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terça-feira, 5 de agosto de 2014

O retorno do cavaleiro



Mi piace pensarti così
Me agrada pensar-te assim
mentre sorridi sicura di te
enquanto sorri segura de si,
Confondi quel tenero sguardo
Confunde o doce olhar,
con l'uomo che torna da terre lontane
com o homem que volta de terras longínquas
Sai come curare le brutte ferite
Sabe como curar as hediondas feridas
forgiate di lunghe battaglie già vinte o perdute.
forjadas em longas batalhas já ganhas ou perdidas.

Mi piace chiamarti per nome
Me agrada chamar-te pelo nome
o dire mia moglie alla gente che viene
ou dizer "minha mulher" em frente as pessoas
Ti senti una parte del mondo
Te sente uma parte do mundo
accanto a quell'uomo che porti nel sogno
Ao lado daquele homem que possui no sonho
Non chiedi più niente, sei calma e pacata
Não exige nada demais, é calma e pacata
Sei proprio la donna che ho sempre desiderato.
É a mulher que eu sempre desejei.

Ma ora devo partire,
Mas devo partir,
questa è la terra dei padri che adesso io devo salvare
esta é a terra dos ancestrais que agora eu devo salvar,
Il nemico mi spetta sopra il ponte,
O inimigo me aguarda sobre a ponte,
la spada temprata, lo scudo e il cavallo Un vero purosangue,
A espada brandida, o escudo e o cavalo, um verdadeiro puro sangue,
di questa battaglia faranno bandiera
Desta batalha erigirão insígnias
Sarà il cavaliere, tuo uomo, a tornare stasera.
Será o cavaleiro, teu homem, a tornar esta noite.

Le case diventano nebbia,
As casas cobrem-se de névoa,
la strada un sentiero di corpi e di sangue
a estrada, um caminho de corpos e sangue
Trascini le ossa ferite,
Arrastando ossos feridos,
la terra dei padri ancora non piange
A terra dos ancestrais agora não chora
Il gelo nell'aria sconfigge il dolore,
O ar gélido esvanece a dor,
Ma il forte guerriero che torna è un uomo d'onore!
Mas o forte guerreiro que retorna é um homem de honra.

È notte da un pezzo, ma lei non ci pensa,
A noite avança, mas a ela não importa,
lo aspetta vicino a quel fuoco,
Espera-o próximo aquele fogo,
Le vecchie leggende ti parlano al cuore,
As velhas lendas falam ao teu coração, 
anche questo fa parte del gioco
Também isso faz parte do jogo

Per tutta la vita fedele potrai
Por toda a vida, fiel poderá,
restare accanto a quell'uomo 
Ficar ao lado daquele homem
che un giorno vedrai
que um dia verá.

C'è ancora la neve ai bordi del prato,
Cai agora neve na orla da campina,
sui rami ai confini del bosco
suas ramificações aos confins do bosque
Anche il falco è tornato
Também o falcão retornou,
e con lui la fine del suo viaggio,
e com ele a fim de sua viagem,

Quell'uomo fedele di spada e d'amore 
Aquele homem fiel da espada e do amor
più forte del coraggio
Mais forte da coragem
Lo accogli con fare da vera regina
Acolhe-o com maneiras de uma verdadeira rainha
sui biondi capelli d'incanto si scioglie la brina.
Seus louros cabelos de encanto derretem a neve.

sábado, 2 de agosto de 2014

Canto de um cavaleiro andante



Sul mio destriero, fra terre lontane,
Nessas paragens, entre terras longínquas,
Amore nel cuore con me resterà.

O amor no coração comigo estará.
Di cielo il tuo sguardo, di ciliegio il tuo labbro,

No céu do teu olhar, na cereja dos teus lábios,
o mia sposa fedel ti sarò.

Oh minha esposa, fiel te serei.

La spada al mio fianco, sull’elsa il tuo nastro,

A espada em minha cintura, no punho o teu laço,
la notte straniera più dolce sarà.

A noite estrangeira mais doce será.
Per tetto le stelle, per giaciglio le foglie,

Por teto as estrelas, por leito as folhas,
per sogno le grazie di te.

Por sonho as graças de ti.

E nel mio vagare, fuori dal mio reame
E no meu vagar, longe dos meus reinos,
un senso alla vita guerriera darò.
Um sentido a vida guerreira darei.
Per fede brandire di morte la lama
Pela fé brandir, a mortal lâmina,
più gloria al suo nome verrà.

Maior glória o teu nome verá.

