sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Geheimnis
Ich hege im Geheimen
Eu aprecio em segredo
Ein fest verschloßnes Glas
Uma garrafa firmemente selada
Wenn auch der Trost in Reimen
Quando mesmo ao conforto das rimas
Den Weg zu mir vergaß
O caminho por mim for esquecido
Ich hab, wenn ich allein war,
Por vezes quando eu ficava só
Das Glas so oft entblößt,
Essa garrafa frequentemente eu abri
Den kleinen Gott, der scheinbar
A pequena deusa, a ilusão,
Die ganze Welt erlöst.
Redimiu o mundo inteiro
Und weiß: Du bleibst für immer
E sei: você está para sempre
In leichter Abendluft,
Em crepúsculos agradáveis,
Und schwer betäubt im Zimmer
E entorpecida n'uma alcova
Der Bittermandelduft.
Em perfume de armellinas.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Viver perigosamente
Mais de uma vez perguntei-me se era simples acaso o fato de Hitler e Mussolini tantos pontos em comum e tantos rasgos semelhantes em seus destinos. Ambos interessavam-se pela arquitetura, ambos apreciavam o filósofo Nietzsche e ambos suportavam o trágico destino da solidão humana. Nenhum dos dois teve um verdadeiro amigo; estavam rodeados de muitos lacaios e de muito poucos homens. Recordava duas citações de Nietzsche, que tinha ouvido de Hitler e de Mussolini. Teriam escolhido, por acaso, como lemas para suas vidas?
Acaso tento fazer minha felicidade?
Não; tento fazer minha obra.
E as breves mas significativas palavras:
Viver perigosamente.
Otto Skorzeny, Memórias, Capítulo 34, Pg. 317, Tomo II, Editora Bibliex.
Visão nietzscheana
Durante aqueles dias, nós, soldados alemães, chegamos a compreender muitas coisas. Tinha passado a época dos estados nacionais do rígido nacionalismo. Agora deveríamos procurar objetivos mais elevados. Todos nós, antigos inimigos e amigos de sempre, precisávamos encontrar uma solução "européia". Não devíamos renunciar a nossos ideais e sim projetá-los num plano mais nobre. A idéia "européia" devia emergir espontaneamente do caos reinante. Era evidente que esta idéia estava mais arraigada naqueles que estiveram animados de um apaixonado amor à pátria, no tempo em que procuravam a unidade da Europa e deram provas de que estavam dispostos a sacrificar-se por ela: os voluntários que lutaram nas fileiras das Waffen-SS.
Otto Skorzeny, Memórias, Capítulo 30, Pg. 256, Tomo II, Editora Bibliex.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
A derrota
A 30 de abril fiquei sabendo pelo rádio a notícia da morte de Adolf Hitler; tinha morrido em Berlim, a capital do Reich que estava cercada pelos russos. Reuni os oficiais do meu estado-maior e lhes dei conhecimento da notícia. Receberam-na em silêncio, como se esperassem algo mais de mim. O que devia dizer-lhes? Meu breve discurso terminou com estas palavras:
- O Führer morreu. Viva a Alemanha!
No princípio, a morte de Adolf Hitler parecia um fato incrível. Mas tão logo a reflexão serenou meus pensamentos, cheguei à conclusão de que o Führer da Grande Alemanha devia morrer na sua Capital. Não podia ser testemunha de sua inevitável derrota. Os acontecimentos daquela época são muito recentes para que a personalidade de Hitler possa ser julgada. Essa tarefa é reservada aos historiadores dos próximos decênios. Para muitos alemães, honestos e de boa-fé, com Adolf Hitler perderam-se todas as esperanças de um futuro feliz.
Otto Skorzeny, Memórias, Capítulo 29, Pg. 253, Tomo II, Editora Bibliex.
domingo, 25 de agosto de 2013
Desertores
A opinião pública mundial deveria saber que todos os homens que naquele momento se encontravam na linha de frente permaneceram fiéis à Alemanha até o último instante. Os desertores não deviam ser procurados na frente e sim na retaguarda. Os sabotadores, na Alemanha, não se encontravam entre os trabalhadores, mas nos postos mais elevados. Pois como se explica o fato de, no outono de 1944, os trabalhadores do Ruhr terem tratado de impedir, a bastonadas, a fuga de unidades desmoralizadas da retaguarda da frente ocidental? Como se explica, nos meses posteriores, os mineiros das regiões próximas aos campos de batalha terem baixado às minas, a fim de extrair carvão para a defesa da pátria? Constatei pessoalmente que, quando os russos já estavam junto ao Oder, uma fábrica de Litzmannstadt chamou Berlim para saber se podia continuar o trabalho. Como se explica que as fábricas da Silésia continuassem trabalhando mesmo depois de estarem ao alcance do fogo da artilharia russa? Os trabalhadores permaneciam nas fábricas inclusive quando as posições avançadas eram abandonadas. Estavam convencidos de que os soldados alemães retornariam.
Otto Skorzeny, Memórias, Capítulo 29, Pg. 243, Tomo II, Editora Bibliex.
Bolcheviques
...Subitamente vimos um homem espreitando-nos através de uma janela; logo depois saiu à rua demonstrando ar de receio; não ousava crer no que estava vendo: soldados alemães! Muito excitado, contou-nos que os russos estavam na cidade há dois dias. Tinham instalado seu quartel-general junto à estação, em cujas imediações estavam estacionados vários tanques. Os russos utilizavam a ferrovia e frequentemente chegavam trens carregados de material e de pessoal.
Decidimos comprovar pessoalmente aqueles informes. Três homens aproximar-se-iam prudentemente da estação, fazendo uma volta pela cidade; outro grupo avançaria pela rua que conduzia diretamente à estação; o restante do pessoal ficaria junto à porta com as duas viaturas para cobri-los.
A espera deste reconhecimento pareceu-me uma eternidade. Lancei um olhar à minha volta e descobri horrorizado, no meio da rua, o cadáver quase desnudo e terrivelmente mutilado de uma mulher. Alguns habitantes da cidade ousaram sair de suas casas e a se aproximar de nós; a maioria dessas pessoas era constituída de mulheres e crianças, embora houvesse entre elas alguns homens de idade avançada. Pediram que os levássemos conosco. Não podíamos infelizmente atender aos seus pedidos, porque dispúnhamos de apenas duas viaturas. Sugeri, entretanto, que percorressem a pé os poucos quilômetros até Königsberg; manteríamos a estrada livre durante meia-hora. Mas aqueles homens estavam tão desconcertados, que não chegaram a entender minha sugestão. Era evidente terem vivido dias terríveis; a maioria deles acabou por voltar às suas casas.
Finalmente regressaram os grupos de reconhecimento. Contatou-se que junto a estação havia aproximadamente trinta tanques. As tropas russas estavam acampadas, provavelmente, ao sul e a leste da cidade. tinham visto ainda vários cadáveres de paisanos nas ruas e calçadas; porém, não encontraram um só transeunte.
...
Duas mulheres muito jovens, carregando em seus braços os filhos lactentes, suplicavam-nos com lágrimas nos olhos para que as tirássemos dali. Deixamos que sentassem no assoalho de nossa viatura blindada e nos pusemos em marcha. Enquanto avançávamos em direção a Königsberg, sentíamos a consciência pesada. Mas o que podíamos fazer para ajudar aos habitantes da cidade ocupada? Quando passamos junto ao cadáver de nosso camarada morto naquela manhã, recolhemos seu corpo, colocando-o em nosso jipe: teria ao menos um enterro digno de um soldado. Quando ouvimos à nossa retaguarda o rugitar dos motores dos tanques soviéticos, já estávamos a salvo no interior dos bosque.
Otto Skorzeny, Memórias, Capítulo 28, Pg. 225, Tomo II, Editora Bibliex.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Dr. Morell
...Durante esta entrevista, que durou aproximadamente meia hora, tive oportunidade de observar Hitler detidamente. Aquele homem devia possuir um enorme domínio sobre si próprio, já que não notei nele qualquer sinal de depressão pelo fracasso da ofensiva das Ardenas, na qual foram depositadas tantas esperanças.
"Vamos lançar uma ofensiva de grande vulto no sudeste" -- disse ele quando nos despedimos.
Seu pensamento estava novamente na frente Leste. Confesso que não compreendi sua atitude. "Enganava a si próprio, ou estava sob a influência das injeções do professor Morell?" Este médico soube conquistar a confiança de Adolf Hitler. Outros médicos, tais como o Dr. Rudolf Brandt e o Dr. Hasselbach, estavam preocupados há muito tempo com o estado de saúde do Führer. O Dr. Brandt me contou que Morell tratava Hitler com medicamentos estimulantes, que a longo prazo deveriam ter um efeito nocivo. Por acaso o Dr. Brandt descobriu que Adolf Hitler tomava há algum tempo grandes quantidades de um preparado contra doenças gástricas. Brandt mandou analisar aquelas pílulas, aparentemente inócuas, e constatou que continham certa quantidade de arsênico. Por menor que fosse a quantidade ingerida, com o tempo, seus efeitos sobre o organismo de Hitler seriam desastrosos. Brandt deu o alarme, mas Morell saiu vencedor.
Otto Skorzeny, Memórias, Capítulo 27, Pg. 204, Tomo II, Editora Bibliex.
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