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domingo, 12 de março de 2017

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Estive a pensar em sustar minhas atividades nesse blogue, deveras durante o ano passado, dediquei-me, ainda que precariamente, as traduções. Mas meditei e cheguei a conclusão que não, já derramei muito do meu espírito nessas páginas para desistir agora, e em nenhum outro meio eu me expresso como aqui. Apesar de ser deserto.

Confesso, a interação social, ou falta dela me desmotiva, mas olhando para trás e analisando o principal motivo de eu criar esse blogue, escrever de mim à mim, não ter companheiros de viagem não seria um motivo sensato para eu fechar essa empreitada. Tudo isso, claro, em perspectiva de que outras redes sociais de compartilhamento de textos facilitam muito mais a participação dos usuários. Todavia deveras, sucumbir a essas veleidades seria um erro.

Essa solitude ao invés me permite contemplar, ser humilde, meditar em mim mesmo, me refrear, e silenciar o zumbido social que é a adicção da sociedade moderna, nesse ponto, esse blogue é meu espaço de meditação e transcendência, é meu deserto em que reflito nesses 40 dias eternos, a solitude solar, a destruição do ego voraz, e a ascensão ao caminho da virtude.

Essas reflexões são internalizadas, cinzeladas na alma, pelo silêncio e vazio sublime, onde meu verdadeiro eu pode irradiar-se e pervadir com sua benevolência todos recônditos da minha mente, que amiúde se descaminha em torrentes apaixonadas de sentimentos que não me enobrecem, nem me elevam, causadas pelo ego desfigurante.

Saúdo a ti, oh sagrada e pura solitude, faz-me transcender e elevar-me sobre mim mesmo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Abstrações de "Cavalgar o Tigre"




Sensação ativa. Existência ativa.

A receptação das sensações em concerto com o Eu transcendente e a consciência de si mesmo, a derrocada da frivolidade material e passional, o não uso de parâmetros sub-intelectuais para definir a individualidade, carne, paixões, emoções, são fatores que turvam o claro entendimento da consciência como ela é, e assim, despido dessas vendas, alguém pode buscar sinceramente o conhecimento de si mesmo, ante a dissolução e confusão de valores, sinais, e estruturas morais e filosóficas do homem moderno. Esquizofrenia coletiva, outrossim narcisismo, consultar o Sátiro.

A busca de si mesmo através de experiências e testes de força, de caráter, espirituais e físicos, que ao fim e ao cabo, não são mais que um e o mesmo.

Ter a honestidade de fazer as grandes perguntas que estruturam a existência intelectual e física do homem, ter a capacidade para buscar suas respostas, desenvolver o caráter, força, e resiliência para acreditar nas próprias respostas, estas, estando de acordo com as leis do próprio espírito individual, o eu transcendente ou consciência de si mesmo, termos diferentes para denominar o mesmo. Pois se na matemática a verdade não é subjetiva, no reino da consciência é propriamente o contrário, e mormente, aqueles que são fiéis a si mesmos e suas cosmovisões impolutas por tangências periféricas sub-intelectuais já apontadas acima, são fiéis a própria verdade metafísica, e atingem a vitória transcendente, e não raramente, também a vitória material.

"Se conheceis o inimigo e vós mesmos, não deveis temer o resultado de cem batalhas. Se conheceis a vós mesmos, mas não conheceis o inimigo, para cada vitória alcançada sofrereis uma derrota. Se não conheceis nenhum dos dois, sereis sempre derrotado." ~ Sun Tzu

Amor fati

Segundo Karl Jaspers, não apenas a obediência passiva a um destino predeterminado, conhecido, calculável. Mas a ciência que, em face de cada experiência e tudo o que for ambíguo, incerto e perigoso na vida de um indivíduo, o mesmo jamais desviar-se-á do caminho imposto por seu próprio espírito. O fator essencial nesse tipo de atitude, é a confiança transcendente da qual dimana intrepidez e segurança perante a vida.

http://www.amazon.com/Ride-Tiger-Survival-Manual-Aristocrats/dp/0892811250

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Vontade transcendente




Há dois caminhos, por onde os homens podem chegar a ser ricos e considerados: um é o das letras, o outro o das armas. Eu, pela inclinação que tenho para as armas, vejo que nasci debaixo do influxo do planeta Marte, de forma que me é forçoso seguir por esse caminho; por ele hei de ir malgrado a toda a gente, e debalde vos cansareis em persuadir-me a que não queira o que os céus querem, o que a fortuna ordena, o que pede a razão, e, sobretudo, o que a minha vontade deseja; pois sabendo, como sei, os inúmeros trabalhos que tem a cavalaria andante, sei também os bens infinitos que com ela se alcançam, e sei que a senda da virtude é muito estreita, e o caminho do vício largo e espaçoso, que os seus fins e paradeiros são diferentes, porque o do vício, dilatado e espaçoso, acaba na morte, e o da virtude, apertado e íngreme, acaba em vida, e não em vida que tenha termo, mas na vida eterna, e sei como disse o nosso grande poeta castelhano:

Conduz-nos esta aspérrima vereda
da imortalidade ao alto assento,
aonde não chega quem dali se arreda.*


SAAVEDRA, Miguel de Cervantes, O engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha, Capítulo VI, Tomo II.

*Garcilaso, Elegia, I.