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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Os raios lunares pela janela...

Os raios lunares pela janela,
denotam a face singela,
olhar fixo ao chão,
mente em pensamento loução.

Da alta noite o silêncio,
à morte propenso,
esquecido pelas ruas
vagas em formas nuas.

Para quietude da floresta
à aplacar a dor que se apresta,
da mata o negrume,
riscado pelo vagalume.

E a floresta em sua multitude
guarda em minha serena atitude
do passado ecos longínquos
de valores já extintos.

Quando já não posso mais gritar
o que me lacera por dentro,
sou obrigado a errar
imergido em sofrimento.

E minha alma daqui não se pode mover,
na floresta pela eternidade,
perpétuo anoitecer,
permaneço, açoitado em soledade.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Poema

Vagando por caminhos infindos,
buscando resposta em meu interior,
demônios, da noite vindos
caçam-me no meu langor.

Perdido em minha confusão mental
apenas a dor compõe minhas melodias,
e a dor somente é real
pois a dor permeia meus dias.

Insuportável opressão da alma,
ao meu redor tudo parece ruir,
fogem-me toda serenidade e calma,
é o mundo que eu quero destruir.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Amor é aristocrático



"Dante meets Beatrice at Ponte Santa Trinita" ~ Henry Holiday, 1883

O amor é aristocrático, não encontrá-lo-ás em qualquer esquina, e o fato dele estar na boca dessas almas vãs é um insulto mesmo a ordem divina que transmuta-se em ordem natural no nosso efêmero plano de existência.

O amor em nosso espírito nada mais é que o sopro celestial dos Deuses ciciando em nossas orelhas o comando marcial que seguimos docilmente, imperativos desse tirano que mormente nos arrasta em seus arroubos.

Arroubos que ribombam o troar magnífico de todas as potências ocultas ao homem. D'outro modo, como se inteligiriam esses clarões que por vezes fulguram nos atos dos homens, atos de heroísmo, superação, ou simples eterna resiliência. Que aproxima o homem dos Deuses.

O amor é aristocrático, grassa nos corações jovens, sua forma mais pura, o amor além da decadência de nossos corpos mortais, além da imortalidade, além da eternidade, para muito mais além da existência banal da maioria da humanidade vil... da fornicação vulgar dos torpes.

E como explicar essa magnificência espiritual que se denomina amor? Magia, divindade, providência, capricho da natureza, alguma combinação química efetuada em nossos cérebros pelo mero acaso? Que me importa já? Sua existência é indelével, inexpugnável da alma humana. Se é nobre, ama.

Dante Alighieri sentia em si o arrebatamento febril tão intenso, que isso lhe causava tristes pesadelos, mas belíssimos sonhos outrossim, tão virulento foi o assalto amoroso, que em extâse catártico, imortalizou o objeto de suas doces tenções, em duas obras magnas da literatura mundial.

A honra e o amor, entrelaçados, sempre juntos, inerentes perante a natureza, epítome erigida pelos Deuses, um culto a vida... Se tu soubesses o que inspiras em meu peito...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Impressões

Os Deuses observam minhas desgraças? Ouvem minhas lamúrias? Consternam-se por meu rogo? Quando tudo que se ama, escapa de ti como um sonho fugidio, nada resta senão olhar aos céus. O vigor animal não pode salvar-me, enredado na trama de ilusões, quais fui eu mesmo responsável. Eu? Ou a providência? Os sábios de outrora inferiram que o mais nobre dos sentimentos não poderia ser senão a evidência de uma centelha divina em nós...

E cá estamos com essa centelha que não mais que de repente torna-se um vórtice de flamas furiosas que devastam todas as paragens de nosso espírito causando nossa perdição... Seu poder, apenas pode ser necessariamente divino, a alma humana seria capaz de tal potestade? Creio que não. Já no imo seio desse sentimento devastador, seu sentido? Divino? Algo que faz tão mal poderia vir da providência? É possível. Minha condição é certamente deslindada nas profundezas mais inferas da escuridão. E é apenas a escuridão que descubro fomentada em mim.

Eu olhei demais dentro do abismo. E ele me olhou de volta.

Consubstancio-me com ele em sua morosidade secular, eterna, que conheceu decerto vários homens como eu, melhores que eu. Mas os da minha cepa não deveriam estar sempre voando a essas trevas? Pois se elas são inatas ao meu espírito, não o seriam também as grandes altitudes, e esse peso que como o chumbo oprime meu peito não seria outra coisa que a aversão de pulmões aclimatados as condições respiratórias extremas como ao ar rarefeito ou comprimido a essas medianias que me são completamente alógenas?

Ergo, não me escuso de arrostar o punho inexorável do meu destino, se sou fruto da terra, fui semeado em tais singulares condições, meu sangue sabe a esse terra, esse ambiente, essas pessoas, tão atabalhoadas em meu redor que observo em minha placidez estóica. Você porventura ousaria prová-lo? Meu espírito se esvai a medida que meus dedos ágeis retumbam nas teclas desse teclado. Um pouco de mim aqui fica, nessa rede, nessa trama de informações infinitas, as quais as almas curiosas que leem essas linhas também absorvem, homeopáticamente, massacro meus demônios através de vocês, nessas catárticas impressões, tão inebriadas das paixões de minha fera humana, que domo a duros golpes de virtude, alguns falhados, confesso, mas não menos válidos. Controlar-me...

Quando você se acalenta sob a égide dos braços dele, eu apenas desejo que todo o inferno suba a terra.