sábado, 19 de março de 2011
Não há volta atrás
Es gibt keinen Weg zurück
Não há volta atrás.
Weißt du noch, wie's war
Lembra-se ainda como era,
Kinderzeit, wunderbar
A infância, maravilhosa,
Die Welt ist bunt und schön
O mundo era colorido e belo,
Bis du irgendwann begreifst,
Você algum dia compreendeu,
Dass nicht jeder Abschied heißt
Que nenhum Adeus foi dado,
Es gibt auch ein Wiederseh'n.
Nem mesmo um "até logo".
Immer vorwärts, Schritt um Schritt
Sempre avante, passo a passo,
Es gibt keinen Weg zurück
Não há volta atrás.
Was jetzt ist, wird nie mehr ungescheh'n
O que agora é, jamais deixará de ser.
Die Zeit läuft uns davon
O Tempo nos escapa,
Was getan ist, ist getan
O que está feito está feito,
Was jetzt ist, wird nie mehr so gescheh'n.
O que agora é, jamais existirá novamente.
Es gibt keinen Weg zurück.
Não existe volta atrás.
Ein Wort zu viel im Zorn gesagt
Uma palavra impensada dita na hora da raiva,
Nen' Schritt zu weit nach vorn gewagt
Um passo dado em direção ao perigo,
Schon ist es vorbei
Agora é passado,
Was auch immer jetzt getan
Não importa o que foi feito,
Was ich gesagt hab, ist gesagt
O que está dito, está dito.
Was wie ewig schien, ist schon Vergangenheit.
O que parecia eterno, já é passado.
Immer vorwärts, Schritt um Schritt
Sempre avante, passo a passo,
Es gibt keinen Weg zurück
Não há volta atrás.
Was jetzt ist, wird nie mehr ungescheh'n
O que agora é, jamais deixará de ser.
Die Zeit läuft uns davon
O Tempo nos escapa,
Was getan ist, ist getan
O que está feito está feito,
Was jetzt ist, wird nie mehr so gescheh'n.
O que agora é, jamais existirá novamente.
Es gibt keinen Weg zurück.
Não existe volta atrás.
Ach und könnt' ich doch nur ein einz'ges Mal
Ah, se eu pudesse porém, apenas uma vez,
Die Uhren rückwärts dreh'n
Retroceder as horas,
Denn wie viel von dem, was ich heute weiß,
Então estando repleto daquilo que hoje eu sei,
Hätt' ich lieber nie geseh'n.
Eu preferiria jamais ter visto.
Es gibt keinen Weg zurück.
Dein Leben dreht sich nur im Kreis
Tua vida gira em círculos,
So voll von weggeworfener Zeit
Tão cheia de tempo desperdiçado,
Deine Träume schiebst du endlos vor dir her
Os teus sonhos te lançam daqui ao infinito,
Du willst noch leben irgendwann
Você até deseja viver a vida algum dia,
Doch wenn nicht heute, wann denn dann?
Mas se não hoje, quando então?
Denn irgendwann ist auch ein Traum zu lange her.
"Algum dia" então será apenas um sonho longínquo do passado.
Immer vorwärts, Schritt um Schritt
Sempre avante, passo a passo,
Es gibt keinen Weg zurück
Não há volta atrás.
Was jetzt ist, wird nie mehr ungescheh'n
O que agora é, jamais deixará de ser.
Die Zeit läuft uns davon
O Tempo nos escapa,
Was getan ist, ist getan
O que está feito está feito,
Was jetzt ist, wird nie mehr so gescheh'n.
O que agora é, jamais existirá novamente.
Es gibt keinen Weg zurück.
Não existe volta atrás.
Ach und könnt' ich doch nur ein einz'ges Mal
Ah, se eu pudesse porém, apenas uma vez,
Die Uhren rückwärts dreh'n
Retroceder as horas,
Denn wie viel von dem, was ich heute weiß,
Então estando repleto daquilo que hoje eu sei,
Hätt' ich lieber nie geseh'n.
Eu preferiria jamais ter visto.
Es gibt keinen Weg zurück.
As alegrias da maternidade, Boguereau, 1878
"A mulher que jamais teve filhos permanece incompleta, doente em sua quietude, e um pouco mais que ridícula. Ela está na mesma posição de um homem que nunca enfrentou uma batalha, ela perdeu a mais colossal experiência do seu sexo." ~ Henry Louis Mencken, Em defesa das mulheres, 1917.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Da mulher Normanda
...Quero falar dessa carne luminosa de rosas fundidas e tornadas fruto sobre faces virginais, dessa pérola de frescura das mulheres Normandas, junto à qual o mais raro nácar das ostras de seus rochedos parece falho de transparência e de umidade. Nessa época, os cuidados da vida ativa, as preocupações do dia a dia deviam ter extinguido no rosto de Jeanne essa tonalidade de lágrimas da Aurora transformando-a num tom mais humano, mais digno da terra de onde saímos e aonde não tardaremos em voltar: o tom melancólico da laranja, pálida e emurchecida. Grandes e regulares, as feições da senhora Hardouey tinham conservado a nobreza que perdera pelo casamento. Estavam apenas um pouco bronzeadas pelo sol e pelo vento, e salpicadas desses grãos de cevada, saborosos e ásperos, que de resto tão bem ficam ao rosto de uma camponesa. A centenária condessa Jacquilene de Montsurvent, que a conheceu, e cujo nome aparecerá muitas vezes nestas Crônicas do Oeste, contou-me que era sobretudo nos olhos de Jeanne-Madelaine que se reconhecia a Feuardent. Por qualquer outro traço, seria possível confundir a mulher de Thomas Le Hardouey com as camponesas dos arredores, com essas magníficas mães de soldados que deram ao Império os seus mais belos regimentos, mas pelos olhos não! Não havia engano possível. Jeanne tinha os olhos de falcão da sua raça paterna, as grandes pupilas de um azul índigo, carregado, escuro como as profundezas mais recônditas do pensamento, e que eram tão características dos Feuardent como os esmaltados do seu brasão. Não há como as mulheres ou os artistas para reparar nestes pormenores. Naturalmente, tinham escapado a mestre Louis Tainnebouy, como muitas outras coisas, de resto, quando me contou a história que mais tarde completei, naquela charneca de Lessay onde nos encontramos. Ele, o meu rústico criador de gado, julgava um pouco as mulheres como julgava as bezerras do seu rebanho, como os pastores romanos deviam julgar as Sabinas que tomavam nos seus braços nervosos; só vira nela os sinais de força e as aptidões da saúde. Com a sua estatura média, mas harmoniosa, as suas ancas e seios proeminentes, como todas as suas compatriotas cujo destino é serem mães, se Jeanne não parecera a mestre Tainnebouy uma mulher bela, impressionara-o ao menos como sendo uma bela mulher.
Por isso, quando me falou dela e se bem que Jeanne tivesse morrido já havia vários anos, o seu entusiasmo de boieiro Normando exaltou-se e atingiu vibrações soberbas.
— Ah! senhor — dizia-me, batendo com o cajado de freixo nas pedras do caminho — era um belo pedaço de mulher! Era preciso vê-la a regressar do mercado de Coutances, no seu cavalo baio, um cavalo inteiro, violento como a pólvora, e sozinha por minha fé! Como um homem, levando na mão o seu chicote de couro negro, de punho envolto em seda vermelha, com o seu corpete de pano azul e a saia de amazona aberta de lado e presa por uma fiada de botões de prata! Arrancava chispas ao pavimento, senhor! Não havia em todo o Contentin uma mulher que se lhe pudesse comparar!
D'AUREVILLY, Barbey, Enfeitiçada, Capítulo V, página 83.
Onde os fracos não tem vez
Um filme que fala aos homens, com a linguagem da fábula, das forças desencadeadas do Apocalipse que avança...
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Barrio Gótico
Due donne in una stanza,
Duas donzelas em uma alcôva.
l'una si muove, l'altra si guarda
Uma se move, a outra contempla.
distratta in un sorriso
Absorta em um sorriso
(cielo coperto, carta di riso),
Céu nebuloso, papel de arroz.
che prova a raccontare
Que tenta contar,
la biografia con uno sguardo;
A biografia com um olhar;
questo canto visivo
Este canto visual,
è di chi crede, linfa d'ulivo
é de quem crê, nectar de oliva.
è linfa d'ulivo, è...
è linfa
d'ulivo, è...
È la notte delle Ramblas
É a noite das Ramblas
che racconta questa danza,
Que decifra esta dança,
quel demonio che ho nel petto
Aquele demônio que tenho no peito.
è una statua rannicchiata,
é uma estátua contorcida.
note vive, come i odio
Notas vivas, como o ódio
lo riportano giù nel mare.
Leva-o para o abismo do mar.
Da bambino consolavo
Desde menino consolava
chi si nutre dei difetti
quem se nutre dos defeitos
mentre oggi mi raccontavo
Ainda hoje, me dizia,
che non so più consolare
Que não sei mais consolar.
le due donne in quella stanza,
Aquelas duas donzelas na alcôva.
le due donne in quella stanza.
Dame e madonne in pietra
Damas e madonas em pedra.
ritte sui muri come fantasmi:
Retos no muro como fantasmas:
Antiche tribù mute, mondo di gesti,
Antiga tribo muda, mundo de gestos,
senza parole.
Sem palavras.
Pregano assieme in chiesa
Pregam junto a igreja,
statue di legno e statue di carne,
Estátuas de madeira e estátuas de carne.
le imitano in un chiostro
Imitam em um claustro,
scribi di pietra ed oche sante
Escribas de pedra e cisnes santos.
e...
tredici sante e un Re...
Treze santos e um Rei
e... tredici sante e Maria...
È la notte delle Ramblas
É a noite das Ramblas,
che solfeggia questa danza
Que solfeja esta dança,
archi(e)volti, ribassati
Arcos e curvas rebaixados
che improfumano un po'
Que perfumam levemente
tutto d'oriente
Tudo de Oriente
torri vive, torri more,
Torres vivas, torres mortas,
voti offerti al Dio del mare,
Votos oferecidos ao Deus do Mar.
riti intrisi in ogni nodo
Rituais imersos em cada cruzamento.
delle reti, delle mani
Das redes, das mãos,
dei momenti più affiatati
Dos momentos mais diletos
di chi vive per il mare,
De quem vive para o mar.
di chi vive per il mare...
di chi vive
per il mare...
Le due donne delle Ramblas
As duas donzelas de Ramblas
mi raccontano di una danza
Me contam sobre uma dança,
che mi nutre come il sangue
Que me nutre como o sangue,
di chi si piccona il petto:
De quem se perfura o peito:
pellicano speranzoso
Pelicano esperançoso,
su la croce dai l'esempio.
Sobre a cruz dá o exemplo.
Donna mia posa lo specchio,
Mulher minha pousa o espelho,
che c'è un sogno che ti attende,
Que existe um sonho que te atende,
copri la città di veli e...
Cobre a cidade de véus e...
sogna i monti...
Sonha os montes...
sogna i monti...
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Amor é aristocrático
"Dante meets Beatrice at Ponte Santa Trinita" ~ Henry Holiday, 1883
O amor é aristocrático, não encontrá-lo-ás em qualquer esquina, e o fato dele estar na boca dessas almas vãs é um insulto mesmo a ordem divina que transmuta-se em ordem natural no nosso efêmero plano de existência.
O amor em nosso espírito nada mais é que o sopro celestial dos Deuses ciciando em nossas orelhas o comando marcial que seguimos docilmente, imperativos desse tirano que mormente nos arrasta em seus arroubos.
Arroubos que ribombam o troar magnífico de todas as potências ocultas ao homem. D'outro modo, como se inteligiriam esses clarões que por vezes fulguram nos atos dos homens, atos de heroísmo, superação, ou simples eterna resiliência. Que aproxima o homem dos Deuses.
O amor é aristocrático, grassa nos corações jovens, sua forma mais pura, o amor além da decadência de nossos corpos mortais, além da imortalidade, além da eternidade, para muito mais além da existência banal da maioria da humanidade vil... da fornicação vulgar dos torpes.
E como explicar essa magnificência espiritual que se denomina amor? Magia, divindade, providência, capricho da natureza, alguma combinação química efetuada em nossos cérebros pelo mero acaso? Que me importa já? Sua existência é indelével, inexpugnável da alma humana. Se é nobre, ama.
Dante Alighieri sentia em si o arrebatamento febril tão intenso, que isso lhe causava tristes pesadelos, mas belíssimos sonhos outrossim, tão virulento foi o assalto amoroso, que em extâse catártico, imortalizou o objeto de suas doces tenções, em duas obras magnas da literatura mundial.
A honra e o amor, entrelaçados, sempre juntos, inerentes perante a natureza, epítome erigida pelos Deuses, um culto a vida... Se tu soubesses o que inspiras em meu peito...
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Tutto l'amore che ho
Le meraviglie in questa parte di universo
As maravilhas nesta parte do universo
sembrano nate per incorniciarti il volto
Parecem existir para consubstanciar-se em seu rosto
e se per caso dentro al caos ti avessi perso
E se porventura, no caos você se perdesse.
avrei avvertito un forte senso di irrisolto
Eu me consternaria por perder minha metade.
un grande vuoto che mi avrebbe spinto oltre
Um grande vazio que me levou além dos limites
fino al confine estremo delle mie speranze
Até os confins longínquos das minhas esperanças
ti avrei cercato come un cavaliere pazzo
Cheguei-me a ti como cavaleiro ensandecido
avrei lottato contro il male e le sue istanze
Lutei contra o mal e seus agravos
i labirinti avrei percorso senza un filo
Os labirintos eu percorri sem uma linha
nutrendomi di ciò che il suolo avrebbe offerto
Nutrindo-me do que o solo mo dera
e a ogni confine nuovo io avrei chiesto asilo
E em cada nova fronteira pedi asilo
avrei rischiato la mia vita in mare aperto
Arrisquei a minha vida em mar aberto.
considerando che l’amore non ha prezzo
Considerando que o amor não tem preço
sono disposto a tutto per averne un pò
Sou disposto a tudo para ter um pouco
considerando che l’amore non ha prezzo
Considerando que o amor não tem preço
lo pagherò offrendo tutto l’amore
Eu pagarei oferecendo todo o amor
tutto l’amore che ho
Todo o amor que possuo
un prigioniero dentro al carcere infinito
Um prisioneiro num cárcere infinito
mi sentirei se tu non fossi nel mio cuore
Me sentiria se você não estivesse no meu coração
starei nascosto come molti dietro ad un dito
Estaria escondido como muitos atrás de um dedo
a darla vinta ai venditori di dolore
A entregar-lhe vencida aos vendedores da dor
e ho visto cose riservate ai sognatori
E vi coisas reservadas aos sonhadores
ed ho bevuto il succo amaro del disprezzo
E bebi o suco amargo do desprezo
ed ho commesso tutti gli atti miei più puri
E cometi todos os meus atos mais puros
Considerando che l’amore non ha prezzo
considerando che l’amore non ha prezzo
sono disposto a tutto per averne un pò
considerando che l’amore non ha prezzo
lo pagherò offrendo tutto l’amore
tutto l’amore che ho
senza di te sarebbe stato tutto vano
Sem você minha existência seria em vão
come una spada che trafigge un corpo morto
Como uma espada que trespassa um corpo morto
senza l’amore sarei solo un ciarlatano
Sem amor eu seria apenas um charlatão
come una barca che non esce mai dal porto
Como uma nave que jamais deixa seu porto
Considerando che l’amore non ha prezzo
sono disposto a tutto per averne un pò
considerando che l’amore non ha prezzo
lo pagherò offrendo tutto l’amore
tutto l’amore che ho
Nesse clipe, como assinala um comentador do vídeo, retrata-se as desventuras de um homem na sua cruzada pelo amor, delineadas alegoricamente, pelos 3 vândalos, o cão raivoso, e os atiradores.
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