E noi cavalieri, fedeli d’amore
E nós cavaleiros, fiéis ao amor.
per il re e per Iddio sapremo pugnar.

Pelo rei e por Deus sabemos lutar.
Il sorriso sul volto, la pace nel cuore

O sorriso no rosto, a paz no coração,
in battaglia con Nostro Signor.

Em batalha com Nosso Senhor.

Nel salvifico errare il sacro desio
Nesse errar redentor o sacro desejo
lucente nell’armi accrescer dovrò.

Maior brilho às armas deverei acrescentar.
E per nostra ebbrezza, per antico decreto

E por nosso extâse, por antigo decreto,
il nettar segreto berrò.

O néctar secreto beberei.

E tu acerba sposa, anzitempo solinga
E tu jovem esposa, há muito tempo sozinha.
attendi serena che torni il tuo re.
Espera serena que torne o teu rei.
Con gloria ed onore, con febbre d’amore

Com glória e honra, com febre de amor.
con tunica leggera ormai
Com a túnica esvoaçante então,

Con gloria ed onore, con febbre d’amore
Com glória e honra, com febre de amor,
o mai più io torni da te.
Ou jamais eu tornarei a ti.

sábado, 10 de setembro de 2011

Siempre Arriba



Joven doloroso, joven triste
que sufres como yo el mal de España
y una negación honda en tu entraña
tienes clavada contra lo que existe
 
tu virgen corazón vibra de saña
de Santa Saña porque no tuviste
lo que pidió tu amor cuando naciste
de la patria, una idea y una hazaña

la general inercia fue el veneno
que atosigó tu juventud demente
 
y de asco y de dolor notes el lleno
mas el futuro es nuestro y esa gente
que hizo nuestra desgracia se va al cieno
hermano aquí va un ósculo en la frente

Pon arriba tus ojos, siempre arriba
Pon arriba tus ojos, siempre arriba
Pon arriba tus ojos, siempre arriba
Pon arriba tus ojos, siempre arriba

A ti fiel camarada que padeces
el cerco del olvido atormentado
a ti que gimes sin morir al lado 
aquella voz segura de otras veces
 
te envío mi dolor si desfalleces
al acoso de todos y cansado
destrozan como un verso malogrado
bebamos juntos de las mismas heces

En tu propio solar quedaste fuera
del orbe de tus sueños se hacen criba
 
pero allá donde estés cree y espera
el cielo es limpio y sus bordes liba
claros vinos del alba primavera
pon arriba tus ojos siempre arriba

domingo, 21 de agosto de 2011

Samurai



Sento solamente noia
Sinto apenas tédio
Quando vivo la realtà
Quando vivo a realidade
Sento l’odio sulla pelle
Sinto o ódio sobre a pele
quando guardo la città
Quando olho a cidade


Mentre osservo i suoi palazzi,
Enquanto observo os seus palácios
Le sue inutili vetrine
Suas inúteis vitrines
Mi riscopro innamorato
Redescubro-me enamorado
Delle squallide rovine
Das esquálidas ruínas

Quanto vile conformismo
Quanto infame conformismo
C’è nella democrazia
Existe na democracia
Quanta sete di potere,
Quanta sede de poder,
Servilismo, ipocrisia
Servilismo, hipocrisia

Ora siamo giunti a un bivio
Agora estamos ante uma bifurcação
E di fronte due sentieri
Em frente a dois caminhos
Si può vivere da schiavi
Pode-se viver como escravo
O morire da guerrieri
Ou morrer como guerreiro

Ora osserva la mia spada
Agora observa a minha espada
Che punta verso il sole
Apontada ao sol
Ascolta nel silenzio
Escuta no silêncio
Le mie ultime parole
As minhas últimas palavras

....
....
Ed allora tu vedrai
E agora tu verás
Bruciare ancora il fuoco
Ainda queimar o fogo
di antichi samurai
dos antigos samurais.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Controller



Invano serve all'uomo piangere sulla realtà
É em vão para o homem, chorar por sua realidade,
Invano serve all'uomo arrendersi alle ostilità
É em vão para o homem, render-se a hostilidade,

Io ho il mio controllo!
Eu tenho o meu controle!
Io ho il mio controllo!
Io ho il mio controllo!

Riflesso sul Metallo!
Refletido no metal!

Io ho il mio controllo!
Io ho il mio controllo!
Io ho il mio controllo!

Mentre tu rimani in Stallo!
Enquanto você permanece estagnado!

Controller I'v got my mission !

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Disperato amore


Zetazeroalfa, Disperato amore.

Resenha - de Adriano Scianca

«Senza amore non c'è buona distruzione»
Gilles Deleuze

Creio que Zetazeroalfa tenha sempre razão. Literalmente. Creio que Zetazeroalfa seja qualquer coisa mais que um grupo. Não é somente música, tampouco apenas política. É qualquer coisa mais que isso. É um quilo do teu coração, um hectolitro do seu sangue, um pedaço da tua pele. Zetazeroalfa tem as tuas mesmas cicatrizes, é uma parte da tua história. Esse é seu segredo. Zetazeroalfa permanece a trilha sonora de nossas vidas, ou talvez - mais plausivelmente - sejam nossas vidas a fazerem a trilha sonora de Zetazeroalfa. Creio que Zetazeroalfa tenha sempre razão. Porque não é só música. É a missa em forma de uma vida, de um sentimento, de uma história. É a condução à evidência cristalina do senso recôndito de uma escolha, o obscuro pressentimento de uma vontade. Creio que Zetazeroalfa tenha sempre razão. Creio em Zetazeroalfa, Creio.

"Disperato Amore"(Amor desesperado) é um disco escrito em mar aberto, e como tal, lança mensagens em garrafas destinadas a serem transportadas pelas correntes e pelo destino. Algumas filões vermelhos interceptam-se: o mar, a solitude, o amor. O conceito aquático reverbera-se até mesmo no (belíssimo) libretto, no qual as principais capitais do Ocidente são fustigadas por uma violenta borrasca até que, por fim, são submersas pela água. Imagem post-schmittiana: Não há mais uma Terra a se opor ao mar. Agora tudo é fluído, não há mais um porto para se fazer reparos. Navigare necesse est. O mar é o desafio a se vencer, a resposta ao seu domínio é "Arremba sempre" (Ataca sempre). Toma a frente de sua época, assalta o futuro. Converte o veneno em remédio. Faz do mar a sua força. Torne-se pirata. "E zarparam com uma forte lei estreita em torno ao coração./ A condenação do teu grupo, a potência do esplendor." E assim é. Mesmo "Accademia della sassaiola" (Academia das pedrinhas), fala de rebeldes. Fala de uma revolta que vem de baixo, das ruas, daquilo que mais verdadeiro e autêntico existe contra as gaiolas de papel. Pouco importa que as "pedrinhas" sejam verdadeiras ou metafóricas. É a Intifada que existe dentro de você que conta.

A solidão. Aquela evocada em duas faixas instrumentais
(Scirocco e Nemesi). Atmosfera glacial, desértica. Que reconduzem o homem a si mesmo. O último trabalho da banda era todo centrado sobre a comunidade, como era justo que fosse, para um ambiente que se estava encontrando e reconhecendo. Aqui, ao invés, reemerge o singular. Não um singular descarnado, apátrida, naufrago. Trata-se, ao contrário, do homem que aprendeu a encarar a si mesmo e pôde assim tornar a encontrar o seu lugar entre outros homens que completaram o mesmo percurso. É esta a liberdade. É esta a responsabilidade. É este o sentido de "A modo mio"(A meu modo): "E agora faço a modo meu./ Se falhar, pago eu". É uma grandíssima lição. É, mais ainda, a essência inerente de EstremoCentroAlto: fim da alienação, retornar a si mesmo. Conduzir a própria batalha, não a batalha de outrem. Combater até o fim. E "Fino All'ultimo" (Até o fim) é próprio uma das mais preciosas faixas de Disperato Amore. Um hino a Itália de sabor vagamente pavoliniano, uma sorte de "Guerra", porém, menos nibelúngica, mais contida e lúcida. Uma consciência cintilante: a batalha continua "até o último soldado".

O amor. A paixão ardente por uma idéia, por uma terra, por um símbolo, por uma comunidade. Por uma pessoa, mesmo. O amor desesperado não exclui, mas compreende o amor entre um homem e uma mulher [nos fala uma surpreendente, quase
vascorossiana "Anche se è gioverdì"(Ainda que seja quinta-feira)], sob a condição que, homem e a mulher estejam à altura da flama que desdenha toda vulgaridade pequeno-burguesa, narcisística e individualista. Não, não há lugar aqui, para o amoreco do último homem zaratustriano. É por isso que se fala de um amor "desesperado": por que implica sempre colocar-se em jogo. Implica um estilo. E de estilo fala "Rose rosse delle camicie nere". Do estilo de uma vida, uma vida a entregar "como se arremessa uma flor". Viver assim, é amor. Amor libado a si mesmo. E um imperativo existêncial: "Constrói sem pausa, em um folêgo/ um castelo na rocha, um dique no destino". A faixa título então, possuí amor já em seu nome. É o amor por uma escolha, uma escolha que vai até o limite, e além. Amor é A-mor, aquilo que vence a morte. Por isso, o verdadeiro amor é eterno. "Disperato Amore" fala de quem, no "branco e negro de uma estação", cultivou seu amor pela Itália de maneira desesperada, sem atenuações, porque "combater é um destino". Essa escolha nos fala, essa escolha é a nossa. O amor desesperado é a capacidade de não perder o senso de conexão lógica e histórica. A força que existe imanente a idéia, que é uma única coisa com aqueles que passaram e com os que passarão. É por isso que nós não somos nem os vivos, nem os mortos, mas somos além da vida e além da morte. Somos aqueles que vão para o mar.


E aqueles que vão para o mar, se fiam e se reconhecem entre si. E eis que na "
I guerrieri della scolopendra" (Os guerreiros da centopéia) podes descobrir a tua mesma luta, talvez mesmo tua pátria espiritual. Falamos dos Karen e de sua batalha heróica contra a Birmânia, contra a floresta, contra a droga, contra a China, contra o Ocidente, e contra os "ocidentes" da alma. O adágio "A minha pátria é onde se combate pela minha idéia" não é sempre verdadeiro. Por vezes é somente uma fuga de si mesmo, dos que não tem nem uma idéia, nem uma pátria. Uma viagem mental, um "trip". Vestes de alienação e de auto-afirmação. Acontecem outras vezes, ao invés, uma especial alquimia. Ocorre que na recíproca luta, se reconheçam iguais e diferentes, ao mesmo tempo. Falo de uma alquimia encarnada, pro-ativa, experimentada na lama das trincheiras. Que pode ser diversa, embora na mesma guerra. Assim, os Karen combatem também por nós. A mesma guerra, o mesmo inimigo. E nós combatemos também por eles.

Existe ainda uma forma ulterior de amor. É a constância de uma irmandade, um vínculo de destino. "
Andrà tutto bene"(tudo correrá bem) fala de nós, do nosso caminho. Um percurso à aderir e prosseguir, a despeito de tudo e de todos. Correrá tudo bem porque nós decidimos assim e assim deve ser. Fodam-se todos, nós iremos até o fim. Esta faixa, a melhor do album, convida à coragem e à audácia, à vontade que move montanhas. À um jubiloso e sereno amor fati. "Andrà tutto bene", diz a voz que te indica uma estrada onde tudo o que vês são somente obstáculos, o sol onde dominam as nuvens. É a voz de quem deseja mais, ousa mais, crê mais. De quem combateu, amou, pagou, conquistou mais. A voz que fala sem voz. E sabemos que enquanto a seguirmos, não temos nada a temer.

Enfim, Nietzsche: "Deixamos a terra e embarcamos! Rompemos as pontes - melhor, rompemos com a terra às nossas costas! Doravante, pequeno navio, é preciso muita atenção! Ao teu lado, se estende o oceano; é bem verdade que ele não ruge sempre e, às vezes, se desdobra mesmo como uma seda, como ouro, e como sonhos de bondade. Mas sobrevirão horas em que reconhecerás que ele é ilimitado (unendlich) e que não existe nada mais terrível do que infinito (unendlichkeit). Oh, pobre pássaro que um dia se sentiu livre e que agora se bate contra as paredes desta gaiola! Ai de ti, se a nostalgia do país te acometer, como se lá tivesse havido mais liberdade, - enquanto que agora não existe mais 'terra'". Boa viagem, Zetazeroalfa. Correrá tudo bem.





quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Come il cuore leggero



Come bere due parole
Como beber duas palavras
cadute giu’,
Caídas ao chão,

Fredde come due pistole
Frias como duas pistolas
Non ti amo piu’
Não te amo mais
Sembra facile morire ma
Parece fácil morrer, mas
Ti sorprenderai a ridere
Te surpreenderás a rir

Dirai ancora due parole leggere
Dirás ainda duas palavras, ligeiras
Come il calcio di un fucile
Como o impacto de um fuzil.
Non ti amo piu’
Não te amo mais
Sembra facile morire ma
Parece fácil morrer, mas
Ti sorprenderai a ridere
Te supreenderás a rir

Sembra facile morire
Facile morire
Sembra facile morire
Facile morire non e’

Come bere due parole leggere...
Como beber duas palavras ligeiras
...