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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Reflexões 2

Existe um sabotador na mente de todo homem, uma voz, um sentimento, que mina todos os seus esforços e enche sua mente de dúvidas e negatividade. Um derrotismo completamente inútil, que no fim, somente é seu ego tentando preservar a si mesmo da batalha, das agrestes abrasões de si com a realidade, mas são essas mesmas dificuldades que alçam o homem da mediocridade e o tornam nobre.

Um momento de coragem e iniciativa que não é comum entre seus pares e que pode te granjear recompensas mas que tem ao mesmo tempo um bom risco de ridículo e talvez de alguma perda material, na tomada de decisão, mormente o ego se coloca na defensiva, é contra qualquer ação que possa expô-lo ao escárnio alheio ou mostrá-lo como indesejável, se o homem o ouve, preferirá ficar anônimo entre a massa sem face, contente com o status quo, isso pode parecer confortável, mas tem um custo, esse é o da alma do homem, pois sua alma se materializa no mundo através de suas ações que são naturais a ela, que ele as negligencia por medo de expor seu ego às batalhas da vida, ele se omite a si mesmo, recusando a dor necessária para o crescimento como ser humano, da qual derivam as ações que o tornam único e que perfazem a completude de sua alma nesse plano terreno, tudo isso em troca do prazer vulgar das massas e o conforto de ser apenas mais um na multidão, ser normal, numa época em que ser normal é entregar-se a toda sorte de vícios da alma e do corpo.

No fim, se ouvirdes o ego, e buscares apenas o prazer e o conforto, chegarás ao fim dessa existência somente com um sentimento de vazio e nulidade de propósito, tendo em conta que sua passagem pelo plano material fora em vão.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Lute para vencer

A vitória reforça a si mesma. A vitória, pelo menos uma, desanuvia o caminho do sucesso, dissipa a incerteza, traz a confiança do caminho certo e dos sacrifícios necessários para atingi-lo.

A mente torna-se una, focada no objetivo, e as duvidas já não tem azo na mente do homem que experimentou a vitória e sabe o que é necessário para obtê-la.

Não seja um NPC. Exaura sua individualidade, vá até o limite das tuas potencialidades. Não se contente com a mediocridade ou ser "normal". Queime a chama de seu espírito nos seus sonhos e atos. Seja fiel a ti mesmo.

Nos jogos de computador ou console, NPCs(Non Playable Characters/Personagens não jogáveis) são os personagens que estão no jogo apenas como parte da ambientação, são intercambiáveis, não há nada de especial neles, eles são a média de um determinado mundo, a morte ou vida deles nada significa senão como parte do roteiro de um sistema.

Outro dia eu estava a comentar com um colega de trabalho, sobre como eu estava sendo indolente com meus estudos depois do expediente, então ele interveio:

— Mas que dizes meu caro? Mais certo é que um trabalhador como ti, após a estafa diária, indulgencie-se nos refestelos que mereces, seja nos ígneos reflexos do vinho ou nas leves trivialidades do entretenimento que nos faz esquecer o pesadume de uma rotina ordinária.

Nessas palavras eu vira um convite à mediocridade, como se por eu ser trabalhador e me alquebrasse na lida diária, isso escusasse minha indisciplina com meus estudos, e com aquilo que eu amo, meu espírito, meu verdadeiro eu, e justificasse minha embriaguez com as distrações do mundo, com as "diversões" nada construtivas, que se destinam na nos distrair de quem realmente somos, a nos distrair de nossas vidas.

Eu dissera então, ironicamente:

— Por justo confrade, tendes razão, afinal que bem fazem ao operário estafado, os doutos tomos e meditação nos vetustos valores já desvanecidos? Folgar-me-ei com vinho, teatro e donzelas, sempre que puder.

Disse isso por não querer justificar a ele as razões ulteriores de eu não me corromper com a diversão espúria moderna, mas a fala dele, indiretamente, como em um dialogo socrático, fizera-me ver o erro dos meus caminhos e como ao negligenciar aquilo que nós amamos, seja por dificuldade ou cansaço, nós abdicamos quem nós somos para nos tornarmos pessoas sem alma, potencialidades que nunca serão plenas pois estão entretidas, entretidas até a morte. Domesticados pelo pérfido porém sedutor chamado do conforto, aquele que mata o espírito e os sonhos.