sexta-feira, 18 de março de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Barrio Gótico







Due donne in una stanza,
Duas donzelas em uma alcôva.
l'una si muove, l'altra si guarda
Uma se move, a outra contempla.
distratta in un sorriso
Absorta em um sorriso
(cielo coperto, carta di riso),
Céu nebuloso, papel de arroz.
che prova a raccontare
Que tenta contar,
la biografia con uno sguardo;
A biografia com um olhar;
questo canto visivo
Este canto visual,
è di chi crede, linfa d'ulivo
é de quem crê, nectar de oliva.

è linfa d'ulivo, è...
è linfa
d'ulivo, è...

È la notte delle Ramblas
É a noite das Ramblas
che racconta questa danza,
Que decifra esta dança,
quel demonio che ho nel petto
Aquele demônio que tenho no peito.
è una statua rannicchiata,
é uma estátua contorcida.
note vive, come i odio
Notas vivas, como o ódio
lo riportano giù nel mare.
Leva-o para o abismo do mar.

Da bambino consolavo
Desde menino consolava
chi si nutre dei difetti
quem se nutre dos defeitos
mentre oggi mi raccontavo
Ainda hoje, me dizia,
che non so più consolare
Que não sei mais consolar.
le due donne in quella stanza,
Aquelas duas donzelas na alcôva.
le due donne in quella stanza.

Dame e madonne in pietra
Damas e madonas em pedra.
ritte sui muri come fantasmi:
Retos no muro como fantasmas:
Antiche tribù mute, mondo di gesti,
Antiga tribo muda, mundo de gestos,
senza parole.
Sem palavras.
Pregano assieme in chiesa
Pregam junto a igreja,
statue di legno e statue di carne,
Estátuas de madeira e estátuas de carne.
le imitano in un chiostro
Imitam em um claustro,
scribi di pietra ed oche sante
Escribas de pedra e cisnes santos.

e...
tredici sante e un Re...
Treze santos e um Rei
e... tredici sante e Maria...

È la notte delle Ramblas
É a noite das Ramblas,
che solfeggia questa danza
Que solfeja esta dança,
archi(e)volti, ribassati
Arcos e curvas rebaixados
che improfumano un po'
Que perfumam levemente
tutto d'oriente
Tudo de Oriente
torri vive, torri more,
Torres vivas, torres mortas,
voti offerti al Dio del mare,
Votos oferecidos ao Deus do Mar.
riti intrisi in ogni nodo
Rituais imersos em cada cruzamento.
delle reti, delle mani
Das redes, das mãos,
dei momenti più affiatati
Dos momentos mais diletos
di chi vive per il mare,
De quem vive para o mar.

di chi vive per il mare...
di chi vive
per il mare...

Le due donne delle Ramblas
As duas donzelas de Ramblas
mi raccontano di una danza
Me contam sobre uma dança,
che mi nutre come il sangue
Que me nutre como o sangue,
di chi si piccona il petto:
De quem se perfura o peito:
pellicano speranzoso
Pelicano esperançoso,
su la croce dai l'esempio.
Sobre a cruz dá o exemplo.

Donna mia posa lo specchio,
Mulher minha pousa o espelho,
che c'è un sogno che ti attende,
Que existe um sonho que te atende,
copri la città di veli e...
Cobre a cidade de véus e...
sogna i monti...
Sonha os montes...
sogna i monti...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Amor é aristocrático



"Dante meets Beatrice at Ponte Santa Trinita" ~ Henry Holiday, 1883

O amor é aristocrático, não encontrá-lo-ás em qualquer esquina, e o fato dele estar na boca dessas almas vãs é um insulto mesmo a ordem divina que transmuta-se em ordem natural no nosso efêmero plano de existência.

O amor em nosso espírito nada mais é que o sopro celestial dos Deuses ciciando em nossas orelhas o comando marcial que seguimos docilmente, imperativos desse tirano que mormente nos arrasta em seus arroubos.

Arroubos que ribombam o troar magnífico de todas as potências ocultas ao homem. D'outro modo, como se inteligiriam esses clarões que por vezes fulguram nos atos dos homens, atos de heroísmo, superação, ou simples eterna resiliência. Que aproxima o homem dos Deuses.

O amor é aristocrático, grassa nos corações jovens, sua forma mais pura, o amor além da decadência de nossos corpos mortais, além da imortalidade, além da eternidade, para muito mais além da existência banal da maioria da humanidade vil... da fornicação vulgar dos torpes.

E como explicar essa magnificência espiritual que se denomina amor? Magia, divindade, providência, capricho da natureza, alguma combinação química efetuada em nossos cérebros pelo mero acaso? Que me importa já? Sua existência é indelével, inexpugnável da alma humana. Se é nobre, ama.

Dante Alighieri sentia em si o arrebatamento febril tão intenso, que isso lhe causava tristes pesadelos, mas belíssimos sonhos outrossim, tão virulento foi o assalto amoroso, que em extâse catártico, imortalizou o objeto de suas doces tenções, em duas obras magnas da literatura mundial.

A honra e o amor, entrelaçados, sempre juntos, inerentes perante a natureza, epítome erigida pelos Deuses, um culto a vida... Se tu soubesses o que inspiras em meu peito...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Tutto l'amore che ho




Le meraviglie in questa parte di universo
As maravilhas nesta parte do universo
sembrano nate per incorniciarti il volto
Parecem existir para consubstanciar-se em seu rosto
e se per caso dentro al caos ti avessi perso
E se porventura, no caos você se perdesse.
avrei avvertito un forte senso di irrisolto
Eu me consternaria por perder minha metade.

un grande vuoto che mi avrebbe spinto oltre
Um grande vazio que me levou além dos limites
fino al confine estremo delle mie speranze
Até os confins longínquos das minhas esperanças
ti avrei cercato come un cavaliere pazzo
Cheguei-me a ti como cavaleiro ensandecido
avrei lottato contro il male e le sue istanze
Lutei contra o mal e seus agravos

i labirinti avrei percorso senza un filo
Os labirintos eu percorri sem uma linha
nutrendomi di ciò che il suolo avrebbe offerto
Nutrindo-me do que o solo mo dera
e a ogni confine nuovo io avrei chiesto asilo
E em cada nova fronteira pedi asilo
avrei rischiato la mia vita in mare aperto
Arrisquei a minha vida em mar aberto.

considerando che l’amore non ha prezzo
Considerando que o amor não tem preço
sono disposto a tutto per averne un pò
Sou disposto a tudo para ter um pouco
considerando che l’amore non ha prezzo
Considerando que o amor não tem preço
lo pagherò offrendo tutto l’amore
Eu pagarei oferecendo todo o amor
tutto l’amore che ho
Todo o amor que possuo

un prigioniero dentro al carcere infinito
Um prisioneiro num cárcere infinito
mi sentirei se tu non fossi nel mio cuore
Me sentiria se você não estivesse no meu coração
starei nascosto come molti dietro ad un dito
Estaria escondido como muitos atrás de um dedo
a darla vinta ai venditori di dolore
A entregar-lhe vencida aos vendedores da dor
e ho visto cose riservate ai sognatori
E vi coisas reservadas aos sonhadores
ed ho bevuto il succo amaro del disprezzo
E bebi o suco amargo do desprezo
ed ho commesso tutti gli atti miei più puri
E cometi todos os meus atos mais puros

Considerando che l’amore non ha prezzo
considerando che l’amore non ha prezzo
sono disposto a tutto per averne un pò
considerando che l’amore non ha prezzo
lo pagherò offrendo tutto l’amore
tutto l’amore che ho

senza di te sarebbe stato tutto vano
Sem você minha existência seria em vão
come una spada che trafigge un corpo morto
Como uma espada que trespassa um corpo morto
senza l’amore sarei solo un ciarlatano
Sem amor eu seria apenas um charlatão
come una barca che non esce mai dal porto
Como uma nave que jamais deixa seu porto

Considerando che l’amore non ha prezzo
sono disposto a tutto per averne un pò
considerando che l’amore non ha prezzo
lo pagherò offrendo tutto l’amore
tutto l’amore che ho



Nesse clipe, como assinala um comentador do vídeo, retrata-se as desventuras de um homem na sua cruzada pelo amor, delineadas alegoricamente, pelos 3 vândalos, o cão raivoso, e os atiradores.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Freier Fall



Komm ich zur Ruh'

Eu consigo a paz,

und schaut keiner zu,

E não olho para ele,

erscheint er schon

Ele aparece, de novo,

mein eigener Dämon.

Meus demônios particulares.


Durch Hirnwindungen streift,

Através das ligações neurais,

nach jeder Zelle greift.

Até o interior de cada célula.

Brauch keine Religion,

Não existe religião,

hab ja meinen Dämonen.

Apenas os meus demônios.


Frei - freier Fall,

Livre - queda livre,

so greift nach meinen Armen,

Então meus braços são possuídos,

doch die hat der Dämon schon geölt.

Mas o demônio já está bem lubrificado.


Frei - freier Fall,

Livre, queda livre,

versuchtet mich zu rufen.

Tentaram me alertar.

Konnt' nichts hören,

Mas não pude ouvir,

das Rauschen war zu laut

O barulho era muito alto.


Nie fühlte ich mich frei,

Eu nunca me senti livre,

gab viel zu oft klein bei.

Admitia minha inferioridade.

So stand ich jedem stramm,

Então enfrentei toda dificuldade,

bis endlich Rettung kam.

Até por fim me redimir.


So mancher nennt es Sucht,

Muitos chamaram isso vício,

verteufelt und verflucht.

Possessão e danação.

Ach leck mich mit Konventionen -

Ah, aos diabos com as peculiaridades.

hab ja meinen Dämonen!

Eu tenho meus demônios!


Ihr habt mich halten wollen,

Eles desejariam me prender,

doch Umkehr war nicht drin...

Mas o outro lado não existe...


sábado, 25 de dezembro de 2010

Sofia


Sophie, Prinzessin von der Pfalz, também conhecida como Sofia de Hanôver.

...Lembro-me que uma grande princesa, dotada de um espírito sublime, disse um dia passeando no seu jardim que não acreditava houvesse duas folhas perfeitamente semelhantes. Um gentil-homem de espírito, que estava em sua companhia, acreditou que seria fácil encontrar uma; todavia, embora procurasse muito, convenceu-se pelos próprios olhos que sempre se podia notar alguma diferença. Vê-se por estas considerações, até agora negligenciadas, até que ponto na filosofia nos afastamos das noções mais naturais, e como nos afastamos dos grandes princípios da verdadeira metafísica.

LEIBNIZ, Gottfried Wilhelm, Novos Ensaios Sobre o Entendimento Humano, Cap. XXVII, § 3º.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

The average man


"Ladies and Gentlemen! You've read about it in the papers! Now witness, before your very eyes, that most rare and tragic of nature's mistakes! I give you: the average man.

Physically unremarkable, it instead possesses a deformed set of values. Notice the hideously bloated sense of humanity's importance. Also note the club-footed social conscience and the withered optimism. It's certainly not for the squeamish, is it?

Most repulsive of all, are its frail and useless notions of order and sanity. If too much weight is placed upon them... they snap.

How does it live, I hear you ask? How does this poor pathetic specimen survive in today's harsh and irrational environment? I'm afraid the sad answer is, "Not very well".

Faced with the inescapable fact that human existence is mad, random, and pointless, one in eight of them crack up and go stark slavering buggo! Who can blame them? In a world as psychotic as this... any other response would be crazy!"

Joker,
Batman: The Killing Joke (1988)