Sei, Olala*, que me adoras,
sem nunca mo teres dito,
nem co’os olhos, línguas mudas,
que entendem os amorios.
Sei-o sim, porque és discreta;
por isso em tal me confirmo;
todo o amor alcança paga,
salvo se é desconhecido.
Verdade é que tenho, Olala,
em ti descoberto indícios
de teres a alma de bronze,
e o peito de gelo frio.
Mas, através das repulsas
e honestíssimos desvios,
talvez se enxergue da esp’rança
um vislumbre fugitivo.
O meu amor se abalança
a esperar, sem ter podido
nem minguar por enjeitado,
nem crescer por escolhido.
Se amores têm cortesia,
da que tu mostras colijo
que o fim das minhas esp’ranças
há-de ser qual imagino.
E se o bem servir consegue
tornar um peito benigno,
já tenho em que funde a crença
de obter os bens a que aspiro;
porque, se nisso reparas,
às vezes me terás visto
vestido à segunda-feira
com as galas do domingo.
As louçainhas e amores
seguem o mesmo caminho;
e eu sempre quis aos teus olhos
apresentar-me polido.
Por teu respeito não bailo;
as músicas não te cito,
que a desoras, e acordando
os galos, terás ouvido.
Não te encareço os louvores
com que os teus dotes sublimo,
que, se bem que verdadeiros,
me fazem de outras malquisto.
Teresa do Barrocal
já, louvando-te eu, me há dito:
— Há quem pense adorar anjos,
estando a adorar bugiosa;
milagres dos arrebiques
mais dos cabelos postiços,
hipócritas formosuras,
que enganam até Cupido.
Desmenti-a; ela enfadou-se;
pôs-se por ela seu primo;
desafiou-me, e bem sabes
qual saiu do desafio.
Nem por demais te cortejo,
nem para mal te cobiço:
a melhor fim se endereçam
minhas atenções contigo.
Na Igreja há prisões de seda
para os casais bem unidos;
mete o pescoço na canga,
que eu sigo o mesmo caminho.
Quando não, desde aqui juro,
pelo Santo mais bendito,
não sairei destas serras
senão para capuchinho.
*Eulália
CERVANTES SAAVEDRA, Miguel de; O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, Tomo I, Capítulo XI.
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terça-feira, 17 de abril de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
Vinho de Janeiro
Hörst Du die Glocken läuten?
Ouves o repique dos sinos?
Ich höre sie nicht mehr.
Eu não os ouço mais.
Siehst Du die Felder leuchten?
Vês o luzir das campinas?
Ich sehe sie nicht mehr.
Eu não o vejo mais.
Ein fahler Wind, der mich umhüllt,
Uma languida brisa, me envolve,
er treibt mich fort von hier,
Ela me leva para longe daqui,
aus diesem engen Tale,
Desses austeros vales,
es hält mich nichts mehr hier.
Não quedo-me mais aqui.
Über Straßen, Staub und Felder,
Sobre estradas, poeira e campos,
zieht der Weg sich lange hin,
Alonga-se o caminho até ela,
der Berg voraus,
A montaha a frente,
zum Tal hinaus,
Elevando-se do vale,
vorwärts - heimwärts drängt der Sinn
Avante, para casa, nos incitam nossos espíritos.
|: Die Sonne steigt, wir steigen mit,
O sol ascende, nós ascendemos juntos,
Den Berg empor mit festem Schritt,
À montanha altaneira, com passo firme,
Wir können nicht mehr wenden.
Nós não podemos mais retornar.
Ein letzter Blick, kein Weg zurück;
Um último olhar, sem volta atrás.
Für jeden Pfad den man betritt,Pois a cada nova senda que iniciamos
Muß ein alter enden. :|
Uma antiga deve terminar.
Aus den Wäldern steigt der Nebel,
Das florestas sobe a neblina,
des Tales Glocken, sie sind stumm,
Dos vales os silentes sinos,
Schweigen umgibt mich wie ein Segen,
A quietude que envolve-me como uma benção,
ein letztes Mal dreh ich mich um.
Uma última vez me volto para trás.
|: Die Sonne steigt... :|
Jännerwein
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