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segunda-feira, 7 de julho de 2025

Estilo

Há tanto a saber sobre estilo: por que ter estilo, qual o sentido do mesmo? Seria talvez a beleza? O estilo nos desvia do utilitarismo estéril, confere, de algum modo, um sentido oculto às nossas ações; tem uma ligação com o ritual, mas não se limita a ele. É um amplo espectro de sentidos que orienta nossas ações e reforça nossa individualidade.

A arte é a fonte primeira do estilo, seguida pela intuição; de todo modo, deixar-se guiar por ele torna mais completa a vida do homem, separando-o da grei amorfa. Demonstra que ele teve o cuidado de embelezar suas ações e palavras.

O estilo em um homem colore sua alma, é deveras agradável e engrandece a sociedade como um todo, tingindo-a de uma complexidade estética que os mestres tecnocratas procuram tanto abolir. Eleva-o e eleva também os que estão ao seu redor.

As tentativas de estilo são mormente ridicularizadas; contudo, nós, homens de espírito, não devemos nos deixar tolher por causa disso. Cabe-nos transpor os limites daqueles que têm a alma cinza, pois é da arte que flui o estilo, e um mundo sem arte não é humano.

sábado, 17 de abril de 2010

Da formação universal [Final]

Terceira fonte da fé na massa, da falta de fé no gênio. Goethe diz que, habitualmente, o gênio está em relação com seu tempo por meio de uma fraqueza. O contrário da crença universal de que o gênio deve as suas forças ao tempo e, por conseguinte, de que ele possui todas as suas fraquezas para si e por si. Há uma confusão muito comum nesse caso: um povo recebe em seus gênios o verdadeiro direito à existência, sua justificação; a massa não produz o indivíduo, ao contrário, ela se opõe a ele. A massa é um bloco de pedra difícil de talhar: é necessário um gigantesco trabalho por parte do indivíduo para fazer dela algo semelhante ao ser humano. A formação universal agora quase como dogma. Agora é preciso colocar-se na fila, já se foi o tempo dos grandes indivíduos. Agora é necessário apenas servir à massa, in specie servir a um partido. Objetivo da formação: compreender um partido e subordinar a própria vida a ele. Falou-se tanto em poesia popular etc. São sempre os grandes indivíduos que costumam ser esquecidos.

Friedrich Nietzsche, Sabedoria Para Depois de Amanhã, Inverno de 1870 - 71 - Outono de 1872