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sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Aparecer para o combate

Devemos fazer algo, não possuir mentalidade de vítima, que chora e se curva perante os paroximos da vida, sempre presa de um renovado algoz. Não, como homens não nos cabe viver assim, com o espírito recolhido.

Sim, não temos poder, e daí? Nosso dever é conquistá-lo, a vida é uma senda de batalhas e conquistas, não há como alguém afastar-se disso, doutro modo não poderá dizer que se vive realmente.

Aparecer para o combate da vida, contra aquilo que reprime seu espírito, reafirmar a vontade de viver, marcar sua presença aqui e agora, dar tudo de si pelo que tu acreditas, lutar o bom combate, colocando em cada gesto, ação, o impacto arrebatador de todo seu coração. Não há derrota num caso assim, mesmo que sejas destruído o próprio fato de tu consolidares tua alma no mundo real, isso é a própria vitória, externares teu espírito puro e divino, ao fazeres isso trazes um pouco da divindade à terra.

A Espada Atlante!

 


Um símbolo apropriado para tornar viva essa ideia.

Perseguido pelos lobos o escravo Conan adentra a cripta. Recebe o dom ancestral, a espada atlante, simbolizando o espírito, emerge da cripta um guerreiro, com a espada rompe as cadeias de sua escravidão. 

Eis a verdadeira liberdade dar largueza desabrida ao espírito, trazer sua essência ao mundo real.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Liberdade

— A liberdade, Sancho, é um dos dons mais preciosos, que aos homens deram os céus: não se lhe podem igualar os tesouros que há na terra, nem os que o mar encobre; pela liberdade, da mesma forma que pela honra, se deve arriscar a vida, e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode acudir aos homens. Digo isto, Sancho, porque bem viste os regalos e a abundância que tivemos neste castelo, que deixamos: pois no meio daqueles banquetes saborosos, e daquelas bebidas nevadas, parecia-me que estava metido entre as estreitezas da fome; porque os não gozava com a liberdade com que os gozaria, se fossem meus: que as obrigações das recompensas, dos benefícios e mercês recebidas, são ligaduras que não deixam campear o ânimo livre. Venturoso aquele a quem o céu deu um pedaço de pão, sem o obrigar a agradecê-lo a outrem que não seja o mesmo céu!

CERVANTES SAAVEDRA, Miguel de; O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, Tomo II, Capítulo LVIII.