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domingo, 12 de março de 2017

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Estive a pensar em sustar minhas atividades nesse blogue, deveras durante o ano passado, dediquei-me, ainda que precariamente, as traduções. Mas meditei e cheguei a conclusão que não, já derramei muito do meu espírito nessas páginas para desistir agora, e em nenhum outro meio eu me expresso como aqui. Apesar de ser deserto.

Confesso, a interação social, ou falta dela me desmotiva, mas olhando para trás e analisando o principal motivo de eu criar esse blogue, escrever de mim à mim, não ter companheiros de viagem não seria um motivo sensato para eu fechar essa empreitada. Tudo isso, claro, em perspectiva de que outras redes sociais de compartilhamento de textos facilitam muito mais a participação dos usuários. Todavia deveras, sucumbir a essas veleidades seria um erro.

Essa solitude ao invés me permite contemplar, ser humilde, meditar em mim mesmo, me refrear, e silenciar o zumbido social que é a adicção da sociedade moderna, nesse ponto, esse blogue é meu espaço de meditação e transcendência, é meu deserto em que reflito nesses 40 dias eternos, a solitude solar, a destruição do ego voraz, e a ascensão ao caminho da virtude.

Essas reflexões são internalizadas, cinzeladas na alma, pelo silêncio e vazio sublime, onde meu verdadeiro eu pode irradiar-se e pervadir com sua benevolência todos recônditos da minha mente, que amiúde se descaminha em torrentes apaixonadas de sentimentos que não me enobrecem, nem me elevam, causadas pelo ego desfigurante.

Saúdo a ti, oh sagrada e pura solitude, faz-me transcender e elevar-me sobre mim mesmo.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O Sozinho

Ser um lobo solitário é um comportamento aberrante, não natural e típico das eras de decadência, onde a identidade völkisch é apagada por uma identidade de massa de consumo. O comportamento solitário não é natural do ser humano, aqueles que dizem que gostam de estar sozinhos simplesmente querem dizer com isso que o ambiente ao seu redor é desagradável, o que é compreensivo.

O ser humano viveu em tribos durante 100.000 anos, o mundo moderno existe a 200 anos, e a era da informação há 25 anos, nós temos mais traços do homem das cavernas do que de um homem moderno, nós somos moralmente degenerados é certo, mas nossa anatomia e nossos impulsos são sem dúvidas os mesmos dos homens que viviam nas florestas, portanto saudáveis.

Apenas quando nós distorcemos nossos instintos, e corrompemos nossos impulsos é que nos tornamos homens modernos, homens doentes, homens da cidade grande. Tudo que é natural na cidade grande é corrompido e preenchido de maneira inadequada, em vez de reprodução existe promiscuidade, em vez de combate aberto e honra, existe agressividade passiva, intrigas e falsidades, em vez do estímulo constante da mente através de várias atividades físicas e intelectuais, existe o entretenimento vazio, a distração constante. Porque não se enganem meus caros, o homem das cavernas necessitava usar seu cérebro provavelmente mais do que 90% da população atual hoje o usa.

Não digredindo porém, reafirmo, o ser humano é um animal de bando, de clã, de estirpe, o ápice do comportamento social no reino animal se consubstancia no homo sapiens, o homem não é o todo, ele faz parte do todo, e ele é feliz sendo parte, está em sua natureza, o individualismo não faz parte da natureza humana, se o faz é muito pouco e se limita aos gênios, gente como Goethe, Gauss, Newton, Tesla, Heisenberg, Von Braun. E mesmo nesses o individualismo é limitado.

A não socialização, ou melhor, a falta de laços de irmandade é fraqueza, o poder está no clã, na estirpe, na identidade, nos seus irmãos, na sua família, na sua tribo.

A solidão todavia, nessa era de degeneração e corrupção, pode até ser vista com um pouco de afeição, afinal é compreensível querer abster-se da Babilônia.

domingo, 1 de abril de 2012

Resignação

Sozinho no descampado,
Sozinho sem companheiro,
Sou como o cedro altaneiro
Pela tormenta açoitado.
 

Rugi, tufão desabrido!
Passai, temporais de pó!
Deixai o cedro esquecido,
Deixai o cedro estar só!
 

Em meu orgulho embuçado,
Do tempo zombo da lei...
Oh! venha o raio abrasado,
- Sem me vergar... tombarei!
 

Gigante da soledade,
Tenho na vida um consolo:
Se enterro as plantas no solo,
Chego a fronte à imensidade!
 

Nada a meu fado se prende,
Nada enxergo junto a mim;
Só o deserto se estende
A meus pés, fiel mastim.
 

À dor o orgulho sagrado
Deus ligou num grande nó...
Quero viver isolado,
Quero viver sempre só!
 

E quando o raio incendido
Roçar-me, então cairei
Em meu orgulho envolvido,
Como em um manto de rei.


Fagundes Varella