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segunda-feira, 7 de julho de 2025

Estilo

Há tanto a saber sobre estilo: por que ter estilo, qual o sentido do mesmo? Seria talvez a beleza? O estilo nos desvia do utilitarismo estéril, confere, de algum modo, um sentido oculto às nossas ações; tem uma ligação com o ritual, mas não se limita a ele. É um amplo espectro de sentidos que orienta nossas ações e reforça nossa individualidade.

A arte é a fonte primeira do estilo, seguida pela intuição; de todo modo, deixar-se guiar por ele torna mais completa a vida do homem, separando-o da grei amorfa. Demonstra que ele teve o cuidado de embelezar suas ações e palavras.

O estilo em um homem colore sua alma, é deveras agradável e engrandece a sociedade como um todo, tingindo-a de uma complexidade estética que os mestres tecnocratas procuram tanto abolir. Eleva-o e eleva também os que estão ao seu redor.

As tentativas de estilo são mormente ridicularizadas; contudo, nós, homens de espírito, não devemos nos deixar tolher por causa disso. Cabe-nos transpor os limites daqueles que têm a alma cinza, pois é da arte que flui o estilo, e um mundo sem arte não é humano.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Existe beleza no silêncio

Existe beleza no silêncio, em estar somente consigo, vis à vis com a própria mente, num embate eterno que caracteriza o homem. E quando se batalha o suficiente, então a paz interna erige, e se faz o estandarte do ser.

Assim o homem se torna rocha e martelo, impenetrável e inexorável, não há mais fissuras, as rachaduras não medram mais, expondo o interior suave e macio, mas sim o que se mostra, é a dureza férrea, e o que se transmuta do interno para o externo é a manutenção do espaço inexpugnável onde o homem pode tornar-se a si mesmo, seguir sua natureza. Que mormente, é nobre.

A cultura, a civilização, e as vezes o próprio homem, tentarão dissolver o verdadeiro Eu, o que é divino no homem, o Logos, cabe ao homem lutar e escolher manter-se inteiro, ou dissolver-se na solução iníqua da civilização moderna.

domingo, 6 de maio de 2018

A tecnologia é um miasma

A tecnologia é um miasma que se alastra por nossas vidas e suga nossa alma num vórtice de frivolidade e hedonismo. Numa busca por aprovação social esquecemo-nos de quem nós somos e nos pervertemos, ou talvez saibamos quem somos mas simplesmente não achamos que valha pena ser nós mesmos, assim obliterando nossa personalidade pelo gosto comum da era moderna.

E assim os piores denominadores comuns se estabelecem na cultura, vulgaridade, obscenidade, podridão cultural, tudo o que seja mais cômodo e fácil para o seu entretenimento rápido, escapista. 

Que ditador, que tirano jamais sonhou em ter acesso aos recantos mais profundos das mentes de seus súditos e poder implantar ideias lá, semear intuições, sugerir valores... 

Esse é o exato poder das redes sociais, e ainda assim nós nos acorrentamos a esses grilhões com sorrisos largos, na esperança de podermos mostrar nosso valor ao mundo e como somos especiais, quando na verdade é próprio o contrário e nada há de mais descartável que nossa opinião de massa manufaturada por barões do vale do silício nesse século XXI.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Instant gratification

O desenvolvimento da tecnologia moderna e especialmente da farmacologia favorecem, em medida até então desconhecida, a aspiração humana de evitar o sofrimento. O conforto moderno é tão usual, que mal nos damos conta de quanto necessitamos. A mais modesta das empregadas ficaria revoltada se lhe oferecêssemos um quarto com aquecimento, a iluminação, a cama e o tipo de conforto que pareciam ótimas a Goethe ou à duquesa Amélia de Weimar. Há poucos anos, quando um incidente catastrófico cortou a eletricidade de Nova Iorque durante algumas horas, muitos pensaram seriamente que o fim do mundo tinha chegado. Mesmo aqueles que acreditavam nas vantagens dos bons tempos e, sobretudo no valor educativo de uma vida espartana, mudariam de opinião se fossem forçados a se submeter ao tratamento cirúrgico usado há dois mil anos. Dominando progressivamente seu meio, o homem moderno, por força das circunstâncias, deslocou o equilíbrio prazer-desagrado no sentido de uma hipersensibilidade crescente a respeito de toda situação dolorosa,
enquanto que sua capacidade de prazer foi se embotando. Por uma série de razões, semelhante situação acarreta conseqüências deletérias.


Uma intolerância crescente para com o desagrado, aliada à redução da atração pelo prazer, leva os homens a perder a capacidade de trabalhar arduamente em busca de um resultado distante embora promissor. Disso, resulta uma exigência impaciente de satisfação de todo desejo embrionário. A necessidade de satisfação imediata (Instant gratification) é infelizmente favorecida de todos os modos pelas empresas comerciais e pelos produtores, sendo espantoso constatar que os consumidores não se dão conta do quanto se tornaram escravos das compras a prazo. Por razões fáceis de entender, a necessidade incoercível de satisfação imediata acarreta conseqüências especialmente desastrosas no âmbito do comportamento sexual. A perda da capacidade de dispor-se a um objetivo a longo prazo causa o desaparecimento das etapas, sutilmente diferenciadas, do comportamento instintivo ou cultural para a conquista do objeto amado. Vemos o desaparecimento não só do programa genético concebido visando à reprodução, mas ainda das normas do comportamento cultural, que buscam o mesmo objetivo no âmbito de uma cultura.

O comportamento resultante, essa satisfação sexual imediata que vemos glorificada por tantos filmes modernos, é freqüente e erroneamente qualificada como satisfação animal. É raríssimo, nos animais superiores, esse tipo de comportamento. Seria melhor dizer “bestial”, se entendermos por bestas aquelas que o homem domesticou, fazendo com que esquecessem as etapas diferenciadas dos ritos e os comportamentos que precedem o acasalamento, a fim de facilitar sua criação.
Konrad Lorenz, Civilização e Pecado, Uma Tepidez Mortal, Pg. 57.