domingo, 10 de julho de 2011
Tempestade Sacra
Sturmes Boten fern am Himmel
As tempestades levantam-se no horizonte longínquo,
Mit einer dunklen Flut aus Regen
Prenunciando em negras lufadas torrenciais,
Naht ein tobendes Gewitter
A violenta borrasca,
Bringt uns unheilvollen Segen
Que derrama sobre nós, bençãos desditosas.
Wir, die immer vorwärts blicken
Nós que sempre buscamos,
Keiner Seele etwas schulden
Almas impolutas,
Müssen jetzt durch Groll und Sühne
Devemos nós agora, entre o rancor e a contrição,
Eines Gottes Zorn erdulden
A fúria de um Deus padecer.
Eines Gottes, der da waltet
Um Deus que aqui impera,
Und uns richtet nur zugrunde
Conduz-nos a ruína,
Uns nur straft mit seinem Spotte
E castiga-nos com sua verdasca do escárnio,
Unaufhörlich schmerzt die Wunde
Fustigando nossas feridas pela eternidade.
Mag es stürmen, mag es hageln
Possam essas tempestades, possam essas ventanias,
Donner, Blitz und Ungeheuer
Trovões, raios e potestades,
Aus dem Himmel auf uns stürzen
Dos céus descender sobre nós,
Soll es brennen, dieses Feuer!
Ainda assim, essas flamas crepitarão!
Soll es brennen und uns schüren
Crepitarão ainda e animarão nosso espírito,
Für den nächsten Opfergang
Para o próximo sacrifício,
Kein Gott trübt des Menschen würde
Nenhum Deus obscurecerá a humanidade,
Wir sind frei ein Leben lang
Tornaremo-nos livres por toda a nossa vida.
Ein Leben lang – sind wir frei
Por toda a vida, seremos livres,
Wir sind frei ein Leben lang
Nós somos livres por toda nossa vida...
Ein Leben lang – sind wir frei
Wir sind frei ein Leben lang
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Solstício de Verão
Summer solstice your hand in mine
Solstício de verão, suas mãos nas minhas,
Summer solstice so divine
Solstício de verão, tão divino,
A pledge to keep to sun above
Uma promessa para manter o sol no zênite,
A pledge to you my love
Um juramento a ti, meu amor.
Summer solstice glorious and golden
Solstício de verão, glorioso e dourado,
Summer solstice fertile and gilden
Solstício de verão, fértil e jovial,
A homage to life in all it's bloom
Uma homenagem a vida em todo seu fulgor,
Circle of the sun rekindle the fire
O círculo solar reanima as chamas.
Summer solstice your hand in mine
Solstício de verão, suas mãos nas minhas,
Summer solstice here in Sonnenheim
Solstício de verão, aqui em Sonnenheim(reino ou pátria do sol)
A pledge to keep to sun above
Uma promessa para manter o sol em seu zênite,
A pledge to you my love
O que se chama "Festa de São João" nos países latinos europeus e "Solstício de Verão" nos países do norte, é uma e a mesma coisa, O Solstício de Verão nos países nórdicos conservou seu caráter pagão, no sul, a igreja cristianizou tal celebração, celebrava-se o retorno do sol após o inverno, e a fertilidade entre os casais.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Os Três Filhos de Budrys
Na corte de seu castelo, o velho Budrys chama seus três filhos, três legítimos lituanos como ele. Ele lhes diz:
— Meus filhos, dai de comer a vossos cavalos de guerra, preparai vossas selas; afiai vossos sabres e vossas azagaias. Dizem que em Wilno foi declarada guerra contra os três cantos do mundo. Olgerd marchará contra os Russos; Skirghello, contra nossos vizinhos poloneses; Keystut cairá sobre os teutões. Sois jovens, fortes, audaciosos, ide combater; que os Deuses da Lituânia vos protejam! Este ano não entrarei em combate, mas quero vos dar um conselho. Sois três, três caminhos se vos oferecem.
'Que um de vós acompanhe Olgerd para a Rússia, às margens do lago Ilmen, sob as muralhas de Novgorod. Ali se encontram em profusão peles de arminho, tecidos brocados. E os mercadores tem tantos rublos quanto são os pedaços de gelo no rio.
'Que o segundo siga Keystut em sua cavalgada. Que esmague a canalha do cruciferário! Lá, o âmbar é para eles como a areia do mar; seus tecidos são, por seu lustre e suas cores, inigualáveis. Há rubis nas vestes de seus padres.
'Que o terceiro atravesse o Niemen com Skirghello. Do outro lado, encontrará vis instrumentos de lavoura. Em compensação, poderá escolher boas lanças, muitos escudos, e trar-me-á uma nora.
'As mulheres da Polônia, meus filhos, são as mais belas de nossas cativas. Brincalhonas como as gatas, brancas como o leite! Sob suas negras sobrancelhas, seus olhos brilham como duas estrelas. Quando eu era jovem, há meio século, trouxe da Polônia uma bela cativa que foi minha mulher. Faz muito deixou de sê-lo, mas não posso olhar para este lado da casa sem pensar nela!'
Ele dá sua benção aos rapazes, que já estão armados e montados. Partem; chega o outono, depois o inverno... Eles não voltam. O velho Budrys já os julgava mortos.
Vem uma tormenta de neve; um cavaleiro se aproxima, cobrindo com sua burka* negra algum fardo precioso.
— Ele traz um saco — diz Budrys. — Está cheio de rublos de Novgorod...
— Não, pai. Trago-vos uma nora da Polônia.
Em meio a uma tormenta de neve, um cavaleiro se aproxima, e sua burka se distende sobre um precioso fardo.
— O que é isso, filho? Âmbar amarelo da Alemanha?
— Não, pai. Trago-vos uma nora da Polônia.
A neve cai em rajadas; um cavaleiro se aproxima, escondendo sob sua burka algum fardo precioso... Mas antes que ele mostre seu butim, Budrys já convidara seus amigos para um terceiro casamento.
*burka; capa de feltro
Poema de Adam Mickiewicz adaptado em prosa por Prosper Merimée através de sua personagem Senhorita Iulka, em sua novela "Lokis".