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segunda-feira, 26 de abril de 2021

Comentários sobre a Bíblia #2

"Mas se alguém, estando puro, não se encontrar em viagem e, todavia, não fizer a Páscoa, será cortado do seu povo, porque não apresentou a oferta do Senhor no tempo estabelecido; este levará a pena do seu pecado."

Números, 9 - Bíblia Católica Online

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Nisso vemos a importância da consecução dos rituais, para o pertencimento à comunidade, aquele que é desleixado na feitura dos ritos deve ser exterminado da vida comunal, penso que, na intenção de evitar hipócritas que dizem ser, mas não são, pois se nem ao menos se dão ao trabalho da execução dos ritos, terão eles alguma vida espiritual ordenada? Não, ao materializar a vida espiritual através dos ritos, o homem dá azo a organização interna de seu espírito, ao menos durante o rito traz os pensamentos divinos sobre si.



"O Senhor irritou-se com sua partida, e o anjo do Senhor pôs-se-lhe no caminho como obstáculo. Balaão cavalgava em sua jumenta, acompanhado de seus dois servos.* 23. A jumenta, vendo o anjo do Senhor postado no caminho, com uma espada desembainhada na mão, desviou-se e seguiu pelo campo; o adivinho a fustigava para fazê-la voltar ao caminho. 24. Então o anjo do Senhor pôs-se em um caminho estreito que passava por entre as vinhas, com um muro de cada lado. 25. Vendo-o, a jumenta coseu-se com o muro, ferindo contra ele o pé de Balaão, que a fustigou de novo. 26. O anjo do Senhor deteve-se de novo mais adiante em uma passagem estreita, onde não havia espaço para se desviar nem para a direita nem para a esquerda. 27. A jumenta, ao vê-lo, deitou-se debaixo de Balaão, o qual, encolerizado, a fustigava mais fortemente com seu bastão. 28. Então o Senhor abriu a boca da jumenta, que disse a Balaão: “Que te fiz eu? Por que me bateste já três vezes?”.* 29. “Porque zombaste de mim – respondeu ele –. “Ah, se eu tivesse uma espada na mão! Já o teria matado!” 30. A jumenta replicou: “Acaso não sou eu a tua jumenta, a qual montaste até o dia de hoje? Tenho eu porventura o costume de proceder assim contigo?”. “Não” – respondeu ele. 31. Então o Senhor abriu os olhos de Balaão, e ele viu o anjo do Senhor que estava no caminho com a espada desembainhada na mão. Inclinou-se e prostrou-se com a face por terra. 32. “Por que – disse-lhe o anjo do Senhor – feriste três vezes a tua jumenta? Eu vim opor-me a ti, porque segues um caminho que te leva ao precipício. 33. Vendo-me, a tua jumenta desviou-se por três vezes diante de mim. Se ela não o tivesse feito, eu te haveria matado, e ela ficaria viva.” 34. Balaão disse ao anjo do Senhor: “Pequei. Eu não sabia que estavas postado no caminho para deter-me. Se minha viagem te desagrada, voltarei”."
Números, 22 - Bíblia Católica Online

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Mui curioso conto este de Balaão, aqui segundo a Bíblia somos informados que os animais são capazes de perceber e obedecer aos seres divinos e se o Senhor permitir, mesmo comunicar-se em palavras, e neste caso a sua vida pode ter valor acima da do homem pecador, movido pelo amor ao dinheiro, em detrimento dos comandos divinos. 

Sabemos também que por vezes os desígnios divinos nos são ocultos, e pecamos apenas por nos deixar levar pelo fluxo das circunstâncias, peca-se culposamente. Se a espada do anjo trespassasse Balaão, teria ele culpa? Por sua cupidez e ignorância, sim. Se ele soubesse que o que fazia era errado continuaria ele a fazer, mesmo depois do anjo ter-se anunciado, não.

Pode ser daí que outras tradições e a própria cristã atribui o pecado à ignorância. Se nós pudéssemos ver o anjo que nos aguarda brandindo a espada flamejante pronto a nos varar com ela, pararíamos em nossa senda de iniquidade, pecado, reconsideraríamos, Balaão não pôde ver o anjo justiceiro adiante, a jumenta em sua inocência, pôde.



"Se o homicida feriu com ferro, e o ferido morrer, é réu de homicídio, e morrerá também ele. 17. Se foi com uma pedra atirada com a mão que o feriu, capaz de causar a morte, e realmente morrer o ferido, é réu de homicídio, e morrerá também ele. 18. Se foi com um pau na mão, capaz de causar a morte, e esta venha de fato, é réu de homicídio; será punido de morte. 19. O vingador de sangue o matará; logo que o encontrar, o matará. 20. Se um homem derrubar outro por ódio, ou lhe atirar qualquer coisa premeditadamente, causando-lhe a morte, 21. ou se feri-lo com a mão por inimizade, e ele morrer, o que o feriu será punido de morte, porque é um assassino: o vingador de sangue o matará logo que o encontrar."
Números, 35 - Bíblia Católica Online

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 Homicídio como crime dos mais graves, mesmo o involuntário é passivo de vingança, o vingador de sangue(goel hadam), o parente mais próximo da vítima, que tem sobre si o dever do desagravo do crime, instituição de vingança privada da sociedade judaica antiga, feito o crime, o malfeitor era levado perante a assembleia de sacerdotes e julgado, se culpado era entregue a mercê do vingador de sangue, o redentor dos direitos de seu parente caído, no caso de homicídio essa redenção era somente feita com sangue.

Seria eu atrevido a ponto de dizer que os antigos, em matéria de justiça valorizavam a vida mais que nós, os conhecedores da ciência? Creio que sim, pelo menos no Brasil, não existe justiça para o crime de homicídio, quando muito um homicida nesse país fica 15 anos preso, vivendo a custa dos impostos da família da vítima, o que adiciona insulto a injúria. Existem crimes em que a morte é a única punição, as medidas da ciência jurídica existem para a proteção dos direitos do réu e sua ampla defesa. Deus demanda a morte do homicida, quando as provas são inequívocas, pois ele tomou o bem terreno mais precioso de uma pessoa, sua vida, ao tomar a vida de outrem, o homicida defrauda seu próprio direito a existência, a Bíblia o reconhece, assim como variados outros sistemas jurídicos pelo mundo. Hoje a vida vale muito pouco, os homicidas se multiplicam pela terra e um sistema jurídico farsante assegura a proliferação de tais facínoras.

sábado, 5 de dezembro de 2020

2020

Um ano cheio de percalços, tribulações e desditas, mas ao contrário de outros, não serei leviano ao atribuir tais calamidades ao fado. Não, fora eu meu próprio guia para a escuridão, eu o artífice de meu decaimento, descendo ao tétrico sorvedouro onde minha alma sofre em agonia, por perder-se, esquecer-se de si e corromper-se miseravelmente, escrava dos sentidos e de minha mente irracional ávida por prazeres obliterando-se.

Houveram oportunidades para reflexões sobre nossa condição humana e a aquisição de alguma sabedoria.

E para não dizer que foi um ano ignominioso por completo, houve sim uma ascensão, que foi quebrada e então deu inicio a precipitação.

Comecemos pela precipitação e consequentes desvegonhas.

É preciso confessar, não venci os vícios da gula e da luxúria, ou talvez os tenha vencido mas foi temporariamente.

Luxúria, azorrague esbraseante que aflige o coração dos homens, escurece a alma, deturpa num significado vil o mais sacro ato de amor entre homem e mulher, o próprio ato da concepção, criação de vida, corrompido num mero ato estéril de concupiscência e egoísmo, defraudando qualquer nobreza imbuída aí pela natureza. Que esse vício seja desarraigado de meu ser, pois para mim é sevícia tenebrosa viver nessa Babilônia, e que dor mais pungente participar disso, cego pelo frenesi de meu sangue abrasador. Meu coração contrito sofre profundamente.

Rogo a Deus por uma boa esposa, a quem possa amar e constituir família.

A gula, signo patente do homem remisso, amador de prazeres, um dos vícios mais deletérios, destrói a saúde e a alma. Oferece-nos, não obstante, um exemplo diserto, de como o pecado é, se por um lado as comidas naturais com seu sabor sóbrio alimenta e constrói nossos músculos e ossos, por outro, as comidas artificiais, insalubres, oferecem aos cachões sensações várias, deleitosas, mas que nos enfraquecem, depletam nossa saúde, encurtam nossos anos, mais ainda, cobrem de fealdade o templo de nossa alma, o nosso corpo. Tudo em troca de sensações fugazes, uma fuga da realidade através do prazer dos sabores.

Prefira o alimento que contenha a vida ao invés de tua destruição, a sobriedade é preferível a intensidade.

Assim eu confesso, Deus há de alçar-me de toda essa iniquidade, Ele conhece os recônditos de meu coração. Está comigo, não me abandonará.

Esse ano outrossim adquiri alguma sabedoria como consequência de eventos fatídicos. Nomeadamente, perdi um ente querido.

Fez-me pensar em como erramos pelas eiras da mortalidade, preocupando-nos apenas conosco, negligenciando nosso deveres afetivos, ignorando quem nos causa fastio, exigindo perfeição, nós imperfeitos. Como as pessoas estão cada vez mais frias, como se importam pouco com os outros.

Como o cálido sentimento de amizade é dos mais valiosos e puros, símbolo da virilidade castiça. Quem tem amigos tem tudo que precisa, quem tem uma comunidade, tem raízes, e não é derrubado tão fácil pelos demônios modernos.

Hoje somos escalpelados, se demonstramos nossa humanidade, temos de viver segundo os padrões ditados pela mídia, pseudovalores, dissoluções, sinalização de virtudes e corrupção da alma, a sociedade atual não quer que tu pertenças a grupo algum, senão aqueles aprovados pelo sistema, os politicamente corretos, se não pertencer a esses, eles querem que tu sejas somente um "indivíduo" sem face, sem história, um bom consumidor.

Voltando a meu aprendizado de humanidade, eu creio que perdi um pouco a recalcitrância em demonstrar sentimentos benévolos, a apreciar as pessoas e suas qualidades, a aplaudir, a elogiar sem a pestífera solércia de alguém que busca algo em troca ou tem outro fim ulterior.

Minha alma tornou-se mais afável e agradeço a Deus por ver o erro de meus caminhos de antanho, nesse sentido, tornei-me mais humano.

Diante de tal elocução, devo também reconhecer que nem tudo foram trevas, busquei alteroso os ares excelsos e quase consegui. Antes da fraudemia fechar as academias, tinha vencido a gula e graças aos treinos corporais atingia a melhor forma física de minha vida. Atingia a disciplina também para estudar a sério um livro que há muito desejava. Tudo isso durou até junho. Daí em diante despenhei-me numa voragem descendente que conduziu-me ao oblívio que estou hoje, mas tenho saúde, tenho sabedoria, sei o que devo fazer, a virtude é tangível para mim, e para ti também nobre leitor que dignou-se a ler este humilde texto até aqui, Deus está contigo e te dará forças e virtudes para materializar a visão de tua alma nesse plano material, acreditemos na vitória e confiemos.

Salve Deus!