quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Existe beleza no silêncio

Existe beleza no silêncio, em estar somente consigo, vis à vis com a própria mente, num embate eterno que caracteriza o homem. E quando se batalha o suficiente, então a paz interna erige, e se faz o estandarte do ser.

Assim o homem se torna rocha e martelo, impenetrável e inexorável, não há mais fissuras, as rachaduras não medram mais, expondo o interior suave e macio, mas sim o que se mostra, é a dureza férrea, e o que se transmuta do interno para o externo é a manutenção do espaço inexpugnável onde o homem pode tornar-se a si mesmo, seguir sua natureza. Que mormente, é nobre.

A cultura, a civilização, e as vezes o próprio homem, tentarão dissolver o verdadeiro Eu, o que é divino no homem, o Logos, cabe ao homem lutar e escolher manter-se inteiro, ou dissolver-se na solução iníqua da civilização moderna.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

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Tenaglia


sábado, 29 de dezembro de 2018

Exposição a propaganda

Durante muito tempo em minha vida, eu cria que a propaganda nada mais era que uma ferramenta que o mercado usava para influenciar as pessoas de QI baixo e indivíduos de alta preferência temporal, e que exatamente essas pessoas eram as mais suscetíveis a responder a esse tipo de estímulo. Isso, com efeito, deve ter um quê de verdade, mas hoje minha opinião é diversa a respeito da propaganda.

A verdade é que todos os seres humanos podem ser enredados pelos tentáculos da propaganda não importa sua condição social ou mental. Exatamente porque a propaganda age mais como uma presença constante no seu espectro de atenção e consequentemente em sua consciência, essa constância aliada a simplicidade da mensagem é a verdadeira fonte de poder da propaganda.

Diariamente, aquele valor ou mensagem, sutilmente trazida a atenção do indivíduo, alocando-se em sua mente, sendo uma coisa familiar do cotidiano, sim, o indivíduo há de responder de alguma maneira a essa ideia intrusiva, se a ideia lhe é repugnante ao começo a presença constante dessa ideia no dia a dia a tornará menos intolerável, se a ideia lhe é indiferente, então a familiaridade a tornará aprazível, desejável e até mesmo associar-se-á a seus sentimentos tornando-se um gatilho posteriormente.

Exempli gratia, quantos de nós, podemos associar uma música(mormente de qualidade questionável e que escolheríamos que não tivessem sido um gatilho associativo ou "marco" de nossas vidas), dessas que foram hits de época, a nossa infância ou tenra juventude, quando não podíamos escolher a que tipo de influências culturais nos expúnhamos? Muitos eu diria, senão todos.

Músicas são uma parte de um arcabouço maior de ferramentas designando mudanças na estrutura social e psicológica de uma população, como explicar que desde a revolução cultural de 1968 até agora, tempo minúsculo em relação a outras transformações parecidas na historia, muitos dos valores da população se inverteram, poderia ser feito sem o auxilio magistral dessas ferramentas, filmes, músicas, livros, televisão?

Em concerto uníssono e troante, todas essas ferramentas agem assolando o indivíduo por meios visuais, sonoros, emotivos, todas carregando a mesma semente de ideias a serem plantadas na mente do indivíduo comum, para que então, uma vez plantadas, ao germinarem, essas ideias causem uma sensação de falsa epifania, de que o indivíduo chegando a certas conclusões culturais e morais, pense ele que chegou a elas por raciocínio próprio.

Igualdade =>todas as pessoas são iguais, tem as mesmas potencialidades=>se há disparidade de riqueza ou felicidade, deve ser não por trabalho e visão e sim por vantagens dadas pelo sistema ou trapaça=>logo o forte é ilegítimo e deve ser derrubado.

Ou, Igualdade=>potencialidades iguais=>culturas tem o mesmo valor são apenas expressões diferentes da mesma humanidade=>porque eu deveria lutar para preservar minha cultura nativa se esta decair?=>relativismo cultural.

Note-se que há apenas uma tênue ligação entre igualdade e seus subprodutos finais, mas essa ligação é intrínseca à existência dos últimos.

Assim sendo, mesmo uma pessoa elucidada, com um alto QI queda-se vítima dos efeitos deletérios da propaganda. Um melhor exemplo porém do trabalho constante e incansável da propaganda: uma pessoa com convicções fortíssimas, mas que está isolada em um meio onde todos aderem as sugestões das propagandas, quanto tempo essa pessoa restaria firme as suas convicções, muito tempo decerto, mas se representássemos num gráfico sua fé, esta estaria em declínio, pois sua força vital e mental não é infinita, mas a propaganda é, é ainda como as águas de um riacho que talham o mais duro rochedo. 

Muitas vezes essas convicções fortes esboroam-se pouco a pouco, com pequenas concessões à cultura vigente, que ao longo dos anos vão se tornando cada vez maiores, armando a armadilha psicológica do "se eu vim até aqui, não machuca ir mais além, só um pouco" e assim cada vez mais as convicções se deformam e os fluxos da propaganda vão talhando no espírito do indivíduo seus profanos veios, até que ele por fim ao longo dos anos e milhares de transgressões contra suas convicções acaba por abandoná-las completamente.

Eis talvez a origem psicológica de estar na bíblia que Deus somente está onde mais de um se reúne em seu nome, é um método de proteção cultural, e reforço mútuo de fé contra influências alógenas. Esse método certamente deve haver em outras religiões outrossim.

E aqui chegamos ao ponto peremptório de tudo, devemos nós proteger, devemos saber que não estamos imunes ao inimigo somente por estarmos conscientes de sua presença, pois o trabalho constante da propaganda é arruinar seus adversários aos poucos, é fazê-los sentirem-se desmotivados, derrotados e niilistas, é fazê-lo propriamente perderem sua fé e cultura e unirem-se a massa sem face do consumismo global e degeneração moral.

Expor-se somente a qualidade e excelência cultural e espiritual é uma contingência imprescindível, se quisermos nos tornar quem nós verdadeiramente somos.

domingo, 4 de novembro de 2018

Retratação

Se estiverdes disposto a pedir perdão por algo que dissestes, quando existe uma pressão social para tal, nada dizei então. Pouco há de mais desonroso que a pusilanimidade perante a mentalidade de massa que erige um bode para expiar, na maior parte das vezes uma retratação covarde nada faz além de aguçar a sede de sangue da turba, que atiçada pela demonstração de fraqueza exigirá ainda mais concessões, desculpas e denúncias.

Se achardes válido ou conveniente que vossa opinião seja externada, fazei-o consciente das repercussões, estejais disposto a caminhar pelo inferno por ela, e jamais parar especialmente quando afrontado pelas opiniões e condenações de uma turba asinina que quer arrastar-vos de volta ao poço de ignorância donde saístes, e nunca esqueçais, a massa odeia a virtude e fará de tudo para homiziá-la e destruir seus arautos. A verdade demanda fortaleza de caráter e de mente.

sábado, 27 de outubro de 2018

Beleza recôndita

Há muita beleza no mundo, apesar de tudo parecer tão cinza e desesperador as vezes, e que somos vítimas de uma animalidade e materialismo inatos ao tecido de nossa realidade nesse universo, como se as leis naturais fossem extremamente feias.

Mas homiziadas entre os finos véus da natureza, se nos dignarmos a procurar, encontraremos, mormente através da arte, esquadrinhamos em nós mesmos a beleza recôndita, deslindando-a, transpomos sua beatitude à matéria fria e a pessoas levianas ao nosso redor.

Eis a mágica da arte superior, dar sentido ao mundo, mesmo que talvez ele esteja já morto ou moribundo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Volta atrás

SE eu te enviasse 10, 20 anos atrás, e você fosse restaurado com suas forças plenas, e conservasse uma memória vaga de qual seria seu futuro, sem especificidades ou datas, você seria uma pessoa diferente?

É provável que não. Muito do nosso futuro é decidido mais pelas ações cotidianas e pela nossa capacidade de alterar nossa rotina diária, de algo sem sentido e/ou destrutivo, para algo que tenha um objetivo, uma finalidade.

E do que nossa rotina é constituída? Mormente de prazeres pequenos e coisas dentro de nossa zona de conforto, e essa zona é onde todo humano deseja estar eternamente, para sua desdita porém, é essa mesma zona que o impede de avançar e se aperfeiçoar.

Porque o prazer próximo, que está perto, acessível, mesmo que seja pequeno ou infame, é exponencialmente mais irresistível, do que um prazer maior e bom, que esteja distante no espaço ou tempo. Longe de nossos sentidos.

Essa reflexão é necessária, pois o você de hoje é o você de 1 ano a frente, trazido de volta no tempo, consciente de todos os seus defeitos, sabedor de tudo o que tem que mudar para o auto-aperfeiçoamento, porque você não muda? 

E porque através de exercícios de imaginação e reflexão não traz para sua mente e sentidos, benefícios e prazeres benévolos que não obstante estarem longe no espaço-tempo valem a pena o esforço para obtê-los?

Porque se deixar vencer pela mediocridade cotidiana e pela zona de conforto? Quando a grandeza e a virtude estão ao seu alcance, se assim o desejares? Porque viver uma vida animal de prazeres mesquinhos, quando podes realizar o seu pleno potencial humano?

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Jung já descrevia em seus ensaios

Jung já descrevia em seus ensaios, que existem forças psicológicas no homem, que pendem em sua personalidade como lastros incógnitos, inclinando-a a certas tendências, e que essas forças psicológicas vem sendo fomentadas na psique de cada povo de modo diferente.

E que muitas das angústias do homem domesticado moderno, advém desse inconsciente coletivo. Nós devemos canalizar essa força, através do autoconhecimento e reflexão.

Privação.

Sempre quando tentamos mudar um hábito ruim, sentimo-nos assolados pela ansiedade dessa privação. Mas mesmo essa ansiedade se torna distante e cada vez menos intensa a medida em que o tempo passa e fortalecemos nosso espírito, voltando a nossa essência real, nos tornamos quem devemos ser, percebemos que essa ansiedade, assim como toda ansiedade, não passa de ilusão.