza, à medida que ela se aproximava de mim eu distinguia seus suaves traços sob o clarão do luar, sua sedosa e esvoaçante cabeleira, os olhos, da cor e com o brilho de safiras, ao deslindar tamanha beldade, encontrei-me em uma letargia extática, um milhão de explosões sensoriais grassavam pelo meu corpo, enquanto ela vinha em minha direção, ela me despertou um intenso desejo, inexplicável em palavras, sentia inflamar-se em mim um anseio desesperado por seus beijos, ela parou a minha frente, por um instante eu deslizei meus olhos enleados sobre ela dos pés a cabeça, ah, que visão celestial, privilégio indescritível, eu vibrava de tensão numa deliciosa expectativa, ela curvou-se sobre mim até eu sentir sua ofegante respiração sobre meu rosto, seu hálito era melífluo e balsâmico, como dos lírios e jasmins em flor, ela me olhava fixamente, seu olhar era lânguido porém envolvido de certa lascívia, ela se levanta e começa se despir , céus, eu nunca vira até ontem, curvas tão perfeitas, a pele branquíssima como a neve, consubstanciando em si toda a delicadeza e suavidade nos traços própria das Deusas do Olimpo, eis a mulher de meus sonhos, minha musa! Ela tomou minha mão, levantei-me, ela enlaçou meu pescoço, ainda com aquele olhar, aqueles grandes olhos verdes, me entorpeciam, os lábios rubros se oferecendo a mim, colhi um beijo então, naquela linda face, senti sua língua quente e macia na minha, depois ela parou seus olhos nos meus, e após, sussurrou em meu ouvido com voz cristalina:
- Guarda-me com teu sangue, pois sou tua honra, ama-me com teu coração, pois eu vos completo.
Logo depois ela me entregou o florete com a roda do sol cravada na manopla , então tudo se desvaneceu...

Tenaglia

Nietzsche



Das fulgurantes chamas
Que inflamam a vida,
À vontade de poder clama
A palma da fraqueza já vencida!

Ressurgindo como aurora imprevista
Vai devastando o espírito,
Elevando-se acima da vista;
Apagando o que outrora foi escrito!

Apossando-se cada vez mais forte.
Dos esquálidos executando a sorte,
Pela violência extrema da natureza
Impondo-se por cruel nobreza.

Voando acima da mediocridade
Que se encerra no mundo moderno.
Destruindo com ferocidade,
A vileza do inimigo interno!

E ri-se diante do perigo!
E da morte é notável amigo!
Este vagalhão que à alma assalta,
Este titã que se exalta!

Vibrando violentos golpes
Ao destino pachorrento!
Da terra a frementes galopes
Afasta-se como o vento!

Rasgando o céu fulgurante!
Estilhaçando num instante!
Os matizes da hipocrisia
Que se mesclam em democracia.

A vontade que em mim ruge,
Do interno peito ressurge!
Que me toma de todo
E alça-me do lodo!

A vós águia destruidora!
Que da altura dos píncaros nevados,
Contemplou inferiores estados
Da mentira avassaladora!

E no ar rarefeito
Que sempre respiramos,
Em nosso caminho sempre estreito
Tudo nos parece humano, demasiado humano...


Tenaglia


domingo, 4 de abril de 2010

Da alma do artista moderno



Muitas são as simples minudências

Do escritor de modernas tendências

Esses seres que me aviltam,

Cantarei esses biltres, malgrado mo permitam


O sorriso amarelo, o simples jeitinho

Poetam sentimentos e coisas sem sentido

Dos “inhos” nojentos sempre mestres no escarninho

De emoções puras signo vil hão mantido


Essa raça inferior, vis celerados

Dominam tudo e dominam nada

Tudo, em qualquer lugar coalham e são encontrados

Nada, arte por eles é execrada


São todos tão humanos e sensíveis

Na falta de talento patente

No escrever são bastante sofríveis

Da literatura, não alcançam céu arquipotente


Mistura são de movimentos pífios

De belo não lhes restam nem resquícios

Realistas pútridos é o que são

Destarte não possuem nem o vão


Voam baixo como mosquitos

Da potência nunca alcançam a plenitude

Poesia de baixa magnitude

São da literatura os detritos


São publicados com certeza

Nestes tempos de degustada imundície

De intelectuais impõe-se grandeza

Não passam de mais fina ralé da tolice


Anárquicas revoluções de auto-expressão

Querem escapar eles a superpopulação

Não sendo mais um na multidão

Custando isso da arte a violação


São muito fracos por certo

Incultos e inférteis os quero por perto

Que contemplando a arte decadente

O poder da antiguidade sinto em mim vivente


05/07/2006