domingo, 19 de abril de 2020
Exercícios do eu lírico
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Dulcinéia
CARTA DE D. QUIXOTE A DULCINÉIA DEL TOBOSO
Teu até à morte
Cervantes e Saavedra, Miguel de, O engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha, Volume I, Capitulo XXV.
"— Não poderei afirmar se a minha doce inimiga gosta, ou não, de que o mundo saiba que eu a sirvo. Só posso dizer, em resposta ao que tão respeitosamente se me pede, que o seu nome é Dulcinéia, sua pátria Toboso, um lugar da Mancha; a sua qualidade há-de ser, pelo menos, Princesa, pois é Rainha e senhora minha; sua formosura sobre-humana, pois nela se realizam todos os impossíveis e quiméricos atributos de formosura, que os poetas dão às suas damas; seus cabelos são ouro; a sua testa campos elísios; suas sobrancelhas arcos celestes; seus olhos sóis; suas faces rosas; seus lábios corais; pérolas os seus dentes; alabastro o seu colo; mármore o seu peito; marfim as suas mãos; sua brancura neve; e as partes que à vista humana traz encobertas a honestidade são tais (segundo eu conjecturo) que só a discreta consideração pode encarecê-las, sem poder compará-las."
Cervantes e Saavedra, Miguel de, O engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha, Volume I, Capitulo XIII.
"(...) Na versão para teatro(mas não no filme de 1972), o pároco local canta uma canção chamada "A cada um, sua Dulcinéia", na qual ele reflete que, embora Dulcinéia não exista, a idéia dela é o que mantém Dom Quixote vivo e disposto em sua busca."
http://en.wikipedia.org/wiki/Dulcinea
Que nós, os aristocratas do espírito nos reunamos sob a égide do amor puro, que o amor seja nossa única lei, verdadeira, indestrutível, e banhados na calidez dessa fé possamos nos manter limpos, malgrado vivamos no turbilhão de paixões e efemeridades do mundo moderno. Mantemo-nos na solitude das alturas respirando o ar rarefeito à 6.000 pés de altitude, pela eternidade vindoura!
Amor vincit omnia.
domingo, 4 de abril de 2010
Da alma do artista moderno
Muitas são as simples minudências
Do escritor de modernas tendências
Esses seres que me aviltam,
Cantarei esses biltres, malgrado mo permitam
O sorriso amarelo, o simples jeitinho
Poetam sentimentos e coisas sem sentido
Dos “inhos” nojentos sempre mestres no escarninho
De emoções puras signo vil hão mantido
Essa raça inferior, vis celerados
Dominam tudo e dominam nada
Tudo, em qualquer lugar coalham e são encontrados
Nada, arte por eles é execrada
São todos tão humanos e sensíveis
Na falta de talento patente
No escrever são bastante sofríveis
Da literatura, não alcançam céu arquipotente
Mistura são de movimentos pífios
De belo não lhes restam nem resquícios
Realistas pútridos é o que são
Destarte não possuem nem o vão
Voam baixo como mosquitos
Da potência nunca alcançam a plenitude
Poesia de baixa magnitude
São da literatura os detritos
São publicados com certeza
Nestes tempos de degustada imundície
De intelectuais impõe-se grandeza
Não passam de mais fina ralé da tolice
Anárquicas revoluções de auto-expressão
Querem escapar eles a superpopulação
Não sendo mais um na multidão
Custando isso da arte a violação
São muito fracos por certo
Incultos e inférteis os quero por perto
Que contemplando a arte decadente
O poder da antiguidade sinto em mim vivente
05/07/2006

