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quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Reflexões 1

Muitas vezes o homem é arrogante no que tange seus objetivos, ou se alcança uma vitória completa e idealizada ou ele é tomado por uma apatia inexorável e solta as rédeas do seu destino, deixando-se levar pela maré do acaso.

Muitos não tem a humildade de reconhecer que porventura suas contribuições para a completação de seus ideais serão exíguas ou pequenas, desanimam.

Remete a parábola do que pequeno pássaro que tenta apagar o incêndio na floresta carregando água em seu bico, esse no entanto persevera, ao contrário do homem acima mencionado.

Quando o ego obseda a mente tendemos a achar que nossos princípios e esforços são em vão por serem humildes e portanto descartáveis e indiferentes, mas não são. Acontece, mormente, que não conhecendo a extensão de nossas forças ou talvez desejando que elas fossem maiores, ou nossas aptitudes fossem mais glamourosas, a apatia e desencorajamento faz o homem descair nas voragens do niilismo, e assim sendo, perde seu verdadeiro 'eu' nas trevas do vício e indolência.

Mas quem faz e trabalha, na medida de suas forças, para o avanço da virtude no mundo e em si, esse se iguala em nobreza a príncipes e cavaleiros. Perante Deus e o universo, não há diferença metafísica no valor da ação, o valor ontológico é atribuído à proporção e não à quantidade.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Objetividade

Um homem é definido por suas ações, e pelo nível de comprometimento em transmutar em realidade seus ideais. Ideais que são de fato, o que de tangível construiremos na terra nesse breve intermezzo chamado vida.

Tudo o que você professa, todos os valores que você denomina verdadeiros e defende, tudo isso descairá no nada perante a humanidade se tal não for consubstanciado em obras, o que conta é o que nós construímos.

Para tal, é necessário dominar a fera humana que habita dentro de cada homem, pois auto-disciplina é poder.

Dominar-se pelas paixões é ser arrastado, jogado e batido ao acaso pelas torrentes do sentimentalismo circunstancial, nos escolhos da fria e lógica realidade. É não ter escolha, é ser vítima das circunstâncias, ou seja, ser vítima da realidade lógica.

Realidade que invariavelmente segue a razão, e é completamente indiferente a subjetivismos, quaisquer que sejam, não condizentes com a verdade, que é una pelas leis da natureza, e que, no que concerne aos humanos, imutável, à despeito de relativismos e abstrações quânticas, assim sendo, dadas tais leis, o melhor modo de coexistir numa realidade tal qual é a nossa, é observando os preceitos matemáticos da lógica e razão.

Vogar neste mundo radicado nos princípios da razão é a melhor maneira de prevalecer no mesmo, lucidez e sobriedade, que em um mundo que oferece uma multitude experiências sensuais vãs, é cada vez mais difícil de se obter.

Não que o ascetismo seja um fim em si, mas o turbilhão das experiências sensoriais mais vulgares que hoje a tecnologia e sociedade oferecem e tornam uma norma cultural quase compulsória, forçam àqueles que buscam uma visão limpa e distinta a recorrer ao ascetismo, que no final fará toda a diferença em relação aqueles que deixaram-se levar pela embriaguez da carne, no que toca as leis naturais, e seleção evolucionária.

Os deleites corporais são lícitos, mas sempre em perspectiva da razão e sempre com o abandono apenas parcial de si à eles. Pois a sobriedade e distinção de idéias é a diferença entre a realização dos ideais e a completa obliteração.

Tudo se resume ao grau de comprometimento às idéias e ideais, que devem estar em fluxo com a verdade na medida que nosso intelecto consegue apreendê-la, e a objetividade é o meio mais certo para realizar-se